
28.7.09
23.7.09
Um lágrima para Duse



UMA LÁGRIMA PARA DUSE NACARATI – Ela foi uma grande atriz. Tinha um humor peculiar, uma voz com entonação muito especial (Bibi Ferreira costuma dizer que teatro é voz), e uma presença de palco desconcertante. A peculiaridade do seu modo de interpretar fez dela a musa do teatro besteirol. Era queridinha dos autores Mauro Rasi e Vicente Pereira e dos diretores Miguel Falabella e Jorge Fernando. Sua atuação na peça A Mente Capta, de Mauro Rasi, marcou época no teatro carioca. Assim como sua performance em As 1001 Encarnações de Pompeu Loredo, também de Mauro Rasi, em parceria com Vicente Pereira.
Apesar de musa convicta do teatro besteirol, o maior orgulho de Duse Nacarati como atriz era ser considerada uma atriz rodriguiana, por causa de sua atuação em peças de Nelson Rodrigues. Ela costumava contar aos amigos, com uma ponta de orgulho, que em 1968, quando participou de uma montagem da peça A Mulher sem Pecado, de Nelson Rodrigues, o próprio autor a procurou depois do espetáculo e lhe disse: “Você é uma atriz rodriguiana!”. Esse seu encontro com o dramaturgo marcou sua vida. Ao longo de sua carreira pôde exercitar sua condição de atriz rodriguiana em várias peças do autor. Atuou em Vestido de Noiva, na montagem protagonizada por Malu Mader e O Beijo no Asfalto, na montagem protagonizada por Alessandra Negrini. Sua última atuação no teatro carioca foi exatamente numa peça de Nelson Rodrigues, A Falecida, com direção de João Fonseca. Marcos Alvisi, que a dirigiu em Beijo no Asfalto costumava dizer: “Nenhuma atriz é mais rodriguiana do que Duse Nacarati”.
Certa vez, num jantar em sua casa, ela comentou sua atuação em Vestido de Noiva. Dizia que tinha adorado fazer esse clássico do Nelson, que se sentia totalmente à vontade no papel, e que antes de entrar em cena sempre lembrava do Nelson Rodrigues lhe dizendo: “Você é uma atriz rodriguiana”. E ela disse isso imitando o jeito do dramaturgo falar, provocando gargalhadas em todos que estavam presentes. Duse era uma mulher muito engraçada e seus amigos adoravam estar com ela, por que isso era garantia de boas risadas. Do seu trabalho em Vestido de Noiva ela também guardava boas lembranças da sua convivência com a Malu Mader. Elogiava muito a Malu, que além de protagonista, era produtora da peça. Contava que a Malu era super carinhosa com ela e muito cuidadosa com toda a equipe que fazia a peça. E ela achava isso muito bonito.
Jorge Fernando e Miguel Falabella também adoravam Duse Nacarati. Jorge Fernando a dirigiu duas vezes. Em 1980, na montagem original de As mil e uma encarnações de Pompeu Loredo, de Mauro Rasi e Vicente Pereira, e em 2002, na remontagem dessa mesma peça que recebeu o nome de Aqui se faz, aqui se paga. Eram grandes amigos e Jorge tinha um carinho muito especial por ela. Já Falabella costumava dizer que Duse era a mulher da vida dele. Tinha ternura, paixão e afeto pela atriz. Gostava tanto da Duse que em 2001 lhe deu de presente um belo apartamento no Jardim Botânico. Não que ela precisasse. Ela vivia muito bem, tinha seus próprios rendimentos e uma família que a amava. Mas Miguel é rico e quis presentear a amiga com um apartamento. E ponto final!
Mas o grande amor da sua vida era o ator Leonardo Vieira. Posso imaginar como ele deve ter sofrido e chorado ao saber da morte dela. O Leo simplesmente adorava a Duse. Eles eram super amigos, se falavam quase diariamente, saíam juntos. Pareciam namorados. Certa vez o Leo Vieira a levou para Portugal, foram passar férias na Quinta da família do ator, nos arredores de Lisboa. Ela gostava de contar aos amigos da sua viagem e dos lugares incríveis que Leonardo lhe mostrou em Portugal. A última vez que eles foram vistos juntos em público foi na vernissage do artista plástico Gilvan Nunes, grande amigo do casal.
Descanse em paz, querida Duse! Descanse em paz...
7.7.09
Claudio Heinrich, o inesquecível Danilinho e o sorriso de Angelina Muniz, a Cassandra.
O jardim do planetário todo iluminado para receber Os Mutantes.
Um flagrante de Angelina Muniz.
A pista de dança pra lá de animada na festa de estréia da novela.
Doc Comparato aponta para a câmera na festa de lançamento de Os Mutantes no Planetário.
Trio de beldades mutantes: Rafaela Mandelli, Liliana Castro e Fernanda Nobre.
Rômulo Arantes Filho, o mutante Telê, com Anna Markum, a mutante cobra.
Tiago Santiago se divertindo com a estrela da sua novela Maytê Piragibe.
Mais um flagrante de Maytê Piragibe, a Nati e o criador da personagem, Tiago Santiago.
O roteirista Altenir Silva com sua mulher Célia Regina entre Maytê Piragibe e Taumaturgo Ferreira.A SAGA DOS MUTANTES – A convivência com o roteirista Doc Comparato foi um privilégio para a equipe de redatores da novela Os Mutantes. Doc é um gênio do roteiro. Professor requisitado por escolas de cinema de todo o Brasil e de países como Venezuela, Colômbia, Cuba, Argentina, Itália, Espanha e Portugal. Seu livro Da Criação ao Roteiro, lançado em 1984 é considerado fundamental para roteiristas e estudantes de cinema. Traduzido para vários países, o livro faz parte do currículo do Universidade de Cinema da Espanha, entre outros países. Sendo assim, foi uma jogada de mestre do Tiago Santiago convidar Doc Comparato para participar da sua equipe de colaboradores, ao lado de Altenir Silva, Maria Cláudia Oliveira, Vivian Oliveira, Gibran Dipp, Emilio Boechat e Maria Mariana.
Por sua cultura cinematográfica, por sua experiência como roteirista, por sua vocação para professor, as reuniões de criação da novela acabaram se tornando verdadeiras Master Class do professor Doc Comparato. Ele nos dava verdadeiras palestras sobre os macetes do roteiro. Falava de suas experiências. Dava toques preciosos. Tomando como exemplo o texto da novela, ele nos orientava como fazer na condução dos personagens e na elaboração das tramas. Alertava para os ganchos que deviam existir em cada cena. Nem sempre suas observações pertinentes eram levadas em conta no texto final da novela. Afinal, ele não era o autor, era apenas colaborador. Mas, para nós que fazíamos parte da equipe, isso não tinha a menor importância. O que contava era o aprendizado. O que importava era o curso intensivo de roteiro que fazíamos com o grande mestre na arte de escrever para cinema e TV.
Doc é muito engraçado. Sempre nos fazia rir com sua irreverência e seus comentários hilários sobre a indústria do cinema e da TV. Ele nos contava muitos causos divertidos da Rede Globo, na época do Boni. Nem se importava quando a gente insistia para ele falar sobre o seu trabalho com Gabriel Garcia Márquez, o Prêmio Nobel de literatura. Juntos eles escreveram uma minissérie, Me alquilo para soñar. Muitas das reuniões de criação de Os Mutantes eram realizadas em seu apartamento na Lagoa. Ali Doc nos recebia como a Babete daquele filme A festa de Babete. Sempre havia muitos quitutes que ele mesmo preparava com requinte e afeto. O professor Doc fazia questão que seus alunos saíssem de sua casa bem alimentados de idéias, informações e comida.
Nós que formávamos a equipe do Tiago Santiago nos sentíamos privilegiados com tão luxuosa convivência. Tínhamos orgulho quando o nosso nome aparecia nos créditos da novela ao lado do mestre Doc Comparato. Sempre tivemos consciência do prestígio que aquilo significava. E de como o nome dele nos créditos dava prestígio a novela e a própria emissora.
2.7.09
Louise D´Tuani, Milena Ferrari e Paloma Bernardi, jovens estrelas da trilogia dos Mutantes. Louise é Ísis, a mulher invisível, Milena a policial incorruptível Aline e Paloma atuou como a doce e bondosa Luna.
Carolina Holanda dançando na pista. Essa garota é ótima. Além de excelente atriz, ela é alto astral, linda e muito engraçada. Carolina faz a Doutora Gabriela na novela de Tiago Santiago. Acho que essa atriz ainda vai dar o que falar.
Ítala Nandi, a malvada Júlia Zacarias, entre as novelistas Maria Cláudia Oliveira e Vivian Oliveira. Escritoras de grande talento, Maria Cláudia e Vivian são colaboradoras do Tiago Santiago na saga dos mutantes.
Juliane Trevisol é uma tremenda pé de valsa. Dança super bem. Na foto ela baila com Daniel Ghivelder, um dos diretores da novela. Daniel é filho da veterana atriz Sonia Clara.
Patrícia de Jesus, atriz e DJ requisitada, com Roberta Valente, dupla de beldades, posando para a posteridade.
Sacha Bali é um sucesso como o mutante Metamorfo. O mesmo pode se dizer de Juliane Trevisol, a enigmática Gór. São uns fofos...
Rômulo Estrela, excelente ator, interpreta Draco, o mutante do fogo. Aqui ele aparece ao lado da namorada.
Marcos Pitombo faz pose de galã para as revistas de TV. Ele é Valente, o mutante que veio do futuro.
Tiago Santiago conta a Felipe Folgosi tudo o que vai acontecer com o seu personagem Beto Montenegro, um policial honesto.
Perfeito Fortuna, Juliane Trevisol e Nanda Ziegler se divertindo a valer. Nesse dia Perfeito estava comemorando o seu aniversário.
Maytê Piragibe é bonita e talentosa. Além de ser uma pessoa adorável. Ela faz a Nati, a policial boazinha que ama Valente. PROMESSAS DE AMOR - Foi uma experiência incrível participar da equipe da novela Os Mutantes, como colaborador do Tiago Santiago. Afinal, foram três novelas seguidas que, juntas, contam uma única história: Caminhos do Coração, Os Mutantes e Promessas de Amor. De qualquer modo, poucos autores na televisão brasileira podem dizer que fizeram três novelas seguidas. E também houve o privilégio de conviver com um grupo de escritores de talento: Doc Comparato, Gibran Dipp, Altenir Silva, Vivian de Oliveira, Maria Cláudia Oliveira, Emilio Boechat e Maria Mariana, que fez apenas a última fase. Tenho aprendido muito com todos eles. Gente que sabe escrever e é apaixonada pelo que faz. O primeiro capítulo da trilogia de realismo fantástico estreou no dia 28 de Agosto de 2007. O último capítulo será apresentado em 3 de Agosto de 2009, caso não tenha adiamento. Ufa!
O que eu mais gostei na trilogia foi a possibilidade de experimentar o uso de efeitos digitais numa telenovela. E nesse sentido o Tiago pegou pesado. Não economizou idéias que permitissem o uso das mais diferentes trucagens. O clima de seriado de aventuras esteve presente todo o tempo na saga dos seres geneticamente modificados pela Doutora Júlia. Acho apenas que a preocupação exagerada com o uso de efeitos interferiu um pouco na dramaturgia. Um dinossauro digital perseguindo um mutante ou uma feérica explosão de automóvel sempre foram mais importantes do que um conflito humano entre os personagens. Às vezes mais importantes do que a lógica da novela.
Alguns personagens foram marcantes. Gór, a mutante com o dom da hipnose revelou uma grande jovem atriz da TV. Juliane Trevisol é incrível! É expressiva e teve uma compreensão muito pessoal do seu personagem. Sacha Bali, o mutante Metamorfo, também é um excelente ator. Enquanto fazia a novela ele dava show no teatro interpretando Charles Bukowski. Gostei muito dos atores desse núcleo, que ainda contava com os bonitões Rômulo Estrela, Rômulo Arantes Neto e Mário Frias. Lindos e talentosos!
Cláudio Heinrich foi uma agradável surpresa fazendo o Danilinho, a biba da novela. Acostumado a sempre interpretar galãs másculos, viris, Heinrich não teve o menor receio em encarar um personagem gay. Pelo contrário. Ele adorava fazer o Danilinho, que era muito popular e recebia muito carinho do público. Outro que vibrou muito fazendo a novela foi o Leonardo Vieria. Ele adorava fazer Marcelo, o policial heróico, que precisava defender a filha, vítima de uma experiência genética feita à sua revelia.
25.6.09
A VIDA COMO ELA É – Um motorista de táxi que circula pela Zona Sul do Rio viveu, semanas atrás, uma experiência digna de uma crônica jornalística. O rapaz dirigia o seu amarelinho pelas ruas de Botafogo quando foi parado por um homem bem vestido, de boa aparência. O sujeito carregava duas malas e pediu para que o motorista colocasse sua bagagem no porta malas do veículo. Prestativo, o motorista atendeu ao pedido do passageiro e colocou a bagagem no porta malas. O homem entrou no banco de trás do veículo e pediu que o motorista o levasse até a Barra da Tijuca. O taxista seguiu dirigindo seu amarelinho em direção a Barra. Estava tudo muito bem até que, num determinado ponto do trajeto, o táxi se deparou com uma blitz policial. Agentes da polícia paravam alguns carros e pediam documentos, usavam bafômetro, etc. e tal. Ao se ver diante da blitz o passageiro, sem dizer uma palavra, abriu a porta do carro e saiu de fininho, sem dizer nem até logo. Surpreso, o taxista viu seu passageiro sumir por entre os carros, através de uma rua perpendicular.
O taxista gelou ao lembrar que o fugitivo havia deixado duas malas dentro do seu carro. Pensou em denunciar o ocorrido a polícia que estava logo à sua frente, mas logo desistiu da idéia quando, através de sinais com a mão, um dos policiais o mandou passar. Afinal, era apenas um táxi vazio, sem passageiro. O taxista seguiu em frente, aliviado por não ter sido parado na blitz, mas curioso para saber o conteúdo das malas que o misterioso passageiro havia deixado no seu carro. Mais adiante, ao se ver numa rua de pouco movimento, parou seu carro, abriu o porta malas e, perplexo, verificou o conteúdo das bagagens. As malas estavam cheias de maconha! Quilos e quilos de maconha haviam sido abandonados dentro do se táxi. O que fazer com tudo aquilo? O trabalhador, cheio de contas para pagar, procurou amigos e vendeu todo o conteúdo da bagagem.
Motoristas de táxi sempre tem histórias curiosas sobre o cotidiano do Rio de Janeiro. Como sou uma pessoa que sabe ouvir, que gosta de ouvir o que os outros tem a dizer, sempre escuto ótimas histórias dos taxistas da cidade. No último verão, um taxista boa praça que sempre me atende, me contou casos deliciosos de suas aventuras pelo trânsito do Rio. Meu táxi driver favorito prefere dirigir à noite, para não ter que se estressar com o caótico trânsito do dia. Além disso, ele diz que à noite pega muitos bêbados, boêmios e doidões. E, segundo ele, esses passageiros dão melhores gorgetas. Certa vez, quando me levava de Ipanema até a Lapa, numa sexta-feira ele me contou um caso incrível.
“Ontem à noite eu fui treze vezes na Ladeira dos Tabajaras”, disse. Para quem não conhece o Rio, a Tabajaras é uma ladeira que vai dar numa favela de Copacabana onde, no verão passado, estava o mais badalado ponto de venda de drogas do Rio de Janeiro. O taxista me contou que, rodando pela Zona Sul do Rio, foi parado treze vezes por pessoas que lhe fizeram o mesmo pedido: Ladeira dos Tabajaras, por favor! Alguns motoristas de táxi não sobem em favelas, mas ele, como é um sujeito bem machão, desses que não tem medo de nada, leva o passageiro para qualquer lugar. Pois bem. Nessa fatídica quinta-feira ele levou treze passageiros até a Ladeira dos Tabajaras. E não eram clientes dele não. Eram passageiros aleatórios, que deram com a mão e pediram para ser levados até a boca. Chegando lá, nem desciam do táxi, compravam o papelote de cocaína pela janela, e depois pediam que o taxista os deixasse no mesmo lugar onde tinham parado o táxi.
Naquele dia ele subiu na Ladeira dos Tabajaras tantas vezes que, na oitava ou nona vez, o traficante armado com um fuzil olhou pra ele, deu uma gargalhada e falou: Tu aqui novamente, taxista? Um dos passageiros que o moço levou até a Ladeira dos Tabajaras foi uma garota de programa. Conversando com ela a passageira contou que estava indo comprar cocaína para o pai. “Meu pai vai fazer setenta anos mês que vem e cheira cocaína todos os dias”, disse a garota, enquanto entregava ao rapaz um cartão com seu telefone.
O Rio de Janeiro continua sendo...
O taxista gelou ao lembrar que o fugitivo havia deixado duas malas dentro do seu carro. Pensou em denunciar o ocorrido a polícia que estava logo à sua frente, mas logo desistiu da idéia quando, através de sinais com a mão, um dos policiais o mandou passar. Afinal, era apenas um táxi vazio, sem passageiro. O taxista seguiu em frente, aliviado por não ter sido parado na blitz, mas curioso para saber o conteúdo das malas que o misterioso passageiro havia deixado no seu carro. Mais adiante, ao se ver numa rua de pouco movimento, parou seu carro, abriu o porta malas e, perplexo, verificou o conteúdo das bagagens. As malas estavam cheias de maconha! Quilos e quilos de maconha haviam sido abandonados dentro do se táxi. O que fazer com tudo aquilo? O trabalhador, cheio de contas para pagar, procurou amigos e vendeu todo o conteúdo da bagagem.
Motoristas de táxi sempre tem histórias curiosas sobre o cotidiano do Rio de Janeiro. Como sou uma pessoa que sabe ouvir, que gosta de ouvir o que os outros tem a dizer, sempre escuto ótimas histórias dos taxistas da cidade. No último verão, um taxista boa praça que sempre me atende, me contou casos deliciosos de suas aventuras pelo trânsito do Rio. Meu táxi driver favorito prefere dirigir à noite, para não ter que se estressar com o caótico trânsito do dia. Além disso, ele diz que à noite pega muitos bêbados, boêmios e doidões. E, segundo ele, esses passageiros dão melhores gorgetas. Certa vez, quando me levava de Ipanema até a Lapa, numa sexta-feira ele me contou um caso incrível.
“Ontem à noite eu fui treze vezes na Ladeira dos Tabajaras”, disse. Para quem não conhece o Rio, a Tabajaras é uma ladeira que vai dar numa favela de Copacabana onde, no verão passado, estava o mais badalado ponto de venda de drogas do Rio de Janeiro. O taxista me contou que, rodando pela Zona Sul do Rio, foi parado treze vezes por pessoas que lhe fizeram o mesmo pedido: Ladeira dos Tabajaras, por favor! Alguns motoristas de táxi não sobem em favelas, mas ele, como é um sujeito bem machão, desses que não tem medo de nada, leva o passageiro para qualquer lugar. Pois bem. Nessa fatídica quinta-feira ele levou treze passageiros até a Ladeira dos Tabajaras. E não eram clientes dele não. Eram passageiros aleatórios, que deram com a mão e pediram para ser levados até a boca. Chegando lá, nem desciam do táxi, compravam o papelote de cocaína pela janela, e depois pediam que o taxista os deixasse no mesmo lugar onde tinham parado o táxi.
Naquele dia ele subiu na Ladeira dos Tabajaras tantas vezes que, na oitava ou nona vez, o traficante armado com um fuzil olhou pra ele, deu uma gargalhada e falou: Tu aqui novamente, taxista? Um dos passageiros que o moço levou até a Ladeira dos Tabajaras foi uma garota de programa. Conversando com ela a passageira contou que estava indo comprar cocaína para o pai. “Meu pai vai fazer setenta anos mês que vem e cheira cocaína todos os dias”, disse a garota, enquanto entregava ao rapaz um cartão com seu telefone.
O Rio de Janeiro continua sendo...
24.6.09


Em educação, não existe distinção de classes.
A VIDA COMO ELA É - Hoje encontrei com uma amiga muito querida numa esquina de Copacabana. “Você já sabe o que aconteceu comigo?” ela me perguntou, já contando seu drama. Sim, um drama. “Minha filha de dezessete anos está grávida!”, disse. É incrível como as adolescentes engravidam durante seus namoricos juvenis. Mesmo aquelas que recebem orientação sexual dos pais. Pois bem! Apesar de toda a orientação e dos cuidados de minha amiga, sua filha engravidou. A questão é que a menina está grávida de trigêmeos!
Trigêmeos!!!
Eu deveria dar parabéns a futura vovó. Mas, na mesma hora em que soube daquela, notícia senti muita pena dela. A mulher não estava preparada nem para um neto e, de repente, vai ser avó de três. Coitada! “Reza por mim”, me pediu ela quando nos despedimos. “Estou pedindo isso a todos os meus amigos. Rezem por mim...”
Eu vou rezar, amiga. Vou rezar...
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