20.7.03

HILDEGARD ANGEL – Não se fala noutra coisa no Rio de Janeiro. É a discussão do momento na cidade. Em todas as rodinhas de bate-papo. Nas festas e recepções. Nos salões do high-society e na arquibancada do Maracanã. Nas praias e nas favelas. Nos mais diversos círculos intelectuais. Nas saunas quentes desses dias de inverno. Nos botequins e no Country Club, o assunto é um só: a saída da colunista Hildegard Angel do Segundo Caderno do jornal O Globo.


A cidade não entende porque o jornal desistiu de uma coluna que parecia tão antenada com o atual momento brasileiro. Teria acontecido alguma coisa que o leitor não percebeu? A incredulidade do carioca se tornou ainda maior depois que o próprio jornal criou a maior expectativa em torno da coluna que iria substituir a coluna da Hilde. Finalmente, quando foi publicada a coluna Gente Boa, os leitores do jornal se sentiram lesados. Gente Boa e apenas uma versão recauchutada da antiga coluna Pessoas que o Globo já publicava. Com a mudança, o leitor saiu perdendo. E o jornal também.


Em entrevista a revista CARAS que está nas bancas a jornalista Hildegard Angel consola seus leitores. “Puxaram o meu tapete no Globo. Mas eu ainda tenho muitos tapetes a serem puxados. Todos persas.” A desculpa que a direção do jornal usou para dispensar os serviços da jornalista foi que o jornal não queria mais ter Coluna Social. Queria uma coluna mais parecida com a nova cara do jornal. Mas a coluna da Hilde, sempre foi muito mais do que uma Coluna Social, abrangendo com inteligência os mais diversos setores da sociedade.


O que teria acontecido realmente? Essa é a grande pergunta dos salões cariocas. Os assessores de imprensa estão atordoados, já que a coluna, a despeito de ser uma das três mais importantes do jornal, sempre foi a mais acessível a esse tipo de profissional. Os clubers ficaram bege, pois adoravam as notícias sobre as Raves. Os gays estão indignados, pois consideravam a coluna um verdadeiro palanque para suas reivindicações. Os lutadores de jiu-jitsu estão inconsoláveis já que a coluna era o único lugar do Globo que noticiava as conquistas e vitórias do mundo das artes marciais. Aliás, o fato de gays e lutadores se sentirem representados pela mesma coluna é uma prova cabal da amplidão e do espírito democrático da coluna da Hilde.


EM SOCIEDADE TUDO SE SABE - As madames do High Society estão passadas. Não entendem o porquê do Globo não querer mais coluna social. “Será que eles acham que o society brasileiro acabou?”, pergunta uma socialite carioca, em tom de desafio, exibindo seus diamantes na mesa do Gero. “Quem aqueles tijucanos pensam que são?”, vociferava uma madame, enquanto tomava um chá depois de assistir a exposição sobre Carmen Mayrink Veiga, na Casa Julieta Serpa. Em desagravo ao jornal O Globo o high society carioca prepara um jantar, chiquérrimo é claro, para homenagear a colunista Hildegard Angel, pelo seu trabalho como porta-voz de uma classe social que não está acostumada a ouvir a palavra “não”.


Hildegard Angel sempre foi uma grande cronista do “grand monde” nacional. Observadora perspicaz, ela sabe descrever as festas com muita precisão, fazendo o leitor escutar o farfalhar dos cetins e o tilintar das taças de champanhe. Como todo bom colunista sempre soube eleger os personagens adequados para ilustrar os conflitos, dores e alegrias da classe dominante, para deleite e gáudio dos cidadãos comuns, leitores do jornal. Foi ela quem classificou os emergentes como uma classe social e nunca deixou de prestigiar os chamados “produtivos”, aqueles que venceram com o seu próprio trabalho.

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