12.4.03




Nada sabe quem não sabe de si mesmo


O lançamento de Diário de um Fescenino, novo livro de Rubem Fonseca, é o acontecimento literário do momento. Mr. Fonseca é um dos poucos escritores brasileiros a carregar em torno de si uma aura de superstar. A cada lançamento de um novo título seus fãs correm para a livraria curiosos para saber qual a nova jogada literária desse que é o verdadeiro mago da literatura brasileira.


Rubem Fonseca é um escritor que eleva a escrita brasileira. Ele sabe contar histórias. Mais do que isso. Ele sabe manipular o leitor com suas palavras, suas histórias e sua narrativa. O sujeito sabe manipular corações e mentes do leitor como um amante sensual que manipula o corpo da mulher amada. Com seus livros o Sr. Fonseca faz a literatura brasileira vibrar, já que seus textos carregam alma e paixão em seu conteúdo.


Durante muitos anos Zé Rubem (como diz Bruna Lombardi) foi incensado pela imprensa brasileira, que sempre reconheceu nele o gênio que verdadeiramente é. De uns anos para cá essa atitude da imprensa mudou. Jornalistas sem muito preparo começaram a fazer críticas ácidas ao escritor. É como se tivesse esgotado o repertório de elogios feito ao longo dos anos e agora, sem mais palavras para elogiar, os críticos tivessem “resolvido” que o Rubem já não é tão bom como antigamente. Que seus livros mais recentes revelam um escritor sem aquela criatividade e o estilo dos bons tempos. Bullshit! Rubem Fonseca continua sendo o que ele sempre foi: Rubem Fonseca. A crítica literária é que é formada por escritores mal humorados, que sentem necessidade em afirmar seu “talento” crítico questionando a escrita de um gênio. Dentre as inúmeras críticas publicadas no lançamento de Diário de um Fescenino a que mais me chamou atenção foi a de Marcelo Rubens Paiva , publicada na Folha de São Paulo. “O crítico” tratou com desprezo e acidez o livro. Não entendi porque tanto fel.


Adoro Rubem Fonseca. AGOSTO foi o livro mais gay que eu já li na minha vida. Tem um personagem, um homem poderoso, que gosta de lutar boxe nu com um negão que é seu amante. VASTAS EMOÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS foi um livro que me deu muito prazer. Eu o saboreei como quem saboreia um sorvete de ameixa com calda de caramelo. Seu conto PIERROT NA CAVERNA, publicado no livro O COBRADOR, já vale por toda uma carreira de escritor. No que depender de mim Mr. Fonseca sempre será aplaudido de pé.


Mas tem uma coisa muito especial que eu adoro em RUBEM FONSECA. Com o mesmo empenho e talento com que ele escreveu seus livros ele fez seus filhos. Rubem Fonseca merecia um prêmio Nobel por ter feito filhos como Jose Henrique e Zeca Fonseca. São os homens mais lindos, chiques, charmosos, gentis e elegantes do Rio de Janeiro. São verdadeiros monumentos à masculinidade carioca. Quando eles chegam nos lugares parece que a vida se torna mais bela e iluminada.


Eu estudei jornalismo na PUC na mesma época que o Zeca Fonseca. Estudávamos em salas diferentes, mas eu sempre o encontrava pelos corredores ou no pilotis. Ele sempre acompanhado da sua namorada, Rita, uma jovem belíssima, com quem ele casou, teve filhos. Depois ela se tornou uma amiga muito querida. Às vezes eu encontrava com ele no elevador da faculdade e só faltava morrer. Lindo, sexy, elegante e gentil. Eu ficava super feliz quando ele me cumprimentava. Pois, além de tudo, ele sempre foi um rapaz educado. Na época eu não sabia que ele era filho do Rubem Fonseca, apesar de já ser fã do pai dele. Só anos depois, eu soube que o rapaz mais bonito do meu tempo de faculdade era filho do escritor que eu mais admirava.

Madonna vem aí...

 

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