9.10.09

OUTUBROEnquanto leio a Fenomenologia de Espírito, de Hegel, escuto sem parar o CD Yes, da dupla Pet Shop Boys. A música suave e vibrante das bibas inglesas ajuda a aliviar o sofrimento que a filosofia hegeliana me provoca. Estudar Hegel é mergulhar no sofrimento. Filosofar, para esse ícone do pensamento alemão, é sentir dor. É caminhar por uma estrada cheia de cacos de vidro, com um punhal enfiado nas costas. Por isso que eu adoro Platão, para quem filosofar é sentir prazer. Outro dia eu estava com um grupo de colegas no corredor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, quando o professor Rafael Haddock-Lobo nos chamou para entrar na sala de aula com a seguinte frase: “Vamos sofrer, moçada?”


O professor Rafael Haddock-Lobo é uma figura. Charmoso e elegante, é ele quem decifra para nós, alunos, o pensamento sombrio de Georg Friederich Hegel. Mas, ao contrário do seu filósofo-fetiche, o professor Rafael é alto astral e muito bem humorado. Ele sempre faz comentários irônicos sobre as idéias do pensador alemão e, muitas vezes consegue provocar gargalhadas em seus alunos.


Ler o texto de Hegel exige um esforço intelectual absurdo. A narrativa de suas idéias é feita de um modo excessivamente rebuscado, gótico, dark, sombrio. Quando o leitor consegue decifrar aquilo tudo, consegue perceber conceitos inteligentes de um pensador apurado. Ao mesmo, tudo é um grande exercício de vaidade intelectual. “Estão vendo como eu sou inteligente?”, parece perguntar Hegel, nas entrelinhas de seu tratado filosófico.



Uma coisa que eu percebi desde que decidi mergulhar nas águas profundas da filosofia é que a vaidade intelectual é uma aliada constante dos grandes pensadores e seus discípulos. Para quem, como eu, sempre circulou nos bastidores do mundo da moda ou no universo fútil da indústria de telenovelas, foi um choque perceber que, no que diz respeito à vaidade humana, esses ambientes são idênticos. Nesse aspecto não existe diferença nenhuma entre Georg Hegel e Lenny Niemeyer. Estudando a Fenomenologia do Espírito consigo perceber em Hegel o mesmo exibicionismo que existe, por exemplo, numa estrela vulgar como a Mulher Melancia. Ele tem idéias brilhantes, um pensamento sofisticado e conceitos com conteúdo. Mas, ao expor sua filosofia, sua vaidade intelectual se coloca mais importante que suas idéias.


ASSIM FALOU HEGEL - Segundo uma representação natural, a filosofia, antes de abordar a Coisa mesma – ou seja, o conhecimento efetivo do que é, em verdade, necessita primeiro pôr-se de acordo sobre o conhecer, o qual se considera ou um instrumento com que se domina o absoluto, ou um meio através do qual o absoluto é contemplado.


Parece correto esse cuidado, pois há, possivelmente, diversos tipos de conhecimento. Alguns poderiam ser mais idôneos que outros para a obtenção do fim último, e por isso seria possível uma falsa escolha entre eles. Há também outro motivo: sendo o conhecer uma faculdade de espécie e de âmbito determinados, sem uma determinação mais exata de sua natureza e de seus limites, há o risco de alcançar as nuvens do erro em lugar do céu da verdade.


Ora, esse cuidado chega até a transformar-se na convicção de que constitui um contra-senso, em seu conceito, todo empreendimento visando conquistar para a consciência o que é em si, mediante o conhecer; e que entre o conhecer e o absoluto passa uma nítida linha divisória. Pois, se o conhecer é o instrumento para apoderar-se da essência absoluta, logo se suspeita que a aplicação de um instrumento não deixe a Coisa tal como é para si, mas com ele traga conformação e alteração. Ou então o conhecimento não é instrumento de nossa atividade, mas de certa maneira um meio passivo através do qual a luz da verdade chega até nós; nesse caso também não recebemos a verdade como é em si, mas como é nesse meio e através dele. (Introdução da Fenomenologia do Espírito)

30.9.09


O corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos são os cavalos. [ Platão ]

CONHECIMENTO É SENSAÇÃO! – A verdade existe? O que é conhecimento? O que significa o saber? De onde veio o homem? Qual o futuro da humanidade? Deus realmente existe? Essas questões, tão profundas quanto irrelevantes, ecoam pelas escadarias e corredores do histórico prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Nas salas de aula, alunos e professores se debruçam sobre a vida e obra dos grandes filósofos para tentar decifrar o significado da vida além do entendimento humano. Hegel, Descartes, Spinoza, Nietzsche, Berkeley, Kant, Platão... Os grandes nomes da filosofia são dissecados por um naipe de professores inteligentes e bem preparados. Gente apaixonada pela filosofia e que oferece a seus alunos o fino do pensamento inteligente e sofisticado. É relevante que uma Universidade pública ofereça gratuitamente tal nível de ensino.


“O ambiente universitário é uma delícia!”, me disse outro dia minha querida e adorada Hildegard Angel, com sua jovialidade natural. Concordo com Hildezinha. O ambiente universitário é maravilhoso. É gratificante encontrar nos corredores, no pátio do andar térreo, nas escadarias, na cantina ou na biblioteca, alunos e professores discutindo ou estudando teorias e pensamentos dos grandes filófosos da humanidade. É um tal de Kant disse isso, Foucault falou aquilo, Sartre defendeu tal tese, Deleuze criticou tal teoria... Há uma vibração muito forte no ar, de corações e mentes tentando decifrar o significado do conhecimento.

Conhecimento é uma crença verdadeira justificada! Essa é a conclusão a que chega Platão num dos seus mais brilhantes textos: Teeteto. É esse famoso diálogo platonista que está sendo estudado na aula de Teoria do Conhecimento, com o Professor Alberto Oliva. Teeteto narra o encontro do velho filósofo Sócrates, com um jovem adolescente, o Teeteto do título. Sócrates que se auto intitula um parteiro de idéias, tem com seu pupilo uma longa conversa sobre conhecimento e sabedoria no que tange as relações humanas. Os diálogos são brilhantes. O velho Sócrates catequiza e questiona o jovem, que demonstra grande admiração por aquele homem considerado um sábio por toda a Grécia. Questões muito delicadas da existência humana são discutidas nesse apaixonante texto de Platão. Mas, o que mais me fascinou ao ler esse texto, é que por trás de toda a sofisticação de pensamento, por trás de todo o brilhantismo intelectual, o que existe entre Sócrates e Teeteto é uma pegação. Um sensual jogo de sedução. Sócrates é uma bichona culta que, para conquistar o bofe, usa seu preparo intelectual como trunfo. É fascinante a sutileza com que esse jogo de sedução é colocado na peça literária. É uma pena que esse aspecto do texto, o jogo de sedução entre os personagens, não seja discutido em aula. Apenas a alta filosofia de Sócrates é discutida. Mas eu penso que a baixa filosofia é tão interessante quanto...

Terpsião, um velho amigo de Sócrates, define Teeteto, muitos anos depois do encontro deste com Sócrates, como “um homem e tanto”. É Teodoro, um geômetra, quem apresenta Teeteto a Sócrates. E antes da apresentação ocorre o seguinte diálogo entre as duas bibas da Grécia antiga.

SócratesOra, és tu quem reúne à tua volta o maior número de rapazes, e com razão, não só pelo merecimento próprio, como pela atração pela geometria. Por isso, caso tenhas encontrado algum jovem digno de menção, com muito prazer ouvirei o que disseres.

TeodoroEfetivamente, Sócrates, vale tanto a pena eu falar como ouvires a respeito de um adolescente que descobri entre vossos concidadãos. Se se tratasse de um belo rapaz, teria medo de manifestar-me, para não pensarem que eu o fazia como apaixonado. Porém a verdade – sem querer ofender-te – é que el não é nada belo; parece-se contigo...

Noutro momento de grande beleza do diálogo platonista Sócrates se dirige ao bofe e fala da sua função de guru intelectual, de professor e sábio:

SócratesA minha arte obstétrica tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto. Porém a grande superioridade da minha arte consiste na faculdade de conhecer de pronto se o que a alma dos jovens está na iminência de copnceber é alguma quimera e falsidade ou fruto legítimo e verdadeiro. (...) Todavia, Teeteto, os que não me parecem fecundos, quando eu chego à conclusão de que não necessitam de mim, com a maior boa-vontade assumo o papel de casamenteiro e, graças a Deus, sempre os tenho aproximado de quem lhes possa ser de mais utilidade. (...) Entrega-te, pois, a mim, como a filho de uma parteira que também é parteiro, e quando eu te formular alguma questão, procura responder a ela do melhor modo possível.


Na sua tentativa de seduzir o bofinho Sócrates mostra que, por mais que se tente caracterizar e definir o que é conhecimento, por mais que se tente formular um conceito sobre conhecimento, é impossível chegar a uma definição precisa. “Conhecimento é sensação”, tenta definir Teeteto, ao que Sócrates chama de “bela e corajosa definição”, antes de contestar habilmente os argumentos do pupilo que está prestes a seduzir.

Platão é o meu ídolo!
Menino do Rio, calor que provoca arrepio!


O Posto Nove, como sempre, um pedaço do paraíso.


A bola tem que estar sempre no alto. Essa é a filosofia do altinho.


Como disse, a bola tem que estar sempre no alto...



Liberdade é obediência às leis que a pessoa estabeleceu para si própria.


LEITURA OBRIGATÓRIA – Queria recomendar a todos os meus leitores o blog do jornalista Marcio Gomes, que assina simplesmente Marcio G. O blog é muito divertido, tem informação, cultura e oferece fartas doses de humor e veneno aos seus seguidores. E humor e veneno são essenciais, não é mesmo? Generoso, Marcio recomenda o blog do Waldir Leite, elogia as fotos e sugere legendas nas mesmas. Como muito em breve ele vai ser meu Editor, vou seguir sua recomendção e, a partir de agora, as fotos serão legendadas. Adoro o Marcio! O blog dele está nesse link:


http://marciog.blogspot.com/


Quem também elogia e recomenda esse blog é Beto W, o divertido colunista do Paraná. Seu blog chama-se Escritor de Contos e nele Beto publica crônicas, notas, comentários e, claro, contos. Além de fotos irreverentes e picantes. Vale a pena dar uma conferida. O endereço é:




Curiosamente, o link entre o blog do Marcio G e o Escritor de Contos foi a série de fotos sobre a Parada Militar. As fotos dos militares são um sucesso de público e de crítica. Seria tão bom que eles voltassem ao poder, não é mesmo? Em breve serão publicadas mais fotos inéditas. Enquanto isso veja no You tube os clipes da parada:



http://www.youtube.com/watch?v=migLhTCdZc8


28.9.09














CISNE BRANCO
(Hino da Marinha de Guerra do Brasil)

Qual cisne branco que em noite de lua
Vai deslizando no lago azul
O meu navio também flutua
Nos verdes mares de norte a sul
Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso

Quanta alegria nos traz a volta
À nossa pátria do coração
Estava cumprida a nossa derrota
Temos cumprido nossa missão
Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso

Qual linda garça
Que aí vai cruzando os ares
Vai navegando sob um belo céu de anil
Minha galera também vai cortando os mares
Os verdes mares, os mares verdes do Brasil

Quanta alegria nos traz a volta
À nossa pátria do coração
Estava cumprida a nossa derrota
Temos cumprido nossa missão
Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso.


24.9.09








NOITES CARIOCAS - O elegante bar do Hotel Sofitel, no Posto Seis, tem uma bela localização. A varanda se debruça sobre a Avenida Atlântica, com aquele incrível visual de Copacabana. Foi lá que minha querida amiga Andréia Jantsch comemorou seu aniversário. Ótimos drinques, gente bonita e disponível, boa música... Uma noite divertida e alto astral... Com minha inseparável câmera registrei algumas imagens da noitada...

23.9.09












FUI A RECIFE E ESCAPEI DOS TUBARÕES - Nem só de ataques de tubarões vive a Praia de Boa Viagem. Os atletas aspirantes dos mais importantes times de futebol de Pernambuco usam a praia para fazer sua preparação física. De uniforme verde, os jogadores do Sport Clube Recife fazem corrida e exercícios na areia. De uniforme vermelho os jovens atletas do Clube Náutico Capibaribe são orientados pelo preparador físico. Sport e Náutico é o Fla x Flu de Pernambuco. No estádio de futebol. E na areia da praia.

13.9.09












Nos jornais sempre leia primeiro a página de esportes, que registra os triunfos das pessoas. A primeira página não diz nada além dos fracassos do homem.



Zagueiro (Jorge Ben Jor)


Arrepia, zagueiro
Zagueiro
Limpa a área, zagueiro
Zagueiro
Sai jogando, zagueiro
Zagueiro

Ele é um zagueiro
É o anjo da guarda da defesa
Mas para ser um bom zagueiro
Não pode ser muito sentimental
Tem que ser sutil e elegante
Ter sangue frio
Acreditar em si
E ser leal

Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou joga
a bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato

Tem que ser ciumento
E ganhar todas as divididas
E não deixar sobras pra ninguém
Tem que ser o rei e o dono da área
Nessa guerra maravilhosa de 90 minutos
De 90 minutos

Arrepia, zagueiro
Zagueiro
Limpa a área, zagueiro
Zagueiro
Sai jogando, zagueiro
Zagueiro

Madonna vem aí...

 

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