29.8.07




Não há nada tão frágil quanto o sucesso.


CIDADE NUA - Existe um pequeno grupo de marginais que costumam assaltar turistas na praia de Ipanema e no Posto Seis, em Copa. Eles nunca assaltam os moradores. Suas vítimas são os turistas que, encantados com a beleza da cidade, se distraem, e são roubados pelos malandros. Como os covardes só atacam turistas eles circulam cheios de marra pela praia, como se sua atividade criminosa não estivesse sujeita a críticas das pessoas honestas que circulam no pedaço e se sentem incomodadas com isso. Muitos moradores ficam indignados com a presença dos ladrões circulando livremente no seu território. Vários já ligaram para a polícia, dando todas as informações sobre as atividades do grupo, mas não adianta. Reprimir ladrões de turistas não é uma prioridade para a polícia carioca.

Nesse grupo de bandidos existe um que se destaca. É o mais atuante. O mais presente nessa atividade deplorável. A primeira vez que vi esse sujeito eu estava no Posto Seis, conversando com um grupo de jogadores de futebol de praia, quando um deles apontou para o pilantra e disse: Tá vendo aquele cara ali? Ele é ladrão da favela. Fica rondando aqui na praia, roubando os turistas. Isso faz mais de dez anos. Depois disso, sempre que via esse sujeito na praia, eu ficava de olho nele e, invariavelmente, o flagrava roubando algum turista.

Esse ladrão é aquilo que o meu saudoso avô chamava de descuidista. O ladrão que se aproveita do descuido da vítima para roubar. O sujeito fica na praia, posando de banhista, e quando vê um turista distraído surrupia seus pertences e sai de fininho. Ou sai correndo em disparada. Geralmente tem um segundo que dá cobertura. O fato é que esse ladrão faz da sua atividade criminosa uma profissão. Os moradores que vão a praia nessa região já o conhecem e o detestam. Apesar de não roubar os locais ele não respeita os moradores e furta os turistas na frente de qualquer pessoa. Quando alguém esboça alguma atitude para proteger as vítimas ele faz ameaças. Fica olhando de cara feia. Intimidando as pessoas honestas.

A cara de pau desse ladrão é tanta que, no último verão, junto com um comparsa, ele montou uma barraca para vender cervejas na praia gay de Ipanema, que estava lotada de estrangeiros. Era uma coisa bem rústica. Apenas um isopor cheio de latas de cerveja. Aquilo era apenas uma desculpa, um disfarce, para ficar ali, no meio dos banhistas. Quando algum estrangeiro se distraía, ou mergulhava na água, o canalha surrupiava objetos de valor, sumia algum tempo, depois voltava, já que havia um comparsa que lhe dava cobertura. Ou seja, o pilantra é um ladrão profissional.

Pois bem.

Para minha surpresa, semana passada, quando fui ao lançamento do livro Todos os dias, de Jorge Reis-Sá, na livraria da Travessa, no Shopping Leblon, eu dei de cara com o ladrão de turistas. De cara, levei um susto. "O que é que esse cara tá fazendo aqui no shopping?", pensei diante das fotos de Gisele Bundchen na vitrine da Colcci. Foi então que eu observei direito e percebi algo que naquele momento me deixou cabreiro: o sujeito estava trabalhando no Shopping Leblon. Isso mesmo, queridos leitores.

O maior ladrão de turistas de Ipanema está trabalhando no Shopping Leblon.

Vestido com um macacão branco onde estava escrito a palavra Quality, nome da empresa terceirizada que presta serviços de limpeza ao shopping, ele circulava pelos corredores empurrando um carrinho de limpeza, segurando uma vassoura na mão. O sujeito está trabalhando como faxineiro. Circulando com seu carrinho de limpeza por entre as vitrines de grifes elegantes como Blue Man, Sandpiper, Salvatore Ferragamo, Sara Jóias, Mont Blanc Maison, Villa Borghese, Aviator, Calvin Klein, Ermenegildo Zegna, Fruit de la Passion, Maria Bonita e Swarovski.

Waal!, diria o saudoso Paulo Francis. Diante da figura do maior ladrão de turistas de Ipanema refletido na vitrina da grife Lacoste eu pensei com os botões das elegantes camisas ali expostas: Será que esse sujeito se regenerou? Será que ele tomou vergonha na cara, arrumou um emprego e resolveu viver uma vida honesta? Será que esse canalha agora vai deixar os turistas de Ipanema em paz? Será que ele resolveu se tornar um homem bom? Um homem de bem?

Ao mesmo tempo a minha parabólica mental cogitou uma segunda possibilidade. Será que aquilo é só um disfarce? Será que os lojistas e clientes chiques do elegante shopping estão correndo sério perigo? Será que uma onda de furtos vai acontecer no sofisticado centro de compras? Acho bom a direção do centro comercial ficar de olho. Ontem à noite o escritor Doc Comparato me disse que, dias atrás, sua filha teve a bolsa furtada no Shopping Leblon.

Elementar, meu caro Warson!


23.8.07




Aprende a viver e saberás morrer bem.


A NOITE DA LÍNGUA PORTUGUESA - O escritor português Jorge Reis-Sá veio ao Brasil participar do lançamento do seu romance Todos os dias. Como um Pedro Alvares Cabral dos tempos modernos o jovem lusitano atravessou o oceano e chegou sábado ao Brasil. Volta para o Farmelicão, sua aldeia no norte do Portugal, na próximo domingo. Veio acompanhado da mulher, a jovem e doce Ana, uma bióloga que conheceu na Faculdade. Na terça ele deu autógrafos na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, onde participou de um debate sobre as relações Brasil-Portugal na literatura. Foi uma noite de papo inteligente e idéias saudáveis.

Um rapaz muito bonito. Foi essa a primeira impressão que tive de Reis-Sá. No seu charme lusitano havia algo do Primo Basilio, na descrição de Eça de Queiroz. Bonito como um príncipe, ele também escreve bonito. Sua figura nos remete a um poeta romântico. Algo que na verdade o é. Todos os dias é seu primeiro romance, mas o charmoso português já publicou livros de poesia. Mesmo quando escreve prosa Reis-Sá tem um texto lírico, poético. Uma narrativa é pungente. Delicada. Seu texto valoriza a língua portuguesa quando simplesmente descreve o cotidiano de uma família qualquer como um quadro de um grande artista. Uma simples réstia de sol que atravessa o postigo da janela adquire dimensão de epopéia quando narrada por Reis-Sá, com seu estilo gentil e educado de contar sua história para o leitor.

Na fila de autógrafos muitos escritores e admiradores da língua portuguesa como falada e escrita em Portugal, já que a edição brasileira manteve o texto original do livro. Não foram feitas correções para o português do Brasil. Um acerto da editora Luciana Villas Boas, entusiasta do livro. Antes da sessão de autógrafos, porém, houve um animado debate no elegante auditório da livraria do Shopping. Esse é um costume em Portugal. Sempre que ocorre o lançamento de um livro é promovido um debate entre o autor e convidados. Os convidados de Reis-Sá foram os poetas brasileiros Antônio Cícero e Eucanãa Ferraz, que os admiradores classificam como os novos drummonds. A apresentação do debate foi feita pela todo-poderosa diretora editorial da Record Luciana Villas Boas.

A unificação da lingua portuguesa nos oito paises do mundo que falam essa língua foi o palpitante assunto que norteou toda a discussão. Com a unificação Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor-Leste, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil e Portugal passarão a escrever da mesma maneira. A discussão foi muito interessante já que ali todos pareciam ser contra a unificação. Todos, menos Antônio Cícero que se revelou radicalmente a favor. Com seus argumentos e seu entusiasmo Cicero parecia um bravo guerreiro lutando contra um batalhão de adversários. Eucanãa Ferraz contemporizou lembrando que a unificação daria força política a língua portuguesa, subjugada ante o poder das línguas inglesa e francesa. Jorge Reis-Sá disse que prefere o português com suas particularidades e diferenças. Lembrou que Portugal, mesmo sendo um país de pequena extensão territorial, tem suas proóprias diferenças internas. Cicero contestou citando o inglês, que tem amplo domínio internacional, por ser uma língua falada de um jeito único em todos os países de influência anglo-saxônica. Com veemência Luciana interviu e afirmou convicta: existe sim diferenças entre as diversas línguas inglesas faladas no mundo.

Luciana Villas Boas é uma figura. A maior prova de que ela acredita no livro de Jorge Reis-Sá é que ela foi com tudo ao lançamento do livro. E quando eu digo com tudo, eu quero dizer que ela não foi lá apenas fazer um número. Foi brigar pelo livro num mercado editorial competitivo. Luciana é uma mulher muito inteligente e isso ficou claro nas suas intervenções durante o debate. Foi sensacional o momento em que ela contestou Cicero e defendeu com firmeza que sejam mantidas as diferenças regionais da língua portuguesa.

A presença de Luciana Villas Boas no lançamento de Jorge Reis-Sá não se limitou a uma participação incisiva no que diz respeito ao contexto intelecto-cultural da literatura. Antes de tudo, Luciana é fashion. E como é fashion ela foi à noite de autógrafos do gracioso português vestida para matar. Luciana sempre foi uma mulher bonita, mas nessa noite ela estava radiante. A maquiagem perfeita, o cabelo correto. A mulher estava linda com um vestido preto belíssimo que eu classificaria de fechativo e que poderia tanto ter a assinatura do Christian Lacroix como de John Galliano. Para arrematar chiquérimas botas negras até o joelho. Quando pegou o microfone e contou como descobriu o livro Todos os dias e falou sobre sua relação com os livros, os autores e a literatura a platéia ficou encantada. Sobre sua figura elegante e carismática parecia haver uma legenda de gibi que dizia: Sou linda, mas também sou inteligente!

E salve a língua portuguesa.

A seguir um poema de Jorge Reis-Sá, do livro A palavra no cimo das águas.








FADO TROPICAL - Circulando por entre escritores como Angela Dutra de Menezes, Antônio Torres, Bia e Pedro Correia do Lago estava o jornalista portugues João Pereira Coutinho. O rapaz é um bem sucedido colunista do jornal Expresso. O sucesso de sua coluna no mais popular jornal de seu país atravessou fronteiras e chegou ao Brasil. Sendo assim ele foi convidado para assinar uma coluna na Folha de São Paulo. Dias atrás um de seus textos recebeu uma consagração do leitor brasileiro ao ser transformado em corrente da internet. Com o título de Não existem homossexuais, seu texto deu o que falar, provocou discussões e lançou um novo olhar sobre um assunto que parecia esgotado. Coutinho veio ao Brasil passar uma temporada em Sâo Paulo e veio ao Rio prestigiar Jorge Reis-Sá que é seu amigo pessoal e seu editor em Portugal.

Leia a seguir o artigo Não existem homossexuais, do cronista portugues João Pereira Coutinho, publicado na Folha.

NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do "homossexual" como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?

A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o "homossexual". Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?

Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.

Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award. Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em "arte grega gay" ou "arte romana gay". E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de "estatuária gay". A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.

E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão. Eu, se fosse "homossexual", sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um "homossexual" verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.



21.8.07




Ninguém jamais afundou em seu próprio suor.


A CAMINHO DA LIDERANÇA - Uma história de amor e suspense que mistura jovens mutantes, experiencias genéticas, artistas de circo, estudantes de filosofia, cientistas loucos, gays assumidos, lutadores de kung-fu, empresários ganaciosos e paixões avassaladoras. Assim é Caminhos do Coração, a novela de Tiago Santiago que estréia dia 28 de agosto na Rede Record. Para promover o lançamento da novela a emissora reuniu jornalistas, elenco e produção num café da manhã no estúdio G do Recnov, o luxuoso centro de produção da empresa.


Um clipe exibido num telão mostrou cenas da novela. Em belíssimas sequências filmadas na Flórida surge o ator americano Lance Henriksen, de Alien 4, contando ao herói, Leonardo Vieira, que misteriosas experiências genéticas foram feitas numa clínica de reprodução no litoral paulista. Corta para uma cena de perseguição nas ruas de Miami enquanto agentes da Policia Federal pulam de um helicóptero na cobertura de um edifício. As imagens se intercalam com performances de artistas de circo e cenas curtas com os principais personagens. Depois da exibição do clipe o autor, Tiago Santiago, muito emocionado, agradeceu ao elenco e a equipe e foi ovacionado.


Claudio Heinrich foi um dos atores mais celebrados da festa. É que seu personagem, Danilo, vem provocando expectativa na emissora. Danilo, um dos herdeiros da Progênese, uma milionária rede de hospitais, é gay. Por causa dessa caracteristica do seu personagem Claudio Heinrich vai aparecer dando pinta, tirando sobrancelhas com uma pinça, admirando seu corpo malhado só de cuecas em frente ao espelho, e last but not at least, falando de bofes. Tudo isso ao som de Robocop Gay, antigo sucesso dos Mamonas Assassinas. Danilinho não é o único gay da novela. Bené, personagem de Déo Garcez, também é do babado. Um estudante sensível que sonha encontrar o homem dos seus sonhos. No início ele acha que esse homem é o dr. Carvalho (que nome!), o advogado interpretado por Rocco Pitanga, irmão da Camila. Bené não resiste ao vê-lo de terno e gravata e lhe dá uma cantada. O advogado, que é um homem fino, recusa o assédio com elegância: "Desculpe, Bené, mas eu sou hetero".


Os personagens gays estão bem à vontade na trama por uma razão muito simples: a novela é um tratado sobre "ser diferente". Eles transitam por entre jovens que foram alvo de experiências genéticas numa clínica de reprodução e desenvolveram características especiais. Seus amigos também são diferentes. Um rapaz que ouve o pensamento dos outros. Uma menina que tem asas e pode voar. Uma garota paranormal que consegue mexer objetos. Um jovem super veloz que quer ser famoso por isso. Um menino pobre que tem o olfato de um cão. E um bebê que se desenvolve com muita rapidez e logo vai ficar adulto. Eles têm os mesmos sonhos e desejos de todo ser humano. Mas, ao mesmo tempo, são diferentes.


Fazem parte do elenco os atores Bianca Rinaldi, Walmor Chagas, André di Biase, Gabriel Braga Nunes, Eduardo Lago, Monica Carvalho, Angelo Paes Leme, Taumaturgo Ferreira, Cássio Scapin, Felipe Folgosi, Monica Carvalho, Jean Fercodini, Théo Becker, André Segatti, Maria Claúdia, Perfeito Fortuna, Marina Miranda, Angelina Muniz, Ana Rosa e muitos outros. Chama a atenção no elenco de Caminhos do Coração a presença de Fafá de Belém, fazendo sua estréia em novelas, interpretando Ana da Luz, a dona de um circo que protege os jovens mutantes. É uma mãezona no melhor estilo Ana Magnani. Outra curiosidade é Preta Gil vivendo uma vilã arrependida, que namora dois irmãos bandidos, os galãs Tuca Andrada e Alexandre Barilari.


Patrycia Travassos foi muito assediada pelos jornalistas que queriam saber se ela vai continuar apresentando seu programa no canal GNT. Quando confirmou que vai continuar fazendo o seu Alternativa Saúde e a novela ao mesmo tempo, seu colega de elenco André Segatti, um homenzarrão enorme que interpreta um agente da policia civil, se aproximou e lhe fez uma confissão. Disse que era fã da atriz desde criança. Irma, personagem da Patrycia, é uma típica vilã de novelas: ambiciosa, egoísta e cruel.


Em novembro a Record vai estrear a primeira novela da TV brasileira escolhida através de concurso público. Amor e Intrigas, da publicitária Gisele Joras ganhou, ano passado, o primeiro lugar num concurso de sinopses promovido pela emissora. No concurso cada um dos participantes deveria mandar uma sinopse e três capítulos. Foram mais de mil concorrentes. Agora a novela será produzida sob a supervisão de Luiz Carlos Maciel.


Madonna vem aí...

 

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