Tuas paixões partem como uma revoada de flechas, em todas as direções, e acabam por se perderem. Retém-nas, junta-as numa mesma força, num mesmo espírito, numa mesma vontade, se queres que elas tenham poder.
8.12.05
FESTA NA FLORESTA – O embate entre os lutadores Michael Matrela e Evangelista Cyborg talvez tenha sido o mais completo do Jungle Fight. A luta foi equilibrada e rendeu bons momentos para a platéia, já que ambos os atletas foram guerreiros e deram o melhor de si. Cyborg foi o responsável por um dos momentos mais divertidos do torneio. Quando o apresentador anunciou o seu nome ele simplesmente não entrou no ringue. O apresentador repetiu a chamada e nada do sujeito aparecer. Seu nome foi chamado mais uma vez e nada dele entrar em cena, provocando um inesperado suspense. Depois alguém da produção sussurrou alguma coisa no ouvido do apresentador e ele então explicou o que estava acontecendo. A música que estava tocando para a entrada do atleta não era a que ele tinha escolhido. Quando o apresentador explicou isso, o público imediatamente começou a cantar Ilariê, Ilariê, a música da Xuxa. Foi muito engraçado. Então o DJ tocou a música certa e Cyborg entrou triunfal, vencendo a luta. Depois do torneio Cyborg explicou que é supersticioso e que seu tema musical lhe dava sorte.
Já Edson Draggo venceu a luta com Hélio Dipp, mas saiu vaiado. O gaúcho se entusiasmou e continuou batendo no seu adversário mesmo depois dele ter desmaiado. Draggo só parou de bater quando o juiz o imobilizou. Sua atitude provocou constrangimento entre os lutadores e resultou em vaias da platéia. Depois da luta, quando todos comemoravam no bar do Hotel Tropical Draggo ficou destacado, visivelmente envergonhado. Marcelo Alonso, o todo-poderoso editor da revista Tatame, a bíblia das artes marciais, foi falar com ele, perguntar o que tinha acontecido. Draggo tentou justificar seu descontrole emocional afirmando que Dipp tinha falado mal dele antes da luta. Segundo Draggo, Dipp teria comentado que ele tinha fugido da luta com o Assuério Silva, seu adversário numa luta anterior, que não tinha acontecido por que Draggo havia desistido.
“Eu agora quero pegar o Assuério”, disse Draggo para Marcelo Alonso. Depois, com seu sotaque gaúcho, repetiu várias vezes com convicção: “Eu quero o Assuério! Eu quero o Assuério!” E era tão intensa a sua afirmação que havia algo de sexual naquele desejo de enfrentar o próximo adversário. Logo depois surgiu Carlson Gracie, no lobby do hotel. Ao ver Edson Draggo Carlson se aproximou e foi bem duro com ele. “Se essa luta tivesse sido nos Estados Unidos você teria saído do ringue algemado. Você é um grande lutador, mas não se bate num adversário depois que ele foi nocauteado. Você precisa ter mais equilíbrio emocional. Você estragou a festa com sua atitude.” Com lágrimas nos olhos, Draggo baixou a cabeça.
Carlson Gracie é uma figura. Sua presença no Jungle Fight causou grande excitação entre os lutadores. Afinal, o veterano lutador tem um passado de glória nos ringues. E quando encerrou a carreira de atleta deu inicio a uma bem sucedida carreira de treinador e descobridor de talentos. Ele é um mito para os lutadores que o respeitam e o tratam com a mesma reverência com que os fiéis de uma seita tratam seu mais respeitado guru. A sua academia em Copacabana é um celeiro de reis do ringue, mas, atualmente, Carlson vive em Chicago, administrando a filial de sua academia na América.
Carlson Gracie foi homenageado pelos organizadores do torneio. Recebeu das mãos do senador Artur Virgilio Neto, aquele que chamou o Lula para a porrada, um troféu igual aos concedidos aos lutadores. Foi muito aplaudido pelo público. No dia seguinte, durante o café da manhã, o veterano lutador não conseguia esconder o orgulho pela acolhida carinhosa que teve dos lutadores e do público. Entre uma xícara de café com leite, um suco de cupuaçu e um prato de mingau de aveia, Carlson contou que está levando cinco lutadores de Manaus para treinar em sua academia em Chicago. “O Amazonas é um celeiro de grandes lutadores”, disse.
Marcio Cunha é um desses lutadores. Com vinte anos ele está disposto a largar tudo em Manaus e ir para os Estados Unidos treinar com o mestre Carlson Gracie. Marcio é alto, forte e bonito. Parece um índio com cara de galã. Seus pais moram em Caracas e são donos de uma joalheria. Ele mora em Manaus onde cuida da fazenda da família. Seus pais não aprovam de maneira alguma sua dedicação as artes marciais. E isso já provocou sérias crises familiares. Com os olhos brilhando Marcio assistiu as lutas do Jungle Fight e, com a certeza dos vencedores, garantiu que ainda vai vencer muitos torneios como aquele.
Marcelo Alonso é um dos mais importantes personagens do mundo das artes marciais no Brasil. Ele é fotógrafo e editor da revista Tatame que, com mais de dez anos de existência, registrou em textos e fotos a evolução do jiu-jitsu e do Vale Tudo no país. Alonso é um verdadeiro arquivo vivo sobre o mundo das artes marciais. Sua presença nos torneios é sempre motivo de polêmica entre os lutadores. A todo o momento alguém se aproxima do jornalista para comentar alguma matéria da revista, ou reclamar porque uma declaração não foi publicada, ou fazer alguma provocação a um adversário. Alonso atende a todos com muita diplomacia e se diverte com os bastidores do torneio.
Wallid Ismail é uma revelação como empresário e realizador de eventos. Durante muitos anos ele foi um lutador que sempre trazia a polêmica para os torneios que participava. Depois que descobriu sua vocação para empresário se comporta como um diplomata. “Quando eu era lutador eu tocava o terror. Agora como empresário é diferente. Hoje eu sei ter jogo de cintura e aprendi a engolir sapos”, dizia ele após a quinta edição do Jungle Fight que foi transmitido ao vivo para o Japão e EUA. Enquanto organiza a sexta edição do Jungle Fight, em abril de 2006, Wallid negocia a realização de um torneio semelhante num cassino em Las Vegas, com o apoio dos atores americanos James Caan e Ray Liota. Em seu escritório, no Hotel Tropical, Wallid exibe fotos suas ao lado dos astros do cinema. Numa das fotos James Caan, que atuou em filmes como O poderoso chefão, aparece vestindo uma camiseta do Jungle Fight.
CONTATOS IMEDIATOS – Um lugar místico e acolhedor. Assim é Presidente Figueiredo, uma minúscula cidade perto de Manaus. De caminhonete demoramos uma hora e meia por uma estrada quase deserta que avançava por entre a exuberância da floresta amazônica. Uma energia diferente brotava daquelas matas com suas várias tonalidades da cor verde.
Presidente Figueiredo é um lugar famoso na região por causa do aparecimento de seres extra-terrestres. A presença de aliens no pedaço é algo que faz parte da cultura do lugar que já registrou vários episódios com pessoas que tiveram contatos com disco voadores ou seres de outros planetas. Aliás, o misticismo é algo muito forte na Amazônia. Além das lendas da própria floresta existem as lendas sobre aventuras interplanetárias.
Ellen Honorato, filha do dono do Hotel Ariaú, um resort ecológico cravado sobre palafitas em plena floresta me contou que já viu fenômenos inexplicáveis na região. Ela conta que, por duas vezes, assistiu as águas do rio serem sugadas para o céu. Sem mais nem menos as águas do rio amazonas adquiriram o formato de um tubo e subiram aos céus. Quando isso aconteceu o volume das águas diminuíram. Esse fenômeno já foi observado por várias pessoas que não conseguem explicar o que acontece. Será que extra-terrestres estão sugando as águas do Amazonas? Será que é um fenômeno natural da região, incompreensível para os homens? Ellen me garantiu que fotografou o fenômeno e me convidou para fazer uma visita ao Hotel Ariaú para que eu possa ver as fotos.
Em Presidente Figueiredo eu fiquei todo o tempo à procura de ET´s e disco voadores, mas talvez eu não esteja devidamente preparado para encontra-los, pois eles não apareceram. Em compensação pude vislumbrar a beleza do lugar que possui dezenas de cachoeiras e um lugar mágico chamado Santuário, uma clareira dentro da floresta onde o rio forma várias cachoeiras. Foi uma experiência muito renovadora ficar uma tarde inteira tomando banho de rio, sentido o jorrar de uma cachoeira sobre o corpo. E depois vislumbrar um lindo sol se pôr no meio da floresta.
Já Edson Draggo venceu a luta com Hélio Dipp, mas saiu vaiado. O gaúcho se entusiasmou e continuou batendo no seu adversário mesmo depois dele ter desmaiado. Draggo só parou de bater quando o juiz o imobilizou. Sua atitude provocou constrangimento entre os lutadores e resultou em vaias da platéia. Depois da luta, quando todos comemoravam no bar do Hotel Tropical Draggo ficou destacado, visivelmente envergonhado. Marcelo Alonso, o todo-poderoso editor da revista Tatame, a bíblia das artes marciais, foi falar com ele, perguntar o que tinha acontecido. Draggo tentou justificar seu descontrole emocional afirmando que Dipp tinha falado mal dele antes da luta. Segundo Draggo, Dipp teria comentado que ele tinha fugido da luta com o Assuério Silva, seu adversário numa luta anterior, que não tinha acontecido por que Draggo havia desistido.
“Eu agora quero pegar o Assuério”, disse Draggo para Marcelo Alonso. Depois, com seu sotaque gaúcho, repetiu várias vezes com convicção: “Eu quero o Assuério! Eu quero o Assuério!” E era tão intensa a sua afirmação que havia algo de sexual naquele desejo de enfrentar o próximo adversário. Logo depois surgiu Carlson Gracie, no lobby do hotel. Ao ver Edson Draggo Carlson se aproximou e foi bem duro com ele. “Se essa luta tivesse sido nos Estados Unidos você teria saído do ringue algemado. Você é um grande lutador, mas não se bate num adversário depois que ele foi nocauteado. Você precisa ter mais equilíbrio emocional. Você estragou a festa com sua atitude.” Com lágrimas nos olhos, Draggo baixou a cabeça.
Carlson Gracie é uma figura. Sua presença no Jungle Fight causou grande excitação entre os lutadores. Afinal, o veterano lutador tem um passado de glória nos ringues. E quando encerrou a carreira de atleta deu inicio a uma bem sucedida carreira de treinador e descobridor de talentos. Ele é um mito para os lutadores que o respeitam e o tratam com a mesma reverência com que os fiéis de uma seita tratam seu mais respeitado guru. A sua academia em Copacabana é um celeiro de reis do ringue, mas, atualmente, Carlson vive em Chicago, administrando a filial de sua academia na América.
Carlson Gracie foi homenageado pelos organizadores do torneio. Recebeu das mãos do senador Artur Virgilio Neto, aquele que chamou o Lula para a porrada, um troféu igual aos concedidos aos lutadores. Foi muito aplaudido pelo público. No dia seguinte, durante o café da manhã, o veterano lutador não conseguia esconder o orgulho pela acolhida carinhosa que teve dos lutadores e do público. Entre uma xícara de café com leite, um suco de cupuaçu e um prato de mingau de aveia, Carlson contou que está levando cinco lutadores de Manaus para treinar em sua academia em Chicago. “O Amazonas é um celeiro de grandes lutadores”, disse.
Marcio Cunha é um desses lutadores. Com vinte anos ele está disposto a largar tudo em Manaus e ir para os Estados Unidos treinar com o mestre Carlson Gracie. Marcio é alto, forte e bonito. Parece um índio com cara de galã. Seus pais moram em Caracas e são donos de uma joalheria. Ele mora em Manaus onde cuida da fazenda da família. Seus pais não aprovam de maneira alguma sua dedicação as artes marciais. E isso já provocou sérias crises familiares. Com os olhos brilhando Marcio assistiu as lutas do Jungle Fight e, com a certeza dos vencedores, garantiu que ainda vai vencer muitos torneios como aquele.
Marcelo Alonso é um dos mais importantes personagens do mundo das artes marciais no Brasil. Ele é fotógrafo e editor da revista Tatame que, com mais de dez anos de existência, registrou em textos e fotos a evolução do jiu-jitsu e do Vale Tudo no país. Alonso é um verdadeiro arquivo vivo sobre o mundo das artes marciais. Sua presença nos torneios é sempre motivo de polêmica entre os lutadores. A todo o momento alguém se aproxima do jornalista para comentar alguma matéria da revista, ou reclamar porque uma declaração não foi publicada, ou fazer alguma provocação a um adversário. Alonso atende a todos com muita diplomacia e se diverte com os bastidores do torneio.
Wallid Ismail é uma revelação como empresário e realizador de eventos. Durante muitos anos ele foi um lutador que sempre trazia a polêmica para os torneios que participava. Depois que descobriu sua vocação para empresário se comporta como um diplomata. “Quando eu era lutador eu tocava o terror. Agora como empresário é diferente. Hoje eu sei ter jogo de cintura e aprendi a engolir sapos”, dizia ele após a quinta edição do Jungle Fight que foi transmitido ao vivo para o Japão e EUA. Enquanto organiza a sexta edição do Jungle Fight, em abril de 2006, Wallid negocia a realização de um torneio semelhante num cassino em Las Vegas, com o apoio dos atores americanos James Caan e Ray Liota. Em seu escritório, no Hotel Tropical, Wallid exibe fotos suas ao lado dos astros do cinema. Numa das fotos James Caan, que atuou em filmes como O poderoso chefão, aparece vestindo uma camiseta do Jungle Fight.
CONTATOS IMEDIATOS – Um lugar místico e acolhedor. Assim é Presidente Figueiredo, uma minúscula cidade perto de Manaus. De caminhonete demoramos uma hora e meia por uma estrada quase deserta que avançava por entre a exuberância da floresta amazônica. Uma energia diferente brotava daquelas matas com suas várias tonalidades da cor verde.
Presidente Figueiredo é um lugar famoso na região por causa do aparecimento de seres extra-terrestres. A presença de aliens no pedaço é algo que faz parte da cultura do lugar que já registrou vários episódios com pessoas que tiveram contatos com disco voadores ou seres de outros planetas. Aliás, o misticismo é algo muito forte na Amazônia. Além das lendas da própria floresta existem as lendas sobre aventuras interplanetárias.
Ellen Honorato, filha do dono do Hotel Ariaú, um resort ecológico cravado sobre palafitas em plena floresta me contou que já viu fenômenos inexplicáveis na região. Ela conta que, por duas vezes, assistiu as águas do rio serem sugadas para o céu. Sem mais nem menos as águas do rio amazonas adquiriram o formato de um tubo e subiram aos céus. Quando isso aconteceu o volume das águas diminuíram. Esse fenômeno já foi observado por várias pessoas que não conseguem explicar o que acontece. Será que extra-terrestres estão sugando as águas do Amazonas? Será que é um fenômeno natural da região, incompreensível para os homens? Ellen me garantiu que fotografou o fenômeno e me convidou para fazer uma visita ao Hotel Ariaú para que eu possa ver as fotos.
Em Presidente Figueiredo eu fiquei todo o tempo à procura de ET´s e disco voadores, mas talvez eu não esteja devidamente preparado para encontra-los, pois eles não apareceram. Em compensação pude vislumbrar a beleza do lugar que possui dezenas de cachoeiras e um lugar mágico chamado Santuário, uma clareira dentro da floresta onde o rio forma várias cachoeiras. Foi uma experiência muito renovadora ficar uma tarde inteira tomando banho de rio, sentido o jorrar de uma cachoeira sobre o corpo. E depois vislumbrar um lindo sol se pôr no meio da floresta.
5.12.05
FESTA NA FLORESTA –Durante o Jungle Fight os longos corredores do Hotel Tropical foram testemunhas da manifestação explosiva de muitos sentimentos. Alegrias e tristezas. Orgulho e vergonha. Ternura e fúria. Além de demonstrações explícitas de afeto, amizade, ódio, inveja, companheirismo, fidelidade, orgulho, carinho, paixão e amor. Foi atravessando os longos corredores do Hotel Tropical, em Manaus, durante o Jungle Fight, que aficionados das artes marciais puderam conviver com todos esses sentimentos como personagens atarantados dentro de um filme do Robert Altman.
O torneio em si durou cerca de três horas, no Centro de Convenções do Tropical. Mas esse tipo de evento envolve também o antes, que é a chegada dos atletas, suas equipes e seus treinadores, a pesagem, que é o momento mais sublime, e o depois, que é o dia seguinte, quando já foi definido quem ganhou e quem perdeu e acontece aquela confraternização com os rapazes de braços enfaixados, olhos inchados e corpo coberto de hematomas.
A cada nova competição os torneios de artes marciais no Brasil vêm adquirindo, cada vez mais, um nível profissional que não fica nada a dever aos grandes torneios internacionais. Organizados e bem produzidos, já assimilaram a noção de espetáculo adequada a esse tipo de evento. No caso do Jungle Fight a inclusão de elementos ligados a floresta, com seus mitos, lendas e cenários fizeram a diferença no torneio que teve transmissão internacional ao vivo. Com os recursos do mundo dos espetáculos agregados ao esporte, o Jungle Fight ficou parecendo uma grande ópera realizada em plena floresta amazônica. Algo entre Hollywood e o desfile das escolas de samba.
Os lutadores cientes da sua posição de vedetes do espetáculo faziam a sua parte. As entradas em cena buscavam sempre uma forma original de levantar o público, cada um com sua música apropriada. Havia desde o funk carioca, o rock da Califórnia e o hino da Croácia até a trilha do filme Cristóvão Colombo, feita pelo músico Vangelis. O lutador carioca Alexandre Cacareco surgiu da boca do cacique cenográfico ao som de um autêntico hip hop. Com sua equipe ele atravessou a passarela dançando o ritmo da moda e assim, ganhando a simpatia do público. Parecia que sabia que ia vencer o embate com o adversário Júlio Jamanta.
Júlio Jamanta X Alexandre Cacareco foi uma luta que deu o que falar no torneio. Jamanta e Cacareco pertencem a academias rivais, a Brazilian Top Team e a Chute Box, e isso criou uma expectativa em torno da disputa. Parecia ser uma luta equilibrada mas, com menos de um minuto, Cacareco detonou Jamanta e comemorou imitando o gesto de vitória do seu adversário. A equipe do atleta nocauteado não gostou nada da brincadeira. Corta para o dia seguinte, no café da manhã do Hotel Tropical.
Um elegante salão no primeiro andar, cujas janelas envidraçadas exibem lá fora as árvores frondosas do bosque particular do Hotel. Assim é o lugar onde é servido o café da manhã do Tropical. Com sucos de Cupuaçu e Taperebá, tapiocas, ovos mexidos e uma infinidade de frutas e pãezinhos e bolinhos e guloseimas diversas. Naquela manhã inocentes rapazes tatuados, másculos e viris exibiam com orgulho seus hematomas, seus supercílios inchados, seus ombros ou braços enfaixados. Em torno deles outros atletas, tão másculos quanto viris, discutiam os melhores momentos do bem sucedido torneio da noite anterior. Tudo isso misturado a turistas de vários lugares do mundo que testemunhavam impávidos aquele congresso de fraterna virilidade.
Como num filme de cowboy, tudo mudou quando Alexandre Cacareco adentrou o saloon do café matinal. Sentados numa mesa, os integrantes da equipe de Julio Jamanta eram um pote até aqui de mágoa com o adversário do seu atleta, que ostentava um olho tão inchado que não conseguia nem abrir. Quando Cacareco atravessou o salão, uma voz rancorosa explodiu um “filho-da-puta” num tom de voz tão passional que mudou o clima do breakfast na selva. De imediato um silêncio teatral deu um tom de perplexidade ao ambiente.
Cacareco respondeu alguma coisa e um dos lutadores se levantou da mesa dizendo com firmeza: “Nós vamos resolver isso agora!”, e partiu em direção ao outro já se despindo do casaco enquanto aquele se livrava do relógio respondendo com voz decidida: “Pode vir qualquer um de vocês. Se quiser pode vir até os cinco”. O clima ficou tenso. Da mesa ao lado um grupo de turistas se levantou apressado e saíu de fininho do salão. Foi tudo muito rápido e, quando eles já estavam quase se atracando, a turma do deixa disso conseguiu acalmar os ânimos.
Quando tudo já havia voltado ao normal eu me virei para o Maitre, que ainda parecia boquiaberto com a cena que acabara de assistir. Os gestos largos. As poses viris. As vozes alteradas. Eu me desculpei pelos lutadores. “Eles só estão um pouco nervosos, mas são caras legais”, disse eu, justificando. O Maitre: “Eu quero mais é que eles briguem e quebrem tudo. Depois a gente bota no lugar”. Em mesas bem separadas, Cacareco, Jamanta e suas equipes saboreavam a refeição matinal.
O torneio em si durou cerca de três horas, no Centro de Convenções do Tropical. Mas esse tipo de evento envolve também o antes, que é a chegada dos atletas, suas equipes e seus treinadores, a pesagem, que é o momento mais sublime, e o depois, que é o dia seguinte, quando já foi definido quem ganhou e quem perdeu e acontece aquela confraternização com os rapazes de braços enfaixados, olhos inchados e corpo coberto de hematomas.
A cada nova competição os torneios de artes marciais no Brasil vêm adquirindo, cada vez mais, um nível profissional que não fica nada a dever aos grandes torneios internacionais. Organizados e bem produzidos, já assimilaram a noção de espetáculo adequada a esse tipo de evento. No caso do Jungle Fight a inclusão de elementos ligados a floresta, com seus mitos, lendas e cenários fizeram a diferença no torneio que teve transmissão internacional ao vivo. Com os recursos do mundo dos espetáculos agregados ao esporte, o Jungle Fight ficou parecendo uma grande ópera realizada em plena floresta amazônica. Algo entre Hollywood e o desfile das escolas de samba.
Os lutadores cientes da sua posição de vedetes do espetáculo faziam a sua parte. As entradas em cena buscavam sempre uma forma original de levantar o público, cada um com sua música apropriada. Havia desde o funk carioca, o rock da Califórnia e o hino da Croácia até a trilha do filme Cristóvão Colombo, feita pelo músico Vangelis. O lutador carioca Alexandre Cacareco surgiu da boca do cacique cenográfico ao som de um autêntico hip hop. Com sua equipe ele atravessou a passarela dançando o ritmo da moda e assim, ganhando a simpatia do público. Parecia que sabia que ia vencer o embate com o adversário Júlio Jamanta.
Júlio Jamanta X Alexandre Cacareco foi uma luta que deu o que falar no torneio. Jamanta e Cacareco pertencem a academias rivais, a Brazilian Top Team e a Chute Box, e isso criou uma expectativa em torno da disputa. Parecia ser uma luta equilibrada mas, com menos de um minuto, Cacareco detonou Jamanta e comemorou imitando o gesto de vitória do seu adversário. A equipe do atleta nocauteado não gostou nada da brincadeira. Corta para o dia seguinte, no café da manhã do Hotel Tropical.
Um elegante salão no primeiro andar, cujas janelas envidraçadas exibem lá fora as árvores frondosas do bosque particular do Hotel. Assim é o lugar onde é servido o café da manhã do Tropical. Com sucos de Cupuaçu e Taperebá, tapiocas, ovos mexidos e uma infinidade de frutas e pãezinhos e bolinhos e guloseimas diversas. Naquela manhã inocentes rapazes tatuados, másculos e viris exibiam com orgulho seus hematomas, seus supercílios inchados, seus ombros ou braços enfaixados. Em torno deles outros atletas, tão másculos quanto viris, discutiam os melhores momentos do bem sucedido torneio da noite anterior. Tudo isso misturado a turistas de vários lugares do mundo que testemunhavam impávidos aquele congresso de fraterna virilidade.
Como num filme de cowboy, tudo mudou quando Alexandre Cacareco adentrou o saloon do café matinal. Sentados numa mesa, os integrantes da equipe de Julio Jamanta eram um pote até aqui de mágoa com o adversário do seu atleta, que ostentava um olho tão inchado que não conseguia nem abrir. Quando Cacareco atravessou o salão, uma voz rancorosa explodiu um “filho-da-puta” num tom de voz tão passional que mudou o clima do breakfast na selva. De imediato um silêncio teatral deu um tom de perplexidade ao ambiente.
Cacareco respondeu alguma coisa e um dos lutadores se levantou da mesa dizendo com firmeza: “Nós vamos resolver isso agora!”, e partiu em direção ao outro já se despindo do casaco enquanto aquele se livrava do relógio respondendo com voz decidida: “Pode vir qualquer um de vocês. Se quiser pode vir até os cinco”. O clima ficou tenso. Da mesa ao lado um grupo de turistas se levantou apressado e saíu de fininho do salão. Foi tudo muito rápido e, quando eles já estavam quase se atracando, a turma do deixa disso conseguiu acalmar os ânimos.
Quando tudo já havia voltado ao normal eu me virei para o Maitre, que ainda parecia boquiaberto com a cena que acabara de assistir. Os gestos largos. As poses viris. As vozes alteradas. Eu me desculpei pelos lutadores. “Eles só estão um pouco nervosos, mas são caras legais”, disse eu, justificando. O Maitre: “Eu quero mais é que eles briguem e quebrem tudo. Depois a gente bota no lugar”. Em mesas bem separadas, Cacareco, Jamanta e suas equipes saboreavam a refeição matinal.
1.12.05
O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - O universo marginal da Baixada Fluminense chega à literatura pelas mãos de um dos maiores autores de telenovelas do país, Aguinaldo Silva. O escritor visitou o cenário recentemente em sua última criação, ‘Senhora do Destino’, e é justamente da trama que bateu todos os recordes de audiência da Globo que surge o protagonista do livro. O bicheiro Giovanni Improtta é o principal personagem de Prendam Giovanni Improtta, nova versão do romance policial O Homem que Comprou o Rio, lançado originalmente em 1986 e agora revisado e parcialmente reescrito.
Ao contrário do que possa aparecer à primeira vista, não foi o personagem que saltou da tevê para o livro mas justamente o inverso. O romance flagra a trajetória de Giovanni Improtta em uma fase anterior à da novela, quando era “mau feito um pica-pau”, segundo palavras do próprio autor. Em Senhora do Destino o bicheiro já estava em busca da redenção, sendo mais famoso por seus bordões como “felomenal” e “o tempo urge e a Sapucaí é grande” do que propriamente por suas atividades ilegais. No romance, Giovanni Improtta ainda é um poderoso bicheiro com trânsito livre entre políticos e empresários do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense e tem sua história contada a partir de um duplo homicídio.
Personagens com nomes falsos, mas perfeitamente reconhecíveis, e outros com sua identidade verdadeira – entre eles o Presidente Getúlio Vargas – povoam, ao longo dos mais de trinta anos da história brasileira presentes no livro, o universo em que Giovanni, à custa de muita corrupção e violência, acaba por se tornar um rei. Aguinaldo Silva, que se encontrava afastado da literatura desde os anos 90, quando passou a se dedicar exclusivamente às novelas da TV Globo, usa de sua larga experiência como repórter policial para mergulhar nas relações viciosas entre contraventores e políticos, traçando um painel do peculiar universo da Baixada Fluminense.
Aguinaldo estreou na literatura aos 16 anos e tem 13 livros publicados. O lançamento desta nova edição de Prendam Giovanni Improtta (Geração Editorial, 176 páginas, R$ 29,00) é a primeira de uma série de seis livros do autor que serão publicados pela mesma editora, dentre eles o inédito ‘98 Tiros de Audiência’, sobre o mundo das telenovelas e da televisão, que Aguinaldo está concluindo para lançar na Bienal do Livro de São Paulo, em março de 2006.
Na entrevista abaixo, Silva anuncia também que, tão longo termine seu contrato com a TV Globo, em 2010, não vai mais escrever telenovelas. Ele pretende dedicar-se exclusivamente à literatura.
Você andou afastado da literatura (seu último livro, Lábios que Beijei, foi publicado em meados da década de 90). Por quê?
– Por um acidente de percurso. Publiquei meu primeiro romance (Redenção para Job, 1961) aos 16 anos, e por causa dele tornei-me jornalista. Até 1978 eu me dividi entre este e a literatura, mas foi aí que a televisão surgiu em minha vida, e eu escrevi seriados primeiro, depois minisséries e finalmente novelas (‘Roque Santeiro’, ‘Tieta’, ‘Vale Tudo’, ‘Pedra sobre Pedra’, ‘A Indomada’, ‘Porto dos Milagres’ e ‘Senhora do Destino’, entre outras). Estas ocuparam nos últimos anos todo o meu tempo, pelo que a literatura foi deixada de lado. Mas dela restou a nostalgia, que me traz de volta agora. ‘Prendam Giovanni Improtta’ é apenas o primeiro de uma série de livros de minha autoria que a Geração Editorial vai lançar, inclusive um inédito, ‘98 tiros de audiência’, que se passa nos bastidores de uma novela das oito e será lançado no começo do próximo ano.
Este universo da televisão é que vai ser o seu novo território literário?
– Sim e não. Nestes meus 27 anos de televisão, e sempre no mesmo Canal (a Rede Globo), escrevendo quase sempre novelas das oito, não há dúvida de que vivi e tomei conhecimento de muitas histórias, todas devidamente arquivadas no meu inconsciente (e também em cadernos de notas que venho organizando). E elas são suficientes para que eu possa me auto-proclamar um arquivo vivo. Essa experiência toda no universo televisivo pode me render outros livros - além de ‘98 tiros de audiência’ - ou não. De qualquer modo, nesse momento estou empenhado em prosseguir com o mapeamento da violência no Rio de Janeiro e na Baixada: é sobre isso que me interessa escrever agora.
Isso significa que a literatura policial vai continuar prevalecendo em sua literatura?
– É mais ou menos por aí. Antes de me tornar novelista de tevê fui editor e repórter de polícia. Tenho uma longa experiência no assunto e também um alentado arquivo a respeito. Claro que a violência dos tempos em que eu era jornalista – até o final dos anos 70 – não tem nada a ver com o que acontece agora. Mas eu sou um grande leitor de jornais e um atento observador do cotidiano em que vivo, e posso dizer que continuo atualizado quanto ao tema. ‘98 tiros de audiência’, por exemplo, embora se passe nos bastidores da televisão, é a história de um crime – a morte da protagonista de uma novela das oito da qual são suspeitos todos os envolvidos com ela.
E quanto a Giovanni Improtta, personagem que, vivido pelo ator José Wilker, tornou-se um ícone nacional graças à novela: é sua intenção retomá-lo em outro trabalho?
– Não, pelo menos por enquanto. Quando ‘Senhora do Destino’ terminou, surgiu a idéia de fazer um seriado na televisão com episódios semanais, chamado ‘Os Improtta’, que teria Giovanni como protagonista e utilizaria o seu universo e os personagens do seu núcleo na novela. Mas a idéia, por absoluto cansaço meu, não vingou. Agora, com o lançamento do livro, estou aberto a propostas para que ele venha a se tornar uma minissérie. Neste sentido já houve até uma sondagem, mas não do canal de televisão que produziu a novela.
É sua intenção, portanto, dividir-se entre a televisão e a literatura?
- Pelo menos por enquanto. Meu contrato com a Rede Globo vai até 2010, e por conta dele tenho ainda que escrever duas novelas. Até lá eu estarei, sim, dividido entre uma coisa e outra. Depois que o contrato terminar... Minha intenção, pelo menos agora, é não escrever mais novelas. E nesse caso se fechará um círculo e eu voltarei ao ponto do qual nunca deveria ter saído: a literatura.
Ao contrário do que possa aparecer à primeira vista, não foi o personagem que saltou da tevê para o livro mas justamente o inverso. O romance flagra a trajetória de Giovanni Improtta em uma fase anterior à da novela, quando era “mau feito um pica-pau”, segundo palavras do próprio autor. Em Senhora do Destino o bicheiro já estava em busca da redenção, sendo mais famoso por seus bordões como “felomenal” e “o tempo urge e a Sapucaí é grande” do que propriamente por suas atividades ilegais. No romance, Giovanni Improtta ainda é um poderoso bicheiro com trânsito livre entre políticos e empresários do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense e tem sua história contada a partir de um duplo homicídio.
Personagens com nomes falsos, mas perfeitamente reconhecíveis, e outros com sua identidade verdadeira – entre eles o Presidente Getúlio Vargas – povoam, ao longo dos mais de trinta anos da história brasileira presentes no livro, o universo em que Giovanni, à custa de muita corrupção e violência, acaba por se tornar um rei. Aguinaldo Silva, que se encontrava afastado da literatura desde os anos 90, quando passou a se dedicar exclusivamente às novelas da TV Globo, usa de sua larga experiência como repórter policial para mergulhar nas relações viciosas entre contraventores e políticos, traçando um painel do peculiar universo da Baixada Fluminense.
Aguinaldo estreou na literatura aos 16 anos e tem 13 livros publicados. O lançamento desta nova edição de Prendam Giovanni Improtta (Geração Editorial, 176 páginas, R$ 29,00) é a primeira de uma série de seis livros do autor que serão publicados pela mesma editora, dentre eles o inédito ‘98 Tiros de Audiência’, sobre o mundo das telenovelas e da televisão, que Aguinaldo está concluindo para lançar na Bienal do Livro de São Paulo, em março de 2006.
Na entrevista abaixo, Silva anuncia também que, tão longo termine seu contrato com a TV Globo, em 2010, não vai mais escrever telenovelas. Ele pretende dedicar-se exclusivamente à literatura.
Você andou afastado da literatura (seu último livro, Lábios que Beijei, foi publicado em meados da década de 90). Por quê?
– Por um acidente de percurso. Publiquei meu primeiro romance (Redenção para Job, 1961) aos 16 anos, e por causa dele tornei-me jornalista. Até 1978 eu me dividi entre este e a literatura, mas foi aí que a televisão surgiu em minha vida, e eu escrevi seriados primeiro, depois minisséries e finalmente novelas (‘Roque Santeiro’, ‘Tieta’, ‘Vale Tudo’, ‘Pedra sobre Pedra’, ‘A Indomada’, ‘Porto dos Milagres’ e ‘Senhora do Destino’, entre outras). Estas ocuparam nos últimos anos todo o meu tempo, pelo que a literatura foi deixada de lado. Mas dela restou a nostalgia, que me traz de volta agora. ‘Prendam Giovanni Improtta’ é apenas o primeiro de uma série de livros de minha autoria que a Geração Editorial vai lançar, inclusive um inédito, ‘98 tiros de audiência’, que se passa nos bastidores de uma novela das oito e será lançado no começo do próximo ano.
Este universo da televisão é que vai ser o seu novo território literário?
– Sim e não. Nestes meus 27 anos de televisão, e sempre no mesmo Canal (a Rede Globo), escrevendo quase sempre novelas das oito, não há dúvida de que vivi e tomei conhecimento de muitas histórias, todas devidamente arquivadas no meu inconsciente (e também em cadernos de notas que venho organizando). E elas são suficientes para que eu possa me auto-proclamar um arquivo vivo. Essa experiência toda no universo televisivo pode me render outros livros - além de ‘98 tiros de audiência’ - ou não. De qualquer modo, nesse momento estou empenhado em prosseguir com o mapeamento da violência no Rio de Janeiro e na Baixada: é sobre isso que me interessa escrever agora.
Isso significa que a literatura policial vai continuar prevalecendo em sua literatura?
– É mais ou menos por aí. Antes de me tornar novelista de tevê fui editor e repórter de polícia. Tenho uma longa experiência no assunto e também um alentado arquivo a respeito. Claro que a violência dos tempos em que eu era jornalista – até o final dos anos 70 – não tem nada a ver com o que acontece agora. Mas eu sou um grande leitor de jornais e um atento observador do cotidiano em que vivo, e posso dizer que continuo atualizado quanto ao tema. ‘98 tiros de audiência’, por exemplo, embora se passe nos bastidores da televisão, é a história de um crime – a morte da protagonista de uma novela das oito da qual são suspeitos todos os envolvidos com ela.
E quanto a Giovanni Improtta, personagem que, vivido pelo ator José Wilker, tornou-se um ícone nacional graças à novela: é sua intenção retomá-lo em outro trabalho?
– Não, pelo menos por enquanto. Quando ‘Senhora do Destino’ terminou, surgiu a idéia de fazer um seriado na televisão com episódios semanais, chamado ‘Os Improtta’, que teria Giovanni como protagonista e utilizaria o seu universo e os personagens do seu núcleo na novela. Mas a idéia, por absoluto cansaço meu, não vingou. Agora, com o lançamento do livro, estou aberto a propostas para que ele venha a se tornar uma minissérie. Neste sentido já houve até uma sondagem, mas não do canal de televisão que produziu a novela.
É sua intenção, portanto, dividir-se entre a televisão e a literatura?
- Pelo menos por enquanto. Meu contrato com a Rede Globo vai até 2010, e por conta dele tenho ainda que escrever duas novelas. Até lá eu estarei, sim, dividido entre uma coisa e outra. Depois que o contrato terminar... Minha intenção, pelo menos agora, é não escrever mais novelas. E nesse caso se fechará um círculo e eu voltarei ao ponto do qual nunca deveria ter saído: a literatura.
FESTA NA FLORESTA - Quando cheguei a Manaus chovia muito, então não senti de início o famoso calor da cidade. No aeroporto um rapaz todo tatuado chamado Beethoven me esperava. No mesmo vôo um grupo de rapazes fortes com enormes tatuagens nos braços musculosos não deixavam dúvidas: eram lutadores que estavam indo participar do JUNGLE FIGHT, o internacional torneio de Vale Tudo promovido pelo empresário e ex-lutador amazonense Wallid Ismail.
No caminho para o Hotel Tropical, o famoso cinco estrelas da capital amazonense, pude observar a exuberância da vegetação. As árvores pareciam felizes com a chuva torrencial. Beethoven me disse que estava chovendo há vários dias na região e que aquela seca terrível que acontecera no Amazonas já tinha acabado. Eu perguntei se Beethoven era seu nome verdadeiro e ele respondeu que sim. Ele era Beethoven filho, já que seu pai também tinha esse nome e que seu filho era Beethoven Neto.
Quando cheguei no Hotel Tropical fui recebido pelo dono da festa, o próprio Wallid que me abriu os braços e disse: "Você é meu convidado de honra". No lobby encontrei meu camarada o jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso, editor da revista TATAME, que tinha vindo fazer a cobertura do torneio. Enquanto eu fazia o check-in chegou a cantora Margareth Menezes, que tinha vindo no mesmo vôo que eu. No mesmo dia ela faria um show às margens do rio Negro, na praia particular do hotel.
No hotel um grande movimento de atletas, lutadores, treinadores e aficcionados de artes marciais. Num dos salões de eventos do hotel foi feita a pesagem dos lutadores. Esse é um dos rituais mais importantes dos torneios de Vale Tudo. A pesagem dos lutadores. Numa balança, em frente a comissão de arbitragem, os lutadores se pesam para poder definir a classificação de cada um. Como cada grama tem importância fundamental eles se pesam nus. O lutador Edson Drako estava com quase um quilo acima do seu peso então, para perder o excesso, ele ficou cinco horas fazendo sauna, já que a luta seria no dia seguinte. Acabou conseguindo ficar no peso ideal.
Manaus parou para assitir a quinta edição do JUNGLE FIGHT, que esse ano teve ares de super produção e reuniu algumas das maiores estrelas do mundo das artes marciais do Brasil, Rússia, Sérvia, Finlândia, Colombia e Dinamarca. O estádio do Hotel Tropical foi tranformado numa gigantesca tribo indigena, graças a cenografia inspirada nos mitos da floresta amazônica. Efeitos especiais, fumaça, raios-laser e iluminação feérica ajudaram a empolgar o público cada vez que um lutador entrava em cena saindo da boca de um cacique gigante que fazia parte do cenário. Belas modelos em minúsculos trajes de india anunciavam os rounds. Foram nove lutas num espetáculo que durou três horas. Na luta mais aplaudida Alexandre Cacareco nocauteou Júlio Jamanta em menos de 1 minuto e foi ovacionado pelo público. Na luta mais polêmica o gaúcho Edson Draggo nocauteou seu conterrâneo Hélio Dipp, que entrou em cena ao som do funk carioca fazendo coreografias que levantaram o público. Como havia uma rivalidade pesoal entre os bofes Draggo continuou batendo em Dipp mesmo depois que ele já tinha desmaiado. O juiz conseguiu segurar o valentão que saiu de cena vaiado pelo público.
O veterano Carlson Gracie, de 73 anos, foi o grande homenageado do JUNGLE FIGHT. Vivendo atualmente em Chicago, onde tem uma academia, ele se dedica a preparar e a treinar jovens lutadores. Foi das mãos do seu ex-pupilo, o Senador Artur Virgilio Neto, que Carlson recebeu o troféu de Honra ao Mérito. O Senador amazonense, que é faixa-preta de jiu-jitsu e já ameaçou bater no presidente Lula, foi ovacionado pelo público quando afirmou com voz emocionada: "Tudo o que aprendi no jiu-jitsu foi Carlson Gracie que me ensinou. Foi esse homem quem me deu a faixa-preta!". Carlson GRacie, por sua vez, revelou que está levando para treinar nos EUA cinco lutadores de Manaus e afirmou: "'O Amazonas é um celeiro de grandes lutadores".
Marcus Antônio di Lucia foi um dos lutadores mais celebrados do JUNGLE FIGHT, onde atuou apenas como árbito. Radicado há mais de 10 anos nos EUA, ele dá aulas de jiu-jitsu para celebridades como Bryan Spears, irmão da Britney Spears, além de Vin Diesel, LL Cool J, Ben Affleck e Guy Richie, o marido da Madonna que, quando está em Los Angeles, sempre vai treinar jiu-jitsu, esporte que adora. "O Guy é um cara super gente fina", diz Marcus que foi para os EUA com uma mão na frente e outra atrás e hoje é dono de uma academia localizada em Beverly Hills, o bairro mais chique da capital do cinema.
A cantora baiana Margareth Menezes foi uma das grandes atrações do JUNGLE FIGHT. Mas, calma leitores, ela não entrou no ringue. É que, um dia antes do torneio, foi organizada uma animada Micareta no Hotel Tropical a fim de promover o evento. Um palco foi montado na praia particular do hotel às margens do rio Negro, onde cerca de 5 mil pesoas se esbaldaram ao som de novos e antigos sucessos da estrela baiana. De dentro do rio Negro mais de uma dezena de iates lotados de foliões ajudaram a deixar a festa ainda mais bonita. Antes de Margareth quem animou a festa foi a banda J Quest.
No caminho para o Hotel Tropical, o famoso cinco estrelas da capital amazonense, pude observar a exuberância da vegetação. As árvores pareciam felizes com a chuva torrencial. Beethoven me disse que estava chovendo há vários dias na região e que aquela seca terrível que acontecera no Amazonas já tinha acabado. Eu perguntei se Beethoven era seu nome verdadeiro e ele respondeu que sim. Ele era Beethoven filho, já que seu pai também tinha esse nome e que seu filho era Beethoven Neto.
Quando cheguei no Hotel Tropical fui recebido pelo dono da festa, o próprio Wallid que me abriu os braços e disse: "Você é meu convidado de honra". No lobby encontrei meu camarada o jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso, editor da revista TATAME, que tinha vindo fazer a cobertura do torneio. Enquanto eu fazia o check-in chegou a cantora Margareth Menezes, que tinha vindo no mesmo vôo que eu. No mesmo dia ela faria um show às margens do rio Negro, na praia particular do hotel.
No hotel um grande movimento de atletas, lutadores, treinadores e aficcionados de artes marciais. Num dos salões de eventos do hotel foi feita a pesagem dos lutadores. Esse é um dos rituais mais importantes dos torneios de Vale Tudo. A pesagem dos lutadores. Numa balança, em frente a comissão de arbitragem, os lutadores se pesam para poder definir a classificação de cada um. Como cada grama tem importância fundamental eles se pesam nus. O lutador Edson Drako estava com quase um quilo acima do seu peso então, para perder o excesso, ele ficou cinco horas fazendo sauna, já que a luta seria no dia seguinte. Acabou conseguindo ficar no peso ideal.
Manaus parou para assitir a quinta edição do JUNGLE FIGHT, que esse ano teve ares de super produção e reuniu algumas das maiores estrelas do mundo das artes marciais do Brasil, Rússia, Sérvia, Finlândia, Colombia e Dinamarca. O estádio do Hotel Tropical foi tranformado numa gigantesca tribo indigena, graças a cenografia inspirada nos mitos da floresta amazônica. Efeitos especiais, fumaça, raios-laser e iluminação feérica ajudaram a empolgar o público cada vez que um lutador entrava em cena saindo da boca de um cacique gigante que fazia parte do cenário. Belas modelos em minúsculos trajes de india anunciavam os rounds. Foram nove lutas num espetáculo que durou três horas. Na luta mais aplaudida Alexandre Cacareco nocauteou Júlio Jamanta em menos de 1 minuto e foi ovacionado pelo público. Na luta mais polêmica o gaúcho Edson Draggo nocauteou seu conterrâneo Hélio Dipp, que entrou em cena ao som do funk carioca fazendo coreografias que levantaram o público. Como havia uma rivalidade pesoal entre os bofes Draggo continuou batendo em Dipp mesmo depois que ele já tinha desmaiado. O juiz conseguiu segurar o valentão que saiu de cena vaiado pelo público.
O veterano Carlson Gracie, de 73 anos, foi o grande homenageado do JUNGLE FIGHT. Vivendo atualmente em Chicago, onde tem uma academia, ele se dedica a preparar e a treinar jovens lutadores. Foi das mãos do seu ex-pupilo, o Senador Artur Virgilio Neto, que Carlson recebeu o troféu de Honra ao Mérito. O Senador amazonense, que é faixa-preta de jiu-jitsu e já ameaçou bater no presidente Lula, foi ovacionado pelo público quando afirmou com voz emocionada: "Tudo o que aprendi no jiu-jitsu foi Carlson Gracie que me ensinou. Foi esse homem quem me deu a faixa-preta!". Carlson GRacie, por sua vez, revelou que está levando para treinar nos EUA cinco lutadores de Manaus e afirmou: "'O Amazonas é um celeiro de grandes lutadores".
Marcus Antônio di Lucia foi um dos lutadores mais celebrados do JUNGLE FIGHT, onde atuou apenas como árbito. Radicado há mais de 10 anos nos EUA, ele dá aulas de jiu-jitsu para celebridades como Bryan Spears, irmão da Britney Spears, além de Vin Diesel, LL Cool J, Ben Affleck e Guy Richie, o marido da Madonna que, quando está em Los Angeles, sempre vai treinar jiu-jitsu, esporte que adora. "O Guy é um cara super gente fina", diz Marcus que foi para os EUA com uma mão na frente e outra atrás e hoje é dono de uma academia localizada em Beverly Hills, o bairro mais chique da capital do cinema.
A cantora baiana Margareth Menezes foi uma das grandes atrações do JUNGLE FIGHT. Mas, calma leitores, ela não entrou no ringue. É que, um dia antes do torneio, foi organizada uma animada Micareta no Hotel Tropical a fim de promover o evento. Um palco foi montado na praia particular do hotel às margens do rio Negro, onde cerca de 5 mil pesoas se esbaldaram ao som de novos e antigos sucessos da estrela baiana. De dentro do rio Negro mais de uma dezena de iates lotados de foliões ajudaram a deixar a festa ainda mais bonita. Antes de Margareth quem animou a festa foi a banda J Quest.
Postagens mais vistas
-
G O LDEN GAYS 2010 OS GAYS MAIS IMPORTANTES DE 2010 – Dezembro é o mês das listas. Listas dos melhores do ano nas artes, na p...
-
GOLDEN GAYS 2008 – Assumir pra quê? 2008 foi o ano em que esse negócio de assumir que é gay se tornou um comportamento old fashion . É isso...
-
JÚLIO MACHADO: NU EM NOME DE CRISTO - O público vai se surpreender com o filme "Divino Amor", que estreia este ...
-
A Loba de Rayban falando no celular depois da estréia. Um abraço apertado no sobrinho Gabriel Mattar. Christiane com o marido, o filho o ...
-
O VERÃO 2009 – Que calor! Na Praia de Ipanema os meninos dizem que 2009 terá o verão mais quente da história. Olhando aqueles corpos tinind...