9.3.15















Nada provocará em nós admiração tão grande quanto um homem corajoso na adversidade.



TEATRO QUASE SEMPRE - Tiago Santiago apresentou seu "Tarot do Santiago", na Fundição Progresso e impressionou o público com a riqueza visual do espetáculo. Cada ator representa uma carta do tarot e recita um monólogo cujo texto é inspirado no significado da carta. Projeto antigo do diretor, a peça surpreende pela originalidade. Para formar o elenco, Tiago promoveu uma oficina de atores que, a partir de exercícios e jogos teatrais, trabalharam em cima dos ensinamentos e mistérios contidos nas cartas de tarot.  

7.3.15



Viver bem é a melhor vingança



QUE MARÇO SEJA UM MAR DE COISAS BOAS - O dia internacional da mulher sempre me faz lembrar Wilma Lessa, a pessoa mais feminista que já conheci. Ela vivia intensamente a questão feminista, lutava pelos direitos da mulher com muita valentia e autenticidade. Era paulista, mas morava em Recife. E Pernambuco é certamente o lugar mais machista do Brasil, que já é um país machista pela própria natureza. E Wilma, com seu jeito livre e independente, enfrentou com muita valentia o comportamento machista da cidade que escolheu para viver, quando cansou de São Paulo. Sua história daria um filme. Ela fundou uma ONG chamada Viva Mulher, onde usava de todos os recursos possíveis para defender os direitos da mulher. Principalmente das mulheres que eram espancadas por seus companheiros. Os machões pernambucanos adoram bater em mulher. "Todo mundo acha que Minas Gerais é o lugar mais machista do Brasil. Mas não é. O lugar mais machista do Brasil é Pernambuco", me disse certa vez, mostrando números de uma pesquisa realizada por sua ONG. Uma ocasião nós estávamos num restaurante japonês chamado Fuji que ela adorava, pois lembrava São Paulo. Daí um cara começou a bater numa garota em pleno restaurante. Ninguém fez nada, pois era uma briga de casal, mas ela levantou da mesa e partiu pra cima do sujeito aos gritos de covarde. Botou o cara pra correr e convenceu a moça a ir na delegacia dar queixa.

Wilma Lessa tinha um programa de radio onde estimulava as mulheres, principalmente aquelas mais pobres, a lutarem por seus direitos e não se deixarem sufocar por uma sociedade machista. Se dedicava com afinco a essa missão. Quando chegava o dia 8 de março ela comemorava como se fosse a data do seu aniversário. Era uma mulher culta, inteligente. Adorava literatura. "Você precisa ler esse livro. É incrível", me disse ela, com um exemplar de Pedro Páramo, do escritor mexicano Juan Rulfo, nas mãos. Foi ela quem primeiro me falou do escritor Raimundo Carrero e seu livro "A história de Bernarda Soledade, a tigre do sertão".  Curtia Osman Lins, Garcia Marquez e Manuel Puig. Era muito educada, delicada, jovial e elegante. Falava gesticulando com as mãos. Gostava de beber cerveja e ouvir músicas de Nina Simone e Ornella Vanone. Quando a conheci ela morava no vigésimo primeiro andar e, na porta do apartamento havia a foto recortada de uma borboleta colorida e, logo abaixo estava escrito a frase: "Viver bem é a melhor vingança". Eu a admirava e gostava de escutar suas histórias de vida. Ficamos tão amigos que ela me concedeu a honra de ser padrinho do seu filho. 

Pena que ela não está mais entre nós para comemorar o próximo 8 de março. Hoje, em Recife, existe uma rua com o seu nome. Rua jornalista Vilma Lessa. Está grafado assim, com V. Mas é preciso corrigir. Afinal, ela tinha tanto orgulho do seu W. O seu nome também batiza uma ala do hospital Agamenon Magalhães, dedicado a atender mulheres que tenham sofrido violência física, psicológica ou sexual. Chama-se "Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa".   




6.3.15





A fatalidade não é senão aquilo que nós queremos.



IMPEACHMENT NÃO É GOLPE - A Universidade Federal do Rio de Janeiro ameaça começar o ano letivo de 2015 com uma greve geral. Hoje, dia 6 de março, a UFRJ já fez uma paralisação. As aulas, que deviam ter começado dia 2 de março, já haviam sido adiadas para o dia 9, próxima segunda, por conta de falta de pagamento ao pessoal da limpeza, o que teria deixado algumas unidades sem condições de receber alunos e professores. O fato é que a situação é tensa. A Universidade alega que está em dificuldade para fechar contas, devido a uma redução nos repasses financeiros feitos pelo Ministério da Educação. A situação de caos não é recente e já vem se arrastando desde 2012.

Mas há algo intrigante nessa relação complicada entre a UFRJ e o Ministério da Educação, representante do governo, no que diz respeito à educação. Nos últimos anos a relação tem sido de insatisfação e conflitos entre a Universidade e o governo. Mas, ano passado, durante as eleições, a UFRJ apoiou de forma ostensiva e radical a candidata do PT, Dilma Rousseff. A grande maioria dos alunos e professores faziam campanha escancarada. Nas salas de aula e secretarias acadêmicas haviam cartazes com foto da Dilma e o número 13, o que é ilegal. Professores davam aula com camisetas vermelhas com foto da Dilma e o número da candidata. Alunos que não apoiavam a candidata do governo se sentiam visivelmente constrangidos no ambiente escolar. Durante a eleição a UFRJ fez uma verdadeira lavagem cerebral nos seus alunos a favor da candidata do PT.

Ora, bolas! Se deram tanto apoio, se foram tão radicais a favor da Dilma, por que agora estão puxando o tapete da própria candidata que apoiaram? Alguém pode me explicar essa contradição? Se era pra puxar o tapete de Dona Dilma, deviam ter feito isso durante a eleição. Se queriam criticar a forma com que o governo estava tratando a educação, tiveram uma excelente oportunidade durante a eleição e não o fizeram.  A campanha a favor da Dilma dentro da Universidade chegou a ser constrangedora de tão ostensiva e radical. Agora, Inês é morta, como diz o dito popular. Os eleitores xiitas da UFRJ deviam dar mais um prazo para a presidente, antes de partir para a greve geral. 

Agora durma-se com um barulho desses! 

Eu quero aula, não quero greve!

4.3.15

3.3.15



A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.



HÁ MUITAS NOITES NA NOITE - O cineasta Silvio Tendler acabou de chegar de Israel onde ficou três semanas gravando cenas do seu novo filme, A alma imoral, adaptação para as telas do best-seller do rabino Nilton Bonder. Foram três semanas de filmagens intensas, onde captou muitas imagens que buscam traduzir para as telas as ideias e a filosofia do autor do livro. Nos próximos meses Sivio vai se dedicar a nova fase do processo cinematográfico que é selecionar imagens, editar e sonorizar o filme, que só deve ficar pronto no segundo semestre. Mas ele já tem um novo filme pronto, que deve ser lançado nas próximas semanas, Nada mais, nada menos que Poema Sujo, adaptação dos poemas de Ferreira Gullar, com Maria Bethânia, Helena Rinaldi, Giulia Gamm. Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Edu Lobo, Zeca Baleiro, Fagner, Alcione e mais umas pessoas bem bacanas.

Silvio Tendler é um sujeito incrível. Inteligente, criativo e extremamente bem humorado. Eu o conheci na PUC, onde foi meu professor. Ficamos amigos, porque ele sempre fez questão de ser amigo dos seus alunos e de acompanhar a trajetória de cada um, mesmo depois da Universidade. Ao longo da vida, teve problemas de saúde ligadas a diabetes e acabou adquirindo uma certa dificuldade de locomoção. Se movimenta em cadeira de rodas e consegue se locomover com um andador. E essas dificuldades nunca interferiram em nada na sua capacidade de trabalho, muito menos em seu humor. Ele encara tudo na esportiva e se sente grato por poder trabalhar, produzir, ter uma família bacana, uma filha adorável, um neto saudável e Fabiana, sua mulher, uma grande companheira.

Semana que vem, dia 12 de março, Silvio Tendler completa 65 anos. Uma data que merece ser comemorada com muita alegria. Tenho grande admiração por ele e orgulho de ser seu amigo.

 
Veja aqui o trailer do filme Poema Sujo




Aqui algumas cenas rodadas em Israel para o filme A alma Imoral





2.3.15












Um pouco de desprezo economiza bastante ódio.


VIAGEM A RUSSIA - Um passeio pelo fascinante universo da cultura da Rússia é o que apresenta a exposição do artista plástico Wassily Kandinsky. Os trabalhos do artista, que viveu entre 1866 e 1944, são belos e provocantes. E, a exemplo de outras manifestações artísticas desse período histórico e seu país, como a literatura, o balé e a música, há uma comunhão perfeita entre excelência artística e transgressão. A exposição, hora em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, não se limita a exibir obras de Kandinski, mas também de outros artísticas do seu tempo, com quem ele compartilhou ideias e conceitos sobre arte, em especial o abstracionismo. Ele acreditava que a vida não precisava ser retratada apenas com imagens realistas, mas, principalmente, com imagens que traduzissem a emoção do artista. E as imagens de Kandinsky e seus seguidores são pura emoção...



O desprezo é a forma mais sutil de vingança.




TEMPO NUBLADO - O último sábado de fevereiro foi trágico para um estudante de engenharia elétrica de Bauru, em São Paulo, que morreu numa festa, por ingestão excessiva de álcool. Ele tinha apenas 23 anos. Soube através do noticiário, mas senti a morte dele como se fosse alguém de minha família. Poxa vida! A vida já é tão arriscada. Mas a juventude nos oferece muito mais perigo, talvez por conta da impetuosidade própria da idade. Essa época da Universidade é tão incrível. As descobertas, os estudos, as novas perspectivas de vida. Tudo isso mexe muito com a sensibilidade dos jovens. E fazer farra com os colegas é uma das melhores coisas desse período da vida, em que a gente acha que tá ficando adulto e, só muito depois descobre que adulto é algo que não existe. A tendência do ser humano é ser uma criança desprotegida até o fim. 


Vendo a tragédia do estudante de Bauru lembrei das farras com os colegas nos meus tempos da PUC. As festas, as noitadas, os agitos. Vivi intensamente e fui muito feliz. Mas, hoje, olhando para trás, eu percebo os enormes riscos que corri junto com meus colegas de turma. Sempre fui um aluno disciplinado e estudioso. Amava profundamente a universidade e meus colegas de então. E me sentia amado por eles.

Na sala de aula a gente vai conhecendo os colegas aos poucos. Você acaba falando com todo mundo, mas uns acabam ficando mais amigos que outros. Na minha turma tinha uma garota chamada Anete que era a mais bonita da sala. Ou melhor, era a mais bonita de toda a universidade. Era a coisa mais linda do mundo. Os garotos babavam por ela. Eu falava com ela normalmente, mas me sentia um pouco intimidado com a sua beleza. E certa vez, numa aula, o professor sugeriu que os alunos fizessem comentários uns sobre os outros. E ficou todo mundo comentando o que achava dos colegas. E quando chegou na vez de Anete ela falou: "Eu acho o Waldir o cara mais legal da nossa turma". Só faltei morrer de felicidade. Até hoje fico feliz quando lembro dessa história. Considero um dos momentos gloriosos da minha existência. É claro que a partir daí ficamos amigos, mas, pouco tempo depois ela mudou para os Estados Unidos.

Escrevia sempre para Anete e ela ficava feliz com isso. Respondia minhas cartas dizendo o quanto sentia falta do Brasil, que não tinha amigos no Texas, que eu era o único que escrevia para ela. E eu nunca deixava de escrever cartas, contando o que estava acontecendo no Brasil. Ou então mandava postais com as imagens do Rio de Janeiro, para ela matar saudades. Tudo isso foi antes da internet e todas essas incríveis ferramentas de comunicação. Depois a roda viva da vida acabou nos afastando. Anete casou, nossas cartas foram ficando mais raras, o tempo passou. E nunca mais eu tive noticias de Anete.

Outro dia precisei pegar uns documentos na PUC, para aproveitar alguns créditos para o curso de Filosofia, que faço atualmente na UFRJ. Fazia tempo que eu não visitava o campus. E quando cheguei lá, fiquei olhando o movimento da garotada. Lembrando dos bons momentos que ali vivi com meus antigos colegas. Não consegui evitar as lágrimas. Chorei sem parar...

Madonna vem aí...

 

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