11.1.12






A ARTE DE CAMÕES - Se a música brasileira teve Tom Jobim, no que diz respeito ao seu amor pelo Rio retratado no seu trabalho, a pintura tem um artista chamado Eduardo Camões, ou simplesmente Camões. Assim mesmo. Homônimo do poeta português. Outro dia Gilberto Scofield publicou no Facebook a reprodução de um dos quadros desse artista e informou que era um quadro do Camões. Um de seus amigos curtiu e comentou quem nem sabia que Camões tinha vindo ao Brasil. Certamente achou que o quadro era do poeta português. Na verdade é de um artista carioca contemporâneo, que retrata o Rio como a cidade era no passado, a partir de pesquisa histórica. Um Rio idílico, com sua natureza exuberante. É um artista brilhante!

10.1.12

Pecar não é praticar o mal. O verdadeiro pecado é não fazer o bem.

O PAPA NÃO É POP – Bento 16 afirmou nesta segunda-feira que o casamento gay é uma ameaça à família tradicional, pondo em cheque o próprio futuro da humanidade. Ora bolas. Segundo a ONU, em 31 de outubro de 2011, a população do mundo chegou aos 7 bilhões de habitantes. Será que o planeta vai conseguir suportar tanta gente? O ser humano heterossexual vive se reproduzindo de forma irresponsável, colocando cada dia mais gente no mundo. Partindo desse raciocínio, a gente pode concluir que quem está pondo em cheque o futuro da humanidade é o casamento heterossexual. Elementar, meu caro Watson! São os heterossexuais os responsáveis pela superpopulação do planeta. E a superpopulação é, sim, uma grande ameaça ao futuro da humanidade.


Pessoalmente acho ridículo o conceito de casamento gay. Aliás, acho ridículo o conceito de casamento até para os heterossexuais. Penso que a vida moderna não é compatível com a idéia de casamento. O casamento era algo bacana na época dos nossos avós, quando as pessoas se casavam para toda a vida. E havia espaço no mundo para o exercício de uma "vida a dois". Nos dias de hoje é complicado até para se manter uma vida solitária. Imagina uma vida a dois! Além disso, as pessoas já se casam pensando na data do divórcio.


De qualquer modo, o casamento gay é o tipo de relacionamento mais adequado ao mundo do século 21 porque ele não produz filhos. A sociedade deveria incentivar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, até como uma alternativa de salvação do planeta. É impressionante que, diante do fato do planeta possuir 7 bilhões de habitantes, nenhuma nação esteja fazendo uma campanha de controle da natalidade ou planejamento familiar. E, por outro lado, as religiões cada vez mais incentivam as pessoas a terem filhos. Seja criticando o uso de preservativos, seja criticando o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo..


(Alguém já disse que o ser humano, em relação ao planeta, é como pulgas em relação a um cachorro... Vai ter um momento em que o pobre cão não vai agüentar mais tanta pulga lhe sugando o sangue. O cão, ou vai morrer, ou vai tomar uma providência...)



6.1.12


BALANÇA VERSUS FORÇA & SAÚDE - A oitava rodada, que ia acontecer no sábado 7 de janeiro foi adiada para o próximo sábado, dia 14. Os jogos e campos serão os mesmos. Neste fim de semana vai rolar apenas um jogo oficial por conta do Campeonato Carioca: Balança versus Força & Saúde. Esse jogo é válido pela sétima rodada, quando não houve partida por conta da tempestade que caiu sobre o Rio de Janeiro exatamente na hora do jogo. O vento forte, relâmpagos e trovões, além do dilúvio, impediram a realização do jogo, que será jogado às 17 horas, no campo da rua República do Peru. Certamente será um jogo com lotação esgotada.

O Balança vai entrar em campo com força total. Os jogadores querem a vitória para homenagear seu treinador, Leandro Riquelme, que operou o pé semanas atrás. Nos últimos jogos o treinador tem orientado seu time através do celular. Mas no jogo desse sábado é bem possível que o carismático Riquelme, escolhido o melhor treinador de 2010, já esteja em campo, mesmo com o pé imobilizado. O Força & Saúde tem feito excelentes partidas com seu time organizado e de postura profissional. Seu treinador, Leonardo Teixeira, ficou em segundo lugar na escolha do melhor técnico de 2011, já que foi considerado uma revelação.

Em campo uma penca de talentos do futebol de praia. Por parte do Balança o espetáculo vai contar com a presença de sua maior aposta, o atacante Rafael Bueno, jogador que é ótimo, mesmo quando não está em sua melhor fase. O capitão Gláuco promete não dar trégua ao Força, assim como seus soldados Diniz e Marlon. Já o Força & Saúde vai apostar no seu time de clássicos da areia que conta com os veteranos Alexandre Valois, Caô, Carlinhos, temperados pelo frescor juvenil do talento de Patrick Príncipe. Jogão.

5.1.12


Ciúme é querer manter o que se tem. Cobiça é querer o que não se tem. Inveja é querer que o outro não tenha.


COMO ERA TRISTE A CHINESA DE GODARD – Que fim levou Bret Easton Ellis? Essa questão me veio à cabeça quando estava lendo a segunda ou terceira página do livro de Rodrigo Fonseca Como era triste a chinesa de Godard. É que o romance de Fonseca me lembrou o frescor juvenil de Abaixo de Zero, o desconcertante romance de estreia de Easton Ellis, que marcou minha juventude com sua linguagem modernosa e seus personagens que pareciam meus colegas de faculdade. Não. O livro de Rodrigo Fonseca não tem nada a ver com o livro de Easton Ellis. Mas, talvez a narrativa, cheia de citações e referências à cultura pop da Chinesa de Godard tenham me trazido à lembrança o universo mágico de Abaixo de Zero.



A chinesa de Godard é um libelo existencialista sobre o subúrbio carioca. A Vila da Penha, para ser mais preciso. Fonseca conta a sua história despejando na sensibilidade do leitor uma seqüência infindável de citações, referências, sentimentos, angústias, paixões e emoções. Uma verdadeira metralhadora giratória que reinventa o existencialismo aos pés dos subúrbios da Leopoldina. Com talento o autor se revela um inteligente manipulador de palavras. No livro a escrita, por si só, é mais importante do que a história que está sendo contada. Os sentimentos dos personagens, assim como os rumos da história, são desenhados a partir de um caleidoscópio de rabiscos literários. Como se a narrativa fosse um grande poema épico. Na verdade, mais do que um pequeno romance, A chinesa de Godard é uma epopéia dos tempos modernos, com um sabor carioca, mas temperado com pitadas de Hollywood.



O livro é narrado por um certo Renato Etcétera, alter ego de um personagem misterioso, apaixonado por uma mulher chamada Adriana Lee, que ele chama de “a chinesa de Godard”. Etcétera é um sujeito angustiado, que não consegue se realizar no amor. “Como é triste uma cama de casal ocupada de um lado só”, escreve ele para Júlio e Mônica, os personagens a quem toda a narrativa é enderaçada. Em momento algum ele esclarece quem são Júlio e Mônica, mas é possível deduzir que esses personagens são os alter egos dos leitores do livro. A paixão mal resolvida pela chinesa de Godard enche o personagem de melancolia e o leva a mergulhar num delírio que mistura personagens da literautra brasileira com clássicos do cinema americano e um punhado de trechos de canções que vão de Itamar Assunção a Depeche Mode, passando por Jair Rodrigues, Jaques Brel e Perry Como.



Com seu estilo “nouvelle vague” de ser, Rodrigo Fonseca constroi a sua literatura com a mesma liberadade criativa com que Jean Luc Godard faz o seu cinema. Para o autor, não basta apenas escrever. É preciso fazer o leitor refletir sobre as possibilidades da literatura. É assim que Godard faz com seu cinema, quando questiona a relação do espectador com suas imagens em movimento. Antenado com a cultura do século 21, o escritor Rodrigo quer cutucar, como se faz no Facebook, a sensibilidade do seu leitor. Assim, com sua Chinesa de Godard o autor faz uma bela estréia na literatura brasileira.





Trecho do romance Como era triste a chinesa de Godard:



Era a meta do Bonsucesso Blues se tornar uma réplica do Museu do Homem na riviera leopoldinense. Suprir de hemácias frescas o sangue de poeta nas veias de meninos aspirantes a Picasso. Nas paredes, ele aplicou Frank Miller como cortina. Decorou vitrais com recortes de Matisse de Os gênios da pintura. Tirou Bracque de um livro da sexta série. Do segundo grau vieram reminiscências de Dali. Alguns conselhos de Ferreira Gullar também foram de grande-valia, que só acabou quando seu Edgard virou o porteiro oficial da obra. Era inquieta a pulsão que o movia. Buscapés coroavam-lhe os calcanhares, protegendo-o do frio. Mas o Bonsucesso Blues teve seus dias de Champs-Èlysées contados num ábaco comprado nas Casas Pedro. O que nasceu galeria, findou-se gafieira, co dança de salão aberta ao público e pista de atletismo fechada para balanço. Remo, desarmado e perigoso corria em reprises no Intercine quando os pedidos de suporte público para editais pictóricos foram vencidos, restando caixas de som no lugar de rascunhos de Renoir. Na era da reprodutividade técnica, Benjamin era o nome do vizinho baleiro, que adoçava lábios murchos com a chamada Xereca da Xuxa, m doce de leite em formato vulva, próprio para pré-punheteiros.

O estatuário do Bonsucesso Blues não dava lugar às instalações que Etcétera ambicionava nas noites de Lua Cheia. Por tédio fatal da imortalidade, ele sonhava com modelos de Alex Raymond voando para Mongo em foguetes movidos a gás de cozinha, pois butano é um símbolo da democracia. Mas, coitado, ficou só com balões rosados comprados na Magal e alguns extintores de última moda de CO2. Foi por sina que o último presente que a Chinesa lhe deu foi um chaveirinho de Klimt, acompanhado de um drops de balas kids sabor café.





VEJA ESTA CANÇÃO - Mais uma linda canção de Caetano Veloso fazendo a trilha sonora desse blog. Dessa vez é a canção Cavaleiro de Jorge, que tem por inspiração o mais guerreiro de todos os santos, meu querido São Jorge. É para esse santo que eu peço proteção nesse verão chuvoso. Proteção para o Rio de Janeiro. Proteção para o Brasil. Proteção para o mundo. Juízo para os que mandam e desmandam. É para o meu querido São Jorge que peço proteção da maldade do mundo. Valei-me, São Jorge!!!

Madonna vem aí...

 

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