11.3.11


O amor não realiza suas fantasias. Quem realiza suas fantasias é uma costureira de escola de samba.



DIAS DE FOLIA - Os dias de folia não foram, para mim, apenas blocos e sambas e bebidas e sexo. A leitura também fez parte desses dias de alegria. Procurei equilibrar esse tempo entre a farra e o descanso. E o melhor companheiro para relaxar a mente (e o corpo) é um bom livro. Pois bem. Aproveitei esses dias para ler Equador, do escritor português Miguel Sousa Tavares. Um livro apaixonante. Quando acabei de ler, imediatamente senti uma grande saudade do livro e seus personagens. Uma sensação de nostalgia. Um desejo de que aquela história durasse para sempre. O protagonista é um personagem que se envolve numa trama imprevisível e excitante.

Em primeiro lugar, a melhor coisa do livro, é que é escrito no português de Portugal. A gente percebe o sotaque brotar das palavras escritas e essa é uma sensação peculiar para quem gosta de ler. Além disso, o autor do livro é um ótimo escritor. Sabe contar uma história. Tem técnica e perspicácia. Nem parece que Equador é o seu primeiro romance, que foi lançado em 2003 em Portugal. Miguel Souza Tavares tem o dom de escrever no DNA. Ele é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das mais importantes poetisas portuguesas do século 20. Foi Antônio Cícero quem, pela primeira vez, me falou dos lindos poemas da Sophia.

Equador é um romance histórico narrado com muita poesia. A poesia do sotaque português e também a poesia da narrativa, da magia da história. O livro foi um grande companheiro nesses dias de folia. Pena que o final da história tenha sido tão triste. Triste como uma Quarta-feira de cinzas para quem teve um Carnaval inesquecível.

Resumo da ópera: Quando, em Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado pelo rei de Portugal D. Carlos I a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservaria. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na alta sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de São Tomé. Não esperava que o cargo de Governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças da colônia o lançassem numa rede de conflitos de interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor por uma mulher casada lhe viesse a mudar os rumos da sua vida.

Um poema de Sophia:

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Um comentário:

tertu disse...

belíssimo poema!!!abs.tertu

Madonna vem aí...

 

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