14.6.09







A ÚLTIMA VEZ QUE VI PARISParis, Paris, Paris... Tinha feito planos para voltar a Paris nas minhas próximas férias. Mas, ultimamente, a possibilidade de andar de avião tem me provocado tanto medo e angústia, que acho que vou passar férias num lugar onde eu possa ir de carro. Que pena. Adoro Paris e sinto muita falta da cidade. A última vez que vi Paris a cidade me brindou com um turbilhão de prazeres inesquecíveis. Noitadas, diversão, festas. Mas, o melhor de tudo, foi andar pelas ruas da cidade. Bater pernas no Quartier Latin, olhar as vitrines, as modas, entrar nas galerias de arte, saborear a alma encantadora das ruas.

O voo da Air France que me levou do Rio a Paris foi absolutamente tranqüilo. Quando a aeronave se aproximou do solo francês, lembro que olhei pela janela e pensei: “Que aeronave moderna!” Parecia que o avião estava pousando e não aterrisando, tal a suavidade com que a aeronave tocou o solo francês.


A viagem foi uma maravilha. Quando entrei no avião da Air France e procurei o meu lugar vi que, bem ao lado do meu assento, havia uma pilha de revistas francesas: Photo, Paris Match, Marie Claire, L´Officiel, L´Express... Só isso já me deixou todo animado com a viagem. Os comissários de bordo eram elegantes e educados. Os passageiros do meu voo formavam um grupo simpático. Foi um vôo magnífico, em que tudo funcionou.


O jantar do vôo da Air France é algo de excepcional. Antes de servir a comida os comissários saem distribuindo baguetes entre os passageiros, apenas para abrir o apetite. Depois é servida a comida que, claro, tem aquele toque especial da gastronomia francesa. Antes da viagem eu havia encontrado meu amigo Augusto Stelai, que tinha feito a mesma viagem no mês anterior, e ele me alertou sobre o jantar. “Não come nada antes do vôo que o jantar da Air France é caprichado”, disse Augusto, enquanto me dava umas boas dicas do que fazer em Paris.


Depois do jantar, quando as luzes do avião já estavam apagadas, enquanto a gente sobrevoava o meio do oceano, bem no local onde costuma haver muita concentração de nuvens cúmulos e nimbos, eu levantei para esticar um pouco as pernas. Só então percebi que na área onde os comissários preparam o jantar, havia um buffet disponível para quem ainda estivesse com fome. Uma enorme cesta com pães quentinhos, patês, queijos, brioches e garrafinhas de vinho. Muito vinho. Imediatamente me juntei a um grupo de passageiros que já estava por ali, degustando as maravilhas da gastronomia francesa. Depois outros passageiros se juntaram a nós. E ficamos todos ali, bem descontraídos, cada um falando o que pretendia fazer em Paris, que lugares pretendia visitar, uns dando dicas para os outros. Lá fora nada de nuvens, nem raios, nem tempestades. Apenas um imenso céu belo e pacífico.

Quando enfim, chegamos ao aeroporto Charles de Gaulle, fui recebido por um ofical da alfândega, que me tratou de um modo bem rude. Um homem belíssimo, que devia ter uns 35 anos. O que ele tinha de belo, tinha de rude. Ficou me fazendo um monte de perguntas, talvez pensando que eu fosse um imigrante ilegal, um traficante ou talvez um terrorista internacional com passaporte brasileiro. Ele era tão lindo e tão rude. E eu adoro homens rudes. Num dado momento o bonitão francês percebeu que eu estava adorando o jeito rude como ele me tratava. Então ele foi relaxando, se tornando mais amável e gentil. No final, quando ele devolveu meu passaporte e liberou a minha entrada na França, nós já estávamos conversando de modo bastante civilizado. Num dado momento da entrevista ele me perguntou em que hotel eu ia ficar hospedado. Disse o nome do hotel e, quando eu ia falar o endereço, ele me disse que sabia onde era. “Passa lá no hotel pra gente tomar um café”, disse eu, provocando o bofe. Ele me deu um meio sorriso, respondeu oui, mas nunca apareceu.


Um dos meus esportes favoritos é conquistar bofes!

11.6.09



Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio.


ALAIR REVISITADO - O trabalho do fotógrafo Alair Gomes é fonte de inspiração para algumas das fotos que ilustram esse blog. Já estamos em junho. O primeiro semestre de 2009 passou rápido. E foi na cama que vivi os melhores momentos desse período. Obrigado, Deus! Mas nesse semestre fiquei com medo de andar de avião. E isso me fez procurar entre meus CD´s o disco de Belchior que tem aquela música: Foi por medo de avião... De resto, tenho ouvido o CD do Paulinho Lima que é muito legal. E o último Pet Shop Boys que é tudo de bom.

A melhor festa do semestre foi o aniversário do Copacabana Praia Clube, no Botequim Pavão Azul, na Rua Duvivier. Foram 22 anos de muita alegria comemorados com grande estilo pelos jogadores de futebol de praia. Eu devia ter falado mais dessa festa aqui no blog. Mas às vezes as palavras me faltam. Anjos e Demônios foi o Melhor Filme. Não tenho ido muito ao cinema, nem ao teatro. Hoje sou mais seletivo. Não tenho ânsia de ver tudo, como era antigamente. Prefiro ficar em casa pegando um bofe. Mas Traição, de Harold Pinter foi, sem dúvida, a melhor peça que assisti no semestre. Senti enorme prazer em ver esse espetáculo, que me foi recomendado por duas pessoas. Primeiro meu colega de trabalho Altenir Silva. Depois o ator Didi Valentim me disse que tinha ficado muito bem impressionado com o espetáculo. Fiz bem em ter acatado a sugestão deles.

Gostei muito de ler A construção de um filósofo, do inglês Colin McGinn. Tanto que pretendo ler novamente. O livro conta como foi todo o processo do autor, um estudioso de filosofia, até se tornar um filosofo do século XX. Muito interessante. Quero reler, pois me identifiquei com a história dele. Nunca tinha parado para pensar nisso, mas acho que sou um filósofo.

Li com prazer O Dom, romance do escritor português Jorge Reis-Sá. Para mim é uma delícia ler o português de Portugal. Eu já havia lido um outro livro do gajo, Todos os dias, que até gostei mais. O Dom conta uma história de realismo fantástico, sobre pessoas que ficam presas num Centro Comercial, quando um fenômeno estranho transforma todos os que estão fora daquele lugar em contas. Um breve trecho:

O pânico voltou a instalar-se. As pessoas começaram a descer do segundo andar pelas escadas, a pensar no que poderiam fazer. Um rapaz gordo foi o primeiro a chegar cá a baixo e dizer, tenho de ir procurar a minha irmã, já lhe tentei ligar para o telemóvel mas, como aconteceu com toda a gente, pelos vistos, ela não atende. Ela tinha ido ao café, que é feito dela. meu Deus. A seguir a ele, outras pessoas se chegaram à porta porque se lembraram dos seus. Queriam sair a toda a força para tentar salvar quem não estavano centro comercial.


Morte no mar

Lembro do rapaz que vi morrer na praia.
Os olhos abertos– uma luz tão fria – conchas espantadas que eram.
As mãos nada diziam de
anêmonas e navios.
Eu era um menino e
o azul verde da água.
Alto e belo, o afogado,
um capitão.




Romântico

Amar noutro mundo
que não este.
Poder equilibrar – perfeito –
um prato sobre um alfinete.
Equilibrar um livro, uma casa,
sobre um alfinete.
Outro mundo. Sua maquete:
palavra e cavalete.
Outro: este, mas
em falsete. Sete vezes
mais belo, mil mais leve.
Setecentos o mesmo gesto – amar –
e, no entanto, não se complete.
Um rio que se repetisse,
um Tibete ameno, translúcido – e seu fundo,
em que não se chegasse,
era jamais a morte.




No Rio

Frias as luzes, a praça, o pátio
sob a chuva, podiam ver,
de dentro daquele aquário ao avesso,
em movimento, onde boiavam,
erravam ternuras absurdas,
breve teatro de sombras, gota
a gota luzes verticais caindo,
podiam ver, no interior daquela crônica
de amor – amor? – e desencontro,
que o motorista lia pelo espelho:
espinhos, relâmpagos, respiração.
Estavam perdidos.
Vamos pela praia,
por favor.

(Poemas de Eucanãa Ferraz)





UMA VEZ FLAMENGO - Sou tricolor de coração, mas estou a um passo de virar a casaca e começar a torcer pelo Vasco. De qualquer modo adoro ir ao Maracanã. Fiz essas fotos no dia que levei um grupo de empresários da Islândia ao estádio. Eles queriam de qualquer modo assistir a um jogo do Flamengo. Meu primo, que mora na Islândia, estava acompanhando os empresários que vieram fazer contatos profissionais no Rio de Janeiro. Foi uma tarde bem divertida. O que achei mais engraçado nesse dia foi o fato de os islandeses não terem entendido por que, apesar de termos comprado ingressos com lugares marcados, o funcionário do Maracanã nos disse que podíamos sentar em qualquer lugar que estivesse vazio. "É o brazilian style", expliquei aos gringos.







HELIO GRACIE FOREVER - Adoro os lutadores da família Gracie. No último aniversário do patriarca da família, Hélio Gracie, quando ele fez 95 anos, fiz várias fotos. Seriam fotos históricas. Mas a bateria da minha câmera estava fraca, então as fotos ficaram mais ou menos. Tive melhor sorte na festa de lançamento do livro do Mestre. Ali as fotos ficaram mais bacanas. De qualquer modo foram dois encontros memoráveis. Momentos de homenagear o homem que recriou o jiu-jitsu como uma arte marcial brasileira.




ALAIR REVISITADO - Será Netuno que saiu do mar e veio dar uma olhada na Praia do Arpoador? Não leitores. É apenas um moço da favela do Cantagalo que foi se refrescar nas águas plácidas do mar do Arpoador. Vou sugerir a Ministra Dilma Roussef a lançar o rapaz como muso do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento que está recriando a favela. Os surfistas do morro agora só se referem ao Cantagalo como "Cantagalo Hills", numa alusão a Beverly Hills. Não é um luxo? Mas luxo mesmo é o muso da foto, inspirada em Alair Gomes. É a maior prova que existe um paraíso escondido nas favelas do Rio. Já pensou se a Madonna ver uma coisa dessas? E ele não é o único bonitão da família. O moço tem mais dois irmãos que são ainda mais bonitos que ele.

Madonna vem aí...

 

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