28.6.08




Existem apenas duas maneiras de ver a vida: uma é pensar que não existem milagres e a outra é pensar que tudo é um milagre.


ACENOS E AFAGOS – Pára tudo! Nada é mais importante na vida brasileira neste momento do que o novo romance de João Gilberto Noll. Estou devorando as páginas do romance com curiosidade e prazer. Sou fã do Gilberto Noll desde que li Hotel Atlântico, a partir de então, um dos meus livros favoritos. Seu novo romance chama-se Acenos e Afagos e está me provocando grande prazer na sua leitura. Talentoso manipulador de palavras, Noll envolve o leitor com sua história terna e sensual, que se desenrola num turbilhão de acontecimentos que conta a vida de um outsider.


ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA? - Outro fato marcante da cultura brasileira é o lançamento no circuito comercial do filme Onde andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado. Uma jóia rara do cinema brasilerio do século 21. Maitê Proença está fantástica como Dulce Veiga, uma cantora de bossa-nova que desaparece no auge do sucesso. Muitos anos depois um jornalista tenta escrever uma resportagem sobre a cantora e o filme conta o que ele descobriu sobre a misteriosa mulher. O filme tem incríveis seqüências em preto e branco, mostrando Maitê Proença como uma diva do cinema do passado. Glamour, jogos de luzes, clima de filme noir.

O que eu mais gosto no cinema de Guilherme de Almeida Prado é a aura de grande arte que ele imprime a seus trabalhos. As seqüências têm um ritmo próprio, a fotografia se utiliza de sofisticadas referências, os atores são bem dirigidos. Ele acredita no diretor como o maestro do filme e se inspira nos grandes mestres. O filme apresenta ótimas interpretações de Nuno Leal Maia, Christiane Torloni, Júlia Lemmertz, Matilde Mastrangi e Carolina Dieckmann. Mas dois atores merecem destaque: Carmo Dalla Vechia e Oscar Magrini.

Carmo Dalla Vechia interpreta Raudério, um fã obcecado pela cantora, desses que adoram a artista mais que a sua prórpia vida. Quando a estrela some o sujeito entra num processo de desespero e começa a se drogar. Drogas pesadas. Picos na aveia. O sujeito começa a entrar numa viagem de que é a cantora e assume a personalidade dela. O personagem é ótimo, muito bem arquitetado dentro da história do filme e Carmo tem uma atuação brilhante. Ele aparece drogado, junkie, vestido de mulher, achando que é uma cantora famosa. É provocante e perturbador. Carmo Dalla Vechia é um bom ator. Amigos de Pernambuco me contam que ele foi o melhor ator que já fez Jesus na encenação da Paixão em Cristo de Nova Jerusalém.

Oscar Magrini faz um diretor de teatro , ex-marido da tal cantora famosa, com quem viveu um triângulo amoroso com outro rapaz. O filme dá a entender que ela sumiu depois de descobrir que o marido gostava mais do outro vértice do casal. Magrini dá show fazendo um personagem afetado, cheio de trejeitos e poses, que dirige uma peça que conta a história de amor entre dois marmanjos. Essa é a deixa para uma série de nus frontais masculinos. Quem gosta de ver homem pelado não pode perder esse filme. O cartaz de divulgação diz que Onde andará Dulce Veiga? é um filme para se ver várias vezes. É verdade.

9.6.08




A melhor maneira de se ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.


CINEMATECA – O poeta Eucanãa Ferraz está com livro novo na praça: Cinemateca. Eucanãa divide com Antônio Cícero o posto de “Novo Drummond” da poesia brasileira. Cinemateca reúne uma penca de poesias belíssimas. Como o título sugere, os poemas são como filmes, onde o leitor saboreia a direção, o enredo e a fotografia. Cinemateca é composto de três partes, nas quais os poemas-filmes são agrupados a partir da intensidade da luz: o livro se abre com os textos mais iluminados, solares, felizes; em seguida, a luz parece a do entardecer, e os poemas são invadidos pela melancolia; por fim, a luminosidade praticamente desaparece sob o peso da sombra, da escuridão, do desamor e da morte. Com delicadeza e precisão, intensidade e violência, cruzam-se nomes, cenários, histórias, mas, sobretudo, somos nós próprios – leitores – que estamos em cena, à qual somos transportados pelas lentes da poesia.









O MÁGICO

De mim o que trará em sua capa
enigmática o mágico? De mim
o que haverá em sua urna aguda
e bem guardada? O que se mudará

de mim para o mundo falso e fundo
de seus olhos sem que eu perceba
nem queira dar por isso? Depois
do espanto, depois do óbvio

sob o fingimento das mangas
e de quantas ciências ocultas
em suas mãos abertas (hora
de ir embora) o que seremos?

O que serei de mim quando sair de cena
o mágico? Que restará do encanto?
Há de ficar a música de quando?
Algum espinho? Um ás? O espanto?








CALENDÁRIO

Maio, de hábito, demora-se à porta,
como o vizinho, o carteiro, o cachorro.
Das três imagens, porém, nenhuma diz

do que houve, para meu susto, àquele ano.
O quinto mês pulou o muro alto do dia
como só fazem os rapazes, mas logo

pelos quartos e sala convertia o ar em águas
definitivamente femininas. Eu
tentava decifrar. Mas

deitou-se comigo e, então, já não era isso
nem seu avesso: a camisa azul despia
azuis formas que eu não sabia, recém-saídas

de si mesmas, eu diria, e não sei ter
em conta senão que eram o que eram. Partiu
do mesmo modo, em bruto, coisa sem causa.

Maio, maravilha sem entendimento,
demora-se à porta, como o vizinho,
o carteiro, o cachorro. Porém,

nenhuma das três imagens, tampouco
este poema, diz do que houve, para meu susto,
àquele ano.








O DOIDO

Diziam, verdade ou não, que fora rico e são
e que a despeito dos bens que possuíra

acabara endividado, falido e torto. Talvez
por isso, embora miserável, a cabeça

reta, o andar
de quem governa e pisa terra extensa e sua

em perambular sob o sol absoluto,
absorvido sabe-se lá por que delírios.

Absorvido sabe-se lá por que delírios,
insultava o vento e o vazio numa agitação

de cabelos e palavras e era comum
vê-lo penteando com seus dedos

encardidos a água das praias,
como se província sua,

como sua líquida mulher ou filha.
Viveu assim, entre feridas e piolhos,

até que desceu a noite
e uma pedra veio buscá-lo.

8.6.08




Conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância.


A polêmica entre a Rede Globo e a Record chegou à imprensa na Europa. Leia a seguir a matéria publicada em 6 de junho no Financial Times.

TV Globo mantém estratégia vencedora há mais de trinta anos, apesar de crescimento da concorrência - Como dizem no Brasil louco pelo futebol, em time que está ganhando não se mexe. A Rede Globo, a maior rede de televisão do Brasil e a quarta do mundo, leva o ditado a sério: há trinta anos, sua programação noturna quase não mudou. Executivos de televisão no mundo todo lutam para adequarem seus horários aos gostos instáveis. A Globo mantém sua estratégia básica.

Das 18 às 22h, de segunda a sexta-feira, os telespectadores vêem o seguinte: novela; noticiário local; novela; noticiário nacional; e outra novela. Depois, têm futebol pelo menos uma noite por semana e um filme de Hollywood em outra. Uma mistura de séries cômicas e assuntos de interesse atuais preenche o resto. Os dias da semana e os finais de semana são dominados por outro produto básico: programas de auditório, nos quais apresentadores famosos oferecem entrevistas com celebridades, esquetes ao vivo, competições e dramas da vida real.

Esse é um dos segredos do sucesso da rede, diz Octávio Florisbal, diretor-geral da Globo: uma programação rígida "horizontal" -diferentemente da variada "vertical", como muitas nos EUA e na Europa- mais adequada para capturar telespectadores e torná-los leais. Outro segredo é o fato da Globo produzir quase toda sua programação, usando autores, atores, jornalistas e técnicos, todos ligados à rede, e criar programas em um estilo próprio instantaneamente reconhecível.

E que estilo. O logotipo espacial da Globo, que faz "plim, plim", diz tudo. Suas novelas trazem tipos reconhecidamente brasileiros de todo o país (com uma forte tendência para o eixo Rio-São Paulo), em ambientes reconhecidamente brasileiros, comportando-se de formas reconhecidamente brasileiras. Eles lidam com questões de preocupação diária dos telespectadores, como crime, sexo com menores e drogas -exceto que nada é bem o Brasil, porque tudo é um pouco melhorado, se não muito, e menos alarmante do que na vida real. Os pobres especialmente se saem muito melhor no mundo da Globo do que no mundo real. São mais bem alimentados, mais bem vestidos, se dão melhor com seus patrões de classe média e moram em favelas -onipresentes nas cidades brasileiras- tão maquiadas que deixam a coisa real literalmente na poeira. "O povo brasileiro enfrenta suficientes dificuldades em suas vidas diárias", diz Florisbal. "Eles não querem ver mais sofrimento. Não é o que querem das novelas da Globo".

Mas se a Globo não está mudando, seus telespectadores sim. A economia está melhorando, e a renda vem aumentando há algum tempo. Nos últimos dois anos apenas, 20 milhões entraram na faixa de renda média, que atualmente compreende 46% dos quase 190 milhões de brasileiros. Isso significa que mais pessoas devem ter mais tempo e dinheiro para fazer outras coisas do que sentarem-se lealmente diante da programação horizontal da Globo.

Os bares, restaurantes e cinemas são ameaças evidentes, apesar dos brasileiros de classe média não serem ricos o suficiente ainda para esses terem muito impacto. A Internet e a televisão paga causam preocupação, apesar de seu efeito ser marginal; a televisão paga está presente em apenas 6% a 7% dos 50 milhões de lares brasileiros.

A competição pelo tempo de lazer das pessoas, ao que parece, não vem primariamente dessas fontes -os fantasmas dos programadores americanos e europeus. O que a renda crescente produziu foi uma feroz competição pelo público da televisão e a propaganda que atrai.

Os dados de audiência e propaganda são difíceis de se obter. O Ibope, empresa de pesquisa de mercado, os fornece às redes, que divulgam apenas o que querem. Daniel Castro, colunista de televisão da Folha de S.Paulo, diz que a fatia da propaganda da Globo ainda está firme em cerca de 70%. Mas essa parcela está sendo ameaçada. A Globo diz que seu público médio de 7h da manhã até a meia-noite caiu, mas não revela os dados do horário nobre, que Castro diz ter declinado nos últimos três anos.

Quem está comendo a parcela da Globo? Aparentemente, não são os canais rivais tradicionais, SBT e Bandeirantes, mas uma rede relativamente recente, Record, com uma nova fórmula vencedora instalada desde 2004. A fórmula é: copiar a Globo. Alexandre Raposo, diretor de televisão na Record, diz que depois de muita pesquisa criou uma nova programação horizontal constituída de novelas, noticiários, futebol e programas de auditório. O seu horário nobre difere do da Globo apenas na ordem das novelas e dos noticiários. O resultado não surpreende, mas ainda assim é impressionante: as novelas da Record parecem às da Globo, até os atores, os ambientes e a programação gráfica.

"É claro, essa é nossa estratégia", diz Raposo. "Estamos usando o condicionamento que já está presente no telespectador. E 80% de nossos profissionais são da Globo." A Record pegou tantos profissionais da Globo nos últimos dois anos que é incrível que a Globo ainda tenha pessoal.

Ainda assim, as novelas da Record diferem das da Globo. "Vidas Opostas", que teve 240 episódios em 2006 e 2007, era uma novela ambientada em uma favela que de fato parece uma favela completa, com traficantes e policiais corruptos. Ela recebeu uma série de prêmios e teve forte audiência. A Record seguiu esse sucesso com "Caminhos do Coração", na qual os personagens de classe média com vidas ordinárias são afetados por mutantes que atiram raios mortais dos olhos, uma alegoria aos males -desde o crime comum até políticos corruptos- que afligem a vida brasileira.

No ultra-realismo e no surreal, a Record encontrou formas de acrescentar à fórmula vencedora da Globo. No início do ano, "Caminhos" fez para Record o que nenhuma rede brasileira conseguiu antes: teve um público no horário nobre mais do que a metade do tamanho da Globo.

A Globo ainda não está entrando em pânico. Sua estratégia continua a mesma: nenhuma mudança. "Enquanto líder do mercado, com o público que temos, só podemos mudar muito lentamente", diz Florisbal. Enquanto isso, parece que a Globo corre o risco de ser comida por seu próprio clone. Parece uma novela da Record.



6.6.08




A abundância não diz respeito a quanto dinheiro se tem, mas à atitude sobre o quanto se tem.


ORGULHO DE SER TRICOLOR - Ao sentir a vibração da torcida, o vigor, a energia, a emoção, o amor e a paixão da multidão que lotava o Maracanã, não consegui deixar de pensar na frase do imortal Nelson Rodrigues. Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, antes, muito antes da presente encarnação. Foi assim que eu me senti diante do evento que foi a vitória de 3 X 1 do Fluminense contra o Boca Juniors: um tricolor de vidas passadas. Não, leitores. Aquilo não foi apenas um jogo. Foi um evento. Um acontecimento. Uma hecatombe. A multidão irradiava uma energia impressionante por que o torcedor do Fluminense é assim mesmo. Ele brilha. Pode-se identificar um tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se distingue dos demais por uma irradiação específica e duradoura. A expressão de felicidade estampada na face da torcida denunciava que, para àquelas pessoas, ter vivido aquele momento, era uma razão mais do que suficiente para justificar sua existência na face da terra.





Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor


Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor


Vence o Fluminense
Com o verde da esperança
Pois quem espera sempre alcança
Clube que orgulha o Brasil
Retumbante de glórias
E vitórias mil


Vence o Fluminense
Com o sangue do encarnado
Com amor e com vigor
Faz a torcida querida
Vibrar de emoção o tri-campeão


Vence o Fluminense
Usando a fidalguia
Branco é paz e harmonia
Brilha com o sol
Da manhã
Qual luz de um refletor
Salve o Tricolor



A NOITE DOS MUTANTES – Foi no cenário hi-tech do Planetário da Gávea que o elenco, equipe técnica, jornalistas e convidados assistiram ao primeiro capitulo da novela Os Mutantes, de Tiago Santiago. Num telão enorme montado na cúpula do planetário, tendo ao fundo uma reprodução da via-láctea, a equipe da novela pode ver o resultado do seu trabalho. O clima era de muito entusiasmo graças aos bons índices de audiência registrados no dia anterior, quando foi exibido o último capítulo de Caminhos do Coração. Tiago Santiago e o diretor Alexandre Avancini foram as atrações da noite. Todos queriam cumprimentá-los pelo sucesso da empreitada. Tiago e Alexandre fazem uma boa dupla de artistas criativos e inovadores. Se um propõe uma loucura, o outro propõe uma loucura ainda maior. Na realização desse trabalho, a filosofia da dupla parece fundamentada numa afirmação de Janete Clair (ou foi Ivany Ribeiro?) que certa vez disse numa entrevista que a boa novela é aquela que não tem medo da fantasia.


E por falar em fantasia, foi nesse clima que aconteceu a festa da novela Os Mutantes. Artistas performáticos foram contratados para circular entre os convidados fantasiados de mutantes. Logo na entrada do salão um bar imitava o cenário do laboratório da Doutora Júlia, a cientista maluca que acha que revolucionou a medicina com suas criações. Garçons fantasiados de seres geneticamente modificados serviam drinques coloridos em tubos de ensaio.


Na entrada do planetário holofotes iluminavam o logotipo da Record enquanto astros e estrelas chegavam. Angelina Muniz, belíssima num elegante vestido preto. Patrycia Travassos, chiquérrima, contando dos ensaios de sua peça Monstra. Leonardo Vieira contava que está adorando fazer o herói. “Adoro gravar as cenas de ação e suspense”, dizia ele. Maytê Piragibe, excitadíssima, querendo saber tudo sobre Nati, sua personagem, uma jovem policial atormentada. “É verdade que a Nati vai morar num barco?”, perguntava ela. Cláudio Heinrich muito cumprimentado por sua atuação como Danilinho. Natália Guimarães encantava a todos com sua beleza que já lhe rendeu o título de Miss Brasil. Quem também destilava beleza na festa da Record era o jovem galã Rômulo Arantes Neto que, pessoalmente, ainda é mais bonito que na tela. Ele é lindo! “Tô fazendo bem meu personagem? Tá gostando do Telê”, perguntava Rômulo, com um sorriso de garoto simpático. Enquanto isso Perfeito Fortuna divertia todo mundo dizendo que A Favorita tinha dado traço de audiência. Que maldade! As crianças da novela, Cássio Ramos, Letícia Medina, Shaila Arceni e Júlia Magessi só queriam saber de curtir o planetário.


Ittala Nandi, a Doutora Júlia, posou para fotos ao lado de Babi Xavier, que faz a mesma personagem depois que a cientista toma o elixir da juventude que ela mesma criou. “É impressionante a imaginação do Tiago. É um prodígio”, comentou Marina Miranda quando viu as duas atrizes juntas. Ittala foi muito festejada não só pela sua personagem, mas também pela crônica que o jornalista Artur Xexéo lhe dedicou semanas atrás. "O Xexéo assiste a novela todos os dias, não perde um capítulo", dizia a atriz com orgulho. Sacha Bali e Juliane Trevisol curtindo aos montes a popularidade de seus personagens Metamorfo e Gór. Theo Becker, Taumaturgo Ferreira, Fernanda Nobre, Gisele Policarpo, Bianca Rinaldi, Rafaela Mandelli, André di Biasi, Diego Cristo, Gabriel Braga Nunes, Tuca Andrada, Liliana Castro, Antonio Pitanga, Jonathan Haagensen, Helena Xavier, Rocco Pitanga, Java Mayan e Ligia Fagundes. Estavam todos lá.

Allan Lima, o ator que faz o Meduso, o mutante que emite raios mortais pelos olhos, bateu animado papo com Maria Claudia Oliveira, uma das colaboradoras de Tiago Santiago em sua novela. O rapaz, que faz o seu primeiro trabalho na TV, não conseguia esconder o entusiasmo com o personagem. Maria Claudia aproveitou a animação do jovem galã e lhe deu uma dica importante: procure sempre respeitar o texto, evite mudar as falas do personagem, pois isso incomoda os autores. Maria Cláudia é uma figura. Novelista de mão cheia, escreve num português impecável. Jornalista das boas, ela foi colega de Patrícia Kogut no Segundo Caderno, mas trocou a vida na redação para escrever para a TV. Uma curiosidade: o marido dela é produtor da Rede Globo e atualmente trabalha na novela A Favorita. Como esse mundo é pequeno! Doc Comparato, Vivian Oliveira, Gibran Dipp e o elegante Altenir Silva, também da equipe do Tiago, formaram um animado grupo que aproveitou a festa para trocar idéias com os atores e ouvir suas impressões sobre a novela.


Champanhe, champanhe, champanhe...




BLOG DO TIAGO SANTIAGO - Já está no ar o blog do Tiago Santiago, autor da novela Os Mutantes. Num estilo sempre bem humorado e alto astral ele comenta os bastidores da novela, publica cenas que vão ao ar, rebate críticas e emite opiniões sobre artistas e programas de TV e sobre a imprensa. Sobre a disputa de audiência entre a Globo e a Record Santiago escreveu:

Acho estranho quando leio ou ouço dizer que a Record está "roubando" audiência da Globo, porque quem rouba é ladrão. A Record disputa audiência, que não é objeto que pertença a Globo. Com este verbo, fica parecendo que a Globo é a mocinha roubada e a Record é a vilã. E na verdade, a audiência é a mocinha que está sendo disputada pelas duas galantes emissoras. Na verdade vejo nosso trabalho como o David da concorrência que derrota o Golias do monopólio, com o uso da nova tecnologia. Outro verbo estranho é "copiar". Gente, que é isso? Queridas e queridos do Brasil, não estamos só copiando. Estamos inovando na Record. Somos a vanguarda, a revolução, a evolução, a mutação.

3.6.08




O primeiro dos bens, depois da saúde, é a paz interior.


VIAJANTE ALEATÓRIO – Um blog para pessoas que gostam de viajar. Dicas para quem gosta de estar em outro país, em outra cidade, apreciando uma língua que não entende, admirando paisagens exóticas, curtindo gente diferente, degustando novos sabores, aromas e cores. Assim é o Viajante Aleatório, blog do jornalista Júnior de Paula, dedicado a viagens e turismo. Com um texto leve e sofisticado o Viajante Aleatório diverte, instrui e dá dicas preciosas para quem vai viajar e para quem simplesmente gosta de ler sobre lugares diferentes. É divertido até para quem não tem planos de viajar. Quem está acostumado a ler os cadernos de turismo dos jornais vai se surpreender com a atitude do blog com relação ao que é fazer turismo. Clique AQUI e boa viagem.




LUTANDO PELA SELVA – Foi num clima de Salve a Amazônia e Abaixo Blairo Maggi que aconteceu no último domingo mais uma edição do Jungle Fight o mais regular torneio de MMA-Mixed Martial Arts do Brasil. O CT-Minotauro, centro de treinamento dos irmãos Rodrigo e Rogério Nogueira, foi pequeno para abrigar o público ávido pelo show de lutas. Organizado pelo ex-lutador Wallid Ismail o torneio, desde sua primeira edição, tem como mote a proteção da floresta amazônica. Para entrar no clima de preservação da floresta foram distribuídas mudas de árvores para todo o público.


Foram oito lutas sensacionais. Foi emocionante ver o estádio lotado com todo mundo vibrando enquanto lá no centro do ringue o pau comia. Lutadores aguerridos, levando a sério sua arte, buscando a vitória e os aplausos da platéia. Houve momentos brilhantes, como embate inicial entre Leonardo Tangerina e Bruno Menezes que acabou empate, mas na decisão dos juízes Tangerina venceu o que causou polêmica na platéia. Outro grande momento foi o nocaute de Jhonys Eduardo no enfezado Erinaldo Pitbull que sucumbiu ante o potente soco dos adversários nos primeiros minutos do primeiro round.


A grande luta do torneio entretanto, reuniu a revelação da noite, o atleta da academia Clube da Luta André Tadeu e o favoritíssimo Daniel Moraes, do Iate Clube Jardim Guanabara. Desde o primeiro instante Daniel Moraes mostrou superioridade e partiu pra cima do adversário com golpes precisos. Em dois momentos parecia que ele ia nocautear o atleta do Clube da Luta. Na metade do segundo round André Tadeu teve um momento de brilho e acertou um soco em Daniel que perdeu o prumo. Tadeu aproveitou o deslize do adversário e partiu pra cima. Resultado: nocauteou o favorito e foi ovacionado pelo público surpreso pelo resultado.


Foi uma noite de gala. Não só pelas belas lutas. Nem apenas pelo público atento e civilizado. Mas, principalmente, pela luxuosa presença na platéia do guru de todos os lutadores brasileiros, o super campeão Rickson Gracie. O mito do jiu-jitsu foi ovacionado quando o apresentador o chamou até o centro do ringue e sua presença deu um toque de classe ao evento. Mas Rickson não foi a única estrela do mundo das artes marciais a dar pinta na platéia do Jungle Fight. Quem também estava lá era o canadense Georges Saint Pierre, considerado um dos maiores lutadores da atualidade. O atleta está passando uma temporada no Rio, aprimorando seu jogo com atletas brasileiros. Ele estava sendo ciceroneado pelo campeão brasileiro Gustavo Ximú, marido da delegada Monique Vidal.


Enquanto rolava o campeonato Daniele Suzuki entrevistava o público para uma edição especial do seu programa Tribos, que vai ter como tema a tribo do Vale Tudo. Ela entrevistou gente na platéia, conversou com o anfitrião Rogério Minotouro, o promotor Wallid Ismail e o treinador Marcus Vinicius, dono de uma academia em Beverly Hills, que atuou como árbitro. Quem também entrevistava os feras do tatame era a bela Paula Sack apresentadora do Premiére Combat, canal de TV que passa lutas 24 horas por dia.


Marcelo Alonso, um dos editores da Tatame, a bíblia das artes marciais no Brasil, atento a todos os movimentos, fazia a cobertura para sua revista. Alonso acabou de chegar de Miami onde fez extensa reportagem sobre a mais bem equipada equipe de lutas do mundo, a American Top Team. É um sofisticado e bem equipado centro de treinamento. O titulo da reportagem de Marcelo Alonso já diz tudo: Legião brasileira coloniza a Flórida. É que oitenta por cento dos atletas da American Top Team são brasileiros. Num esquema super profissional a American Top Team contrata os brasileiros e eles mesmo se encarregam de providenciar visto de trabalho e toda a papelada para que os brazucas possam viver legalmente nos States.


E por falar nos Estados Unidos nesta quinta-feira, dia 5 de maio, começa o Mundial de Jiu-Jitsu, no ginásio da Califórnia State University, em Long Beach. O torneio era realizado todos os anos no Tijuca Tênis Clube. Mas, desde 2006, vem sendo realizado na Califórnia, aproveitando a popularidade dessa arte marcial na América. Kron Gracie, o mais promissor herdeiro do talento da família mais marcial do planeta, é a grande expectativa no torneio. O jovem de 19 anos foi um dos campeões do Pan-Americano em 2007 e esse ano promete vir com tudo no Mundial, sempre treinado pelo seu pai Rickson Gracie.