8.5.15












VIVA A VIDA - Thiago Perry é um típico garoto de Copacabana, aquele que é chamado carioca da gema. Com seu espírito esportivo, se destacava como atleta de futebol americano do time "Piratas de Copacabana", um dos times que pratica o tradicional futebol americano nas areias da praia. De tanto os amigos falarem que ele devia ser modelo, Thiago procurou uma agência e descobriu que os amigos tinham toda razão. Hoje é um dos modelos mais requisitados do Brasil, com trabalhos relevantes na Europa, como desfiles em Milão e Paris, e anúncios para a grife Dolce e Gabbana. Nas fotos acima, em preto e branco, ele foi fotografado por Mario Testino. Na foto do alto, colorida, quando eu o fotografei vestido com o uniforme do seu time. Muito antes da fama e das tatuagens...




A vida sem festas é um longo caminho sem hospedarias.

MORA NA FILOSOFIA - Quantas vezes por dia nós sentimos prazer? Quantas vezes por dia buscamos o prazer? O livro “Arqueologia dos Prazeres”, do professor Fernando Santoro, resgata a discussão originária dos filósofos gregos sobre o tema, que nos encanta e atormenta. Afinal o prazer é um bem, identifica-se com a felicidade ou não? Deve ser perseguido, evitado, controlado? Capaz de dissecar o assunto e demonstrá-lo em aulas fascinantes para platéias cada vez mais numerosas, o filósofo Fernando Santoro nos apresenta um livro original e acessível. Nele acompanhamos, deliciados, o levantamento das teses ontológicas do prazer, sua reação com o repouso e o movimento, com o corpo e o intelecto, com a ação e a paixão. Hedonistas, estóicos, materialistas, cínicos, realistas, idea-listas: entenda como e por que algumas escolas defendem o prazer e por que outras o atacam. Saiba o que pensavam sobre o assunto os primeiros sábios, e como Empédocles, Demócrito, Aristóteles, Platão e Epicuro, entre outros gregos fundamentais, associavam o prazer à beleza e ao desejo.

Um livro que se lê com muito prazer. Um trecho a seguir...




A Escola Cirenaica foi fundada por Aristipo de Cirene, que acorreu jovem para Atenas atraído por Sócrates. O exemplo de domínio sobre os prazeres, a despeito da medida, inspirou suas ideias e sua conduta. Ademais, aprendeu muito bem a agilidade da palavra, a resposta na ponta da língua, como veremos. Os cirenaicos estabeleceram sua doutrina especialmente em torno da questão do prazer. Para eles, havia dois estados de alma: o prazer e a dor. Quanto à fisiologia, não lhes interessava o conhecimento da sua constituição para além do que servisse a fruí-lo, entendiam o prazer como um movimento suave e a dor como um movimento brusco, inspirados na teoria das sensações de Anaxágoras. O fim supremo é o movimento calmo que resulta em sensação. Por isso, não acreditavam em prazeres estáticos nem que a calma ou a ausência de dor equivalessem a qualquer prazer. Não faziam nenhuma distinção de valor entre os prazeres. Mesmo que a ação resultante e mgozo fosse vil ou vergonhosa, o prazer não deixava por isso de ser algo bom em si mesmo. 

 A fruição do prazer é o bem supremo, e a felicidade é o acúmulo de prazeres isolados ao longo da vida. Nestes estão incluídos os prazeres passados e os futuros, mais como propiciadores de uma boa disposição do que como fruição de lembranças e expectativas, exauridas no tempo e vazias de sentido. Concentravam-se em viver o momento presente. Não calculavam trocar um prazer maior por dores menores no dia seguinte, porque o prazer do dia de hoje é certo e o futuro é duvidoso. A única coisa certa no futuro é a morte, o que justifica ainda mais concentrar as preocupações nas ocupações e sensações presentes.

29.4.15




BARCELONA BEACH SOCCER CUP - Higor Matos é atleta do Flamengo na modalidade beach soccer. Junto com o time ele embarcou para a Espanha a fim de disputar o Barcelona Beach Soccer Cup. Agora que está chegando o verão europeu, começam a surgir muitos torneios nas praias da Europa. Antes de pegar o avião, Higor se despediu do Rio curtindo esse lindo entardecer. Vai querer voltar logo...

O Flamengo é o único time brasileiro na competição e estreia jogando contra o Valencia. Também estão disputando o torneio times como o Boca Juniors, da Argentina; o Lokomotiv, da Rússia; e o Bate Berisov, da Bielorússia, entre outros.

 

22.4.15



AS PANTERAS - As mocinhas Fernanda Montenegro, Natália Thimberg e Tonia Carrero, numa foto de 1969, quando fizeram juntas a novela Sangue do Meu Sangue, na extinta TV Excelsior, de São Paulo. Nessa época elas já eram divas do teatro e da TV quando foram convidadas pelo autor Vicente Sesso para dar um toque de classe à sua novela, ambientada no Brasil do século 19, nos tempos do segundo reinado. Com elegantes vestidos de época, as três brilharam ao lado do galã Francisco Cuoco. Certamente Fernanda e Natália jamais imaginariam que mais de quarenta anos depois de Sangue do Meu Sangue estariam fazendo um badalado par romântico em Babilônia, no horário nobre da Rede Globo.
  

17.4.15



A JUSTIÇA EM ESTADO PURO - Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça — da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros, e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática. A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama, apenas pretende merecer aos seus próprios olhos. Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa. Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal. Não há que pensar qual virá a ser o prêmio de um ato justo; o maior prêmio está no fato de ele ser praticado. Mete também na tua ideia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça. Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si. Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser? Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti! Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre! (Sêneca)




A LIBERDADE E A JUSTIÇA - A revolução do século XX separou arbitrariamente, para fins desmesurados de conquista, duas noções inseparáveis. A liberdade absoluta mete a justiça a ridículo. A justiça absoluta nega a liberdade. Para serem fecundas, as duas noções devem descobrir os seus limites uma dentro da outra. Nenhum homem considera livre a sua condição se ela não for ao mesmo tempo justa, nem justa se não for livre. Precisamente, não pode conceber-se a liberdade sem o poder de clarificar o justo e o injusto, de reivindicar todo o ser em nome de uma parcela de ser que se recusa a extinguir-se. Finalmente, tem de haver uma justiça, embora bem diferente, para se restaurar a liberdade, único valor imperecível da história. Os homens só morrem bem quando o fizeram pela liberdade: pois, nessa altura, não acreditavam que morressem por completo. (Albert Camus)





Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente. (Sócrates)








O HOMEM MAGNÂNIMO - O homem magnânimo deseja ocupar-se de poucas coisas, e estas têm de ser verdadeiramente grandes aos seus próprios olhos, e não porque outros assim pensem. Para o homem dotado de uma alma grande, a opinião solitária de um único homem bom conta mais que a opinião de uma multidão. Foi o que disse Antífon, após a sua condenação, quando Agatão o cumprimentou pelo brilho de sua autodefesa. (Aristóteles)









O HOMEM PERFEITO - A virtude subdivide-se em quatro aspectos: refrear os desejos, dominar o medo, tomar as decisões adequadas, dar a cada um o que lhe é devido. Concebemos assim as noções de temperança, de coragem, de prudência e de justiça, cada qual comportando os seus deveres específicos. A partir de quê, então, concebemos nós a virtude? O que se nos revela é a ordem por ela própria estabelecida, o decoro, a firmeza de princípios, a total harmonia de todos os seus atos, a grandeza que a eleva acima de todas as contingências. A partir daqui concebemos o ideal de uma vida feliz, fluindo segundo um curso inalterável, com total domínio sobre si mesma. E como é que este ideal aparece aos nossos olhos? Vou dizer-te. O homem perfeito, possuidor da virtude, nunca se queixa da fortuna, nunca aceita os acontecimentos de mau humor, pelo contrário, convicto de ser um cidadão do universo, um soldado pronto a tudo, aceita as dificuldades como uma missão que lhes é confiada. Não se revolta ante as desgraças como se elas fossem um mal originado pelo azar, mas como uma tarefa de que ele é encarregado. «Suceda o que suceder», — diz ele — «o caso é comigo; por muito áspera e dura que seja a situação, tenho de dar o meu melhor!» Um homem que nunca se queixa dos seus males nem se lamenta do destino, temos forçosamente de julgá-lo um grande homem! Tal homem dá a conhecer a muitos outros a massa de que é feito, brilha tal como um archote no meio das trevas, atrai para junto de si todas as almas, dada a sua impassível tranquilidade, a sua completa equanimidade para com o divino e o humano. Tal homem possui uma alma perfeita, levada ao máximo das suas potencialidades, tal que acima dela nada há senão a inteligência divina, uma parte da qual, aliás, transitou até este peito mortal. E nada há de mais divino para o homem do que meditar na sua mortalidade, consciencializar-se de que o homem nasce para ao fim de algum tempo deixar esta vida, perceber que o nosso corpo não é uma morada fixa, mas uma estalagem onde só se pode permanecer por breve tempo, uma estalagem de que é preciso sair quando percebemos que estamos a ser pesados ao estalajadeiro. - (Sêneca)


Juiz Sérgio Fernando Moro


15.4.15





A BALADA DO POBRE JEAN - Finalmente estreia nos cinemas Casa Grande, um dos destaques da última edição do Festival do Rio. Na verdade o filme foi esnobado pela comissão julgadora que tinha, entre outros, o diretor Karim Anouiz e a atriz Malu Mader. Mas, se os jurados não quiseram dar nenhum prêmio, o público pensou diferente e escolheu Casa Grande como o melhor filme do festival. A verdade é que a última edição do Festival do Rio teve uma seleção incrível de filmes brasileiros: Sangue Azul, Obra, O fim e os meios, Ausência, O outro lado do paraíso e O último cine drive-in, entre outros.  E Casa Grande é o primeiro desses filmes a entrar no circutio comercial.

Casa Grande é original na sua concepção e na sua ambição de retratar o Brasil dos dias de hoje. Mostra a decadência de uma família rica, cujo patriarca esteve envolvido num desses escândalos envolvendo empreiteiras e desvios de dinheiro público. Com um humor que às vezes lembra os filmes de Woody Allen, o  filme mostra a desconstrução de uma família de ex-ricos e sua descoberta da existência da chamada classe C. É político sem ser panfletário.  Um excelente roteiro, recheado de belos diálogos. Um elenco muito bem escalado. E Fellipe Barbosa, um diretor seguro e ousado, que aponta novos caminhos para o cinema brasileiro. Agora, depois de participar de diversos festivais no exterior, onde foi exibido com o título de "The ballad of poor Jean", o filme entra em circuito em 12 cidades brasileiras. Veja quais os cinemas de todo o Brasil clicando AQUI

Meu bonequinho aplaudiu de pé.  



12.4.15




O amor. Claro, o amor. Fogo e chamas por um ano, cinzas por trinta. Ele bem sabia o que era o amor. (O leopardo, de Lampedusa)


O MAGNÍFICO LAMPEDUSA - Em meio a infinita série de escândalos de todos os níveis envolvendo políticos brasileiros, tem aparecido como uma possível solução para a crise sem fim, a realização de uma reforma política. Ai meus sais!, diria o saudoso jornalista Tarso de Castro. O elenco que defende  a tal reforma nem sabe disso, mas tem como guru o escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Aliás, de todos os que defendem a reforma política, um deles sabe muito bem quem é o Lampedusa: Fernando Henrique Cardoso. Ele. Sempre ele! O culpado de tudo! Lampedusa é, praticamente, um guru de FHC, que sempre seguiu fielmente a máxima do personagem principal do livro O Leopardo, a obra prima do escritor: "Tudo deve mudar para que tudo fique como está".

Esse é o objetivo da pretensa reforma política: tudo deve mudar para que tudo fique como está. FHC segue essa máxima desde sempre. Ele é praticamente a encarnação do personagem D. Fabrizio, o protagonista do romance, um aristocrata que prevê sua decadência quando Garibaldi começa a luta pela unificação da Itália. Mas, através de uma manobra astuta o sujeito consegue se manter no topo quando "mudanças" acontecem na política italiana. Tudo graças a seu ardiloso sobrinho Falconeri, que pronuncia a frase que deu fama ao livro e que se tornou uma espécie de epitáfio do pensamento do escritor. 

"A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude".

 
O romance de Lampedusa foi adaptado para o cinema por Luchino Visconti, um dos grandes do cinema italiano. Numa produção realizada com extremo requinte, o diretor reuniu no mesmo elenco Alain Delon e Claudia Cardinale, ambos no auge da beleza e da juventude. Além de Burt Lancaster, Romolo Valli, Pierre Clementi e Giuliano Gemma. O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1963. Vale a pena ler o livro ou ver o filme, para entender com mais clareza o que se passa no Brasil de hoje.   




Madonna vem aí...

 

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