LEITURA OBRIGATÓRIA - O Jardim dos Finzi-Contini, de Giorgio Bassani (1916 - 2000), é uma das obras-primas da novelística italiana do século passado. A história do amor irrealizado entre o personagem principal, autor da narrativa, e a bela judia Micòl Finzi-Contini se inscreve na evolução de um cenário idílico que se desagrega com o advento do fascismo na Itália e o início da Segunda Guerra Mundial. Em 1970, o livro foi levado ao cinema com enorme sucesso, numa bela adaptação do premiado diretor italiano Vittorio de Sica. Agora está voltando as livrarias com tradução de Paulo Andrade Lemos, na Coleção Grandes Traduções.
O italiano Giorgio Bassani foi um dos novelistas mais importantes de sua geração e O Jardim dos Finzi-Contini é considerado sua obra-prima. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, enquanto o nazismo e o fascismo avançavam pela Europa, a aristocrática família Finzi-Contini insiste em tentar ignorar o crescente preconceito contra os judeus. Os irmãos Alberto e Micòl continuam protelando a formatura: ocupam o tempo realizando competições de tênis com os amigos na quadra de sua bela casa; os pais, por sua vez, fingem não notar o avanço da doença de Alberto, que enfraquece a cada dia.
O destino trágico da família é relatado por Bassani já no início do romance: Alberto falece em 1942; Micòl e os outros são deportados para a Alemanha e mortos em um campo de concentração nazista. A propriedade dos Finzi-Contini, incluindo o jardim, permanece, mesmo degradada pelo tempo e pela falta de cuidado, como um símbolo concreto das lembranças do narrador.
O protagonista se apaixona por Micòl; e é nesse momento que o personagem parece agir do mesmo modo cego dos Finzi-Contini, deixando-se levar por ilusões, freqüentemente enganando-se e fingindo não ver a realidade. Micòl aparece aos olhos do leitor como um misto de espontaneidade, mistério e beleza: suas atitudes demonstram um amor pela vida e ao mesmo tempo uma adoração do passado, tal qual o narrador. Suas ações, repentinas e surpreendentes, compõem uma personalidade única e encantadora.
Romance autobiográfico de Giorgio Bassani, O Jardim dos Finzi-Contini narra os momentos de convivência do autor com a família, seja apenas observando-a de longe no Templo judaico, ainda quando criança, seja freqüentando, já mais velho, a casa que tanto o encantava.
Giorgio Bassani nasceu em Bolonha em 1916, mas passou a infância e a juventude em Ferrara. De origem judia, foi obrigado, vítima de leis raciais, a publicar seu primeiro livro sob o pseudônimo de Giacomo Marchi. Militante antifascista, foi preso em 1943. Ao fim da guerra, trabalhou como roteirista e ator de cinema e mais tarde filiou-se ao partido socialista. Faleceu em 13 de abril em 2000, na cidade de Roma, onde há muito residia.
3.5.08
30.4.08
OS BOFES PREFEREM OS TRAVESTIS – Primeiro foi o galã Rômulo Arantes Neto, o André de Malhação; depois foi o ator Gabriel Braga Nunes; agora foi a vez de Ronaldo Fenômeno. Nos últimos meses três dos mais cobiçados homens brasileiros foram flagrados com as calças na mão em escândalos sexuais envolvendo travestis. O que será que têm os travestis que os homens tanto gostam? “Vinte centímetros”, diria a tal de Andréa Albertino, com quem o jogador brasileiro foi para o motel. E esses citados não foram os únicos. Quando esteve no Brasil, na época do Rock In Rio, o cantor Billy Idol subiu para o hotel onde estava hospedado com um travesti que estava fazendo ponto no Posto Seis. O jogador Giba, do Vôlei, já foi flagrado na Avenida Atlântica convidando uma loura da voz grossa para subir com ele no seu hotel.
O melhor desse caso do Ronaldo com o travesti é que o Brasil parou um pouco de falar no caso da menina que foi atirada pela janela. O assunto da hora mudou de repente. Saiu a tragédia grega paulista da menina assassinada pelo pai e pela madrasta, e entrou a divertida chanchada de Ronaldo e seu travesti que, afinal de contas, é uma história mais parecida com o Brasil.
Esse programa feito pelo craque Ronaldo Fenômeno no último domingo, que resultou na confusão numa delegacia, é um programa típico do machão brasileiro. Um programa clássico do chamado “rapaz de família”. Ora, vejamos. Assistir ao futebol à tarde com os amigos no estádio. Comemorar a vitória do seu time com muita virilidade. Depois sair com a namorada, jantar, ir à boate, fazer um agrado à patroa. Depois, deixar a namorada em casa e voltar à rua para fazer um programa com um travesti. Mais brasileiro do que isso, impossível. Atire a primeira pedra o machão que nunca aprontou uma dessas.
Os machões adoram travestis. Não são os gays quem procuram os travecos. Os clientes dos travestis são os rapazes de família, os homens casados, os pitboys invocados, os esportistas, os senhores distintos. Eles são fascinados por essa figura mítica que, na verdade, é uma mulher com pau. É essa condição dos travestis que mexe com as fantasias sexuais dos homens: o poder e o exotismo de ser uma mulher que tem pau. Para o macho latino-americano a mulher com pau é um ícone do seu imaginário erótico.
Quanto a Ronaldo Fenômeno, o episódio com os travestis é mais uma página da sua imatura vida sexual. Não é a primeira vez que a vida amorosa do Fenômeno lhe causa constrangimento público. Não podemos esquecer que já perdemos uma Copa do Mundo por causa de sua falta de educação sentimental. Quando ele passou mal depois de saber que a sua namorada estava tendo um caso com um jornalista. Em sociedade tudo se sabe.
O melhor desse caso do Ronaldo com o travesti é que o Brasil parou um pouco de falar no caso da menina que foi atirada pela janela. O assunto da hora mudou de repente. Saiu a tragédia grega paulista da menina assassinada pelo pai e pela madrasta, e entrou a divertida chanchada de Ronaldo e seu travesti que, afinal de contas, é uma história mais parecida com o Brasil.
Esse programa feito pelo craque Ronaldo Fenômeno no último domingo, que resultou na confusão numa delegacia, é um programa típico do machão brasileiro. Um programa clássico do chamado “rapaz de família”. Ora, vejamos. Assistir ao futebol à tarde com os amigos no estádio. Comemorar a vitória do seu time com muita virilidade. Depois sair com a namorada, jantar, ir à boate, fazer um agrado à patroa. Depois, deixar a namorada em casa e voltar à rua para fazer um programa com um travesti. Mais brasileiro do que isso, impossível. Atire a primeira pedra o machão que nunca aprontou uma dessas.
Os machões adoram travestis. Não são os gays quem procuram os travecos. Os clientes dos travestis são os rapazes de família, os homens casados, os pitboys invocados, os esportistas, os senhores distintos. Eles são fascinados por essa figura mítica que, na verdade, é uma mulher com pau. É essa condição dos travestis que mexe com as fantasias sexuais dos homens: o poder e o exotismo de ser uma mulher que tem pau. Para o macho latino-americano a mulher com pau é um ícone do seu imaginário erótico.
Quanto a Ronaldo Fenômeno, o episódio com os travestis é mais uma página da sua imatura vida sexual. Não é a primeira vez que a vida amorosa do Fenômeno lhe causa constrangimento público. Não podemos esquecer que já perdemos uma Copa do Mundo por causa de sua falta de educação sentimental. Quando ele passou mal depois de saber que a sua namorada estava tendo um caso com um jornalista. Em sociedade tudo se sabe.
29.4.08
NEGÓCIO DA CHINA - Nascida em Pequim no ano da Revolução Cultural, Diane Wei Liang exilou-se nos Estados Unidos após participar dos protestos na Praça da Paz Celestial. Atualmente morando em Londres, sua China natal está presente de forma indelével em sua estréia literária. O Olho de Jade apresenta, em cores vivas, todo o cenário da multifacetada Pequim: desde a sordidez dos cassinos clandestinos e bares de periferia até o esplendor da Cidade Proibida. Um retrato fascinante da vida urbana na China moderna.
Neste policial, Diane Wei Liang examina as relações, por vezes conflituosas, entre o violento passado comunista da China de Mao e seu presente como potência econômica. Mei Wang é uma chinesa moderna e independente. Além de ser a primeira mulher a se tornar detetive particular em Pequim, tem um carro de luxo e uma das mais ousadas comodidades da nova China: um assistente do sexo masculino.
Um dia, Chen Jitian, a quem ela chama de “tio” por se tratar de um velho amigo da família, vem à sua procura com um importante pedido: encontrar um valioso jade da dinastia Han. A pedra havia sido roubada de um museu durante os anos da Revolução Cultural, quando a Guarda Vermelha tinha como missão destruir todo e qualquer vestígio do passado.
As investigações da detetive, contudo, revelam uma trama intimamente ligada com o passado da própria família Wang. Mei se vê então obrigada a mergulhar numa parte sombria e brutal da história da China, marcada pelos campos de trabalhos forçados de Mao Tsé-tung e pela matança impune, bem como a refletir sobre as escolhas terríveis que se impunham a muitos: matar ou ser morto, amar ou sobreviver.
Diane Wei Liang nasceu em Pequim. Passou parte da infância com os pais num campo de trabalhos forçados numa região remota da China. Na década de 1980, quando estudava na Universidade de Pequim, participou do Movimento Estudantil pela Democracia e dos acontecimentos da Praça da Paz Celestial. Diane é doutora em administração pela Universidade Carnegie Mellon e lecionou por mais de dez anos nos Estados Unidos e na Inglaterra. Atualmente mora em Londres com o marido e os dois filhos. Da autora, a Editora Record publicará em breve o livro de memórias Lake with No Name e o romance Paper Butterfly.
Neste policial, Diane Wei Liang examina as relações, por vezes conflituosas, entre o violento passado comunista da China de Mao e seu presente como potência econômica. Mei Wang é uma chinesa moderna e independente. Além de ser a primeira mulher a se tornar detetive particular em Pequim, tem um carro de luxo e uma das mais ousadas comodidades da nova China: um assistente do sexo masculino.
Um dia, Chen Jitian, a quem ela chama de “tio” por se tratar de um velho amigo da família, vem à sua procura com um importante pedido: encontrar um valioso jade da dinastia Han. A pedra havia sido roubada de um museu durante os anos da Revolução Cultural, quando a Guarda Vermelha tinha como missão destruir todo e qualquer vestígio do passado.
As investigações da detetive, contudo, revelam uma trama intimamente ligada com o passado da própria família Wang. Mei se vê então obrigada a mergulhar numa parte sombria e brutal da história da China, marcada pelos campos de trabalhos forçados de Mao Tsé-tung e pela matança impune, bem como a refletir sobre as escolhas terríveis que se impunham a muitos: matar ou ser morto, amar ou sobreviver.
Diane Wei Liang nasceu em Pequim. Passou parte da infância com os pais num campo de trabalhos forçados numa região remota da China. Na década de 1980, quando estudava na Universidade de Pequim, participou do Movimento Estudantil pela Democracia e dos acontecimentos da Praça da Paz Celestial. Diane é doutora em administração pela Universidade Carnegie Mellon e lecionou por mais de dez anos nos Estados Unidos e na Inglaterra. Atualmente mora em Londres com o marido e os dois filhos. Da autora, a Editora Record publicará em breve o livro de memórias Lake with No Name e o romance Paper Butterfly.
CINEMA É A MELHOR DIVERSÃO - Aos 20 e poucos anos, após ter trabalhado num estúdio em Hollywood, lido centenas de textos e assistido a milhares de filmes, Kevin Conroy Scott resolveu escrever seu próprio roteiro. Uma comédia detetivesca, onde um homem de 42 anos, ainda vivendo com os pais, achava ser o Magnum. O texto jamais saiu da gaveta. Mais maduro - com mestrado em história de cinema -, ele ainda estava interessado na arte de escrever para cinema. E ainda não sabia por onde começar.
Imaginou, então, um livro no qual os roteiristas aspirantes poderiam aprender sobre o ofício com profissionais que analisariam sua obra. O resultado está em Lições de Roteiristas, que reúne entrevistas com 21 dos mais importantes roteiristas da atualidade, tanto de Hollywood quanto dos estúdios europeus. Com textos leves, Kevin penetra nos bastidores de filmes como O silêncio dos inocentes e Três reis. Ele focaliza um único filme do corpo da obra de cada escritor. Assim, se aprofunda no processo criativo da obra e revela os métodos individuais de trabalho de cada um.
Em vez de estudar cuidadosamente esquemas da história ou avaliar arquétipos míticos, Kevin permite ao roteirista o espaço para comentar o que funcionou ou não no filme pronto; por que isso aconteceu e como ele conduziu o esmerado processo de criar um mundo tridimensional saído de imagens vistas anteriormente apenas dentro da privacidade de sua própria mente. “Quanto mais eu pensava sobre a idéia, mais ela me atraía. Aula Magna de Roteiristas poderia oferecer uma abordagem inovadora à tarefa subjetiva de aprender a profissão de roteirista”, conta.
As entrevistas de Lições de Roteiristas dão esperança aos estudantes de cinema; conhecimento aos roteiristas aspirantes; fofocas de bastidores aos entusiastas cinematográficos e, aos roteiristas profissionais, um padrão com o qual possam medir a si próprios. O mais importante é que este livro se empenha em tratar os roteiristas como artistas, algo que muitas vezes é esquecido em meio à transposição das palavras em imagens e à eterna batalha pelos créditos na tela.
Kevin Scott Conroy começou sua carreira no setor de correspondências da New Line Cinema, antes de se tornar editor dos roteiros da empresa. Escreveu e dirigiu dois curtas-metragens e atualmente trabalha como agente literário e jornalista freelancer, escrevendo sobre cinema. São analisados no livro os eguintes filmes:
Ted Tally - O silêncio dos inocentes
Lisa Cholodenko - High art
Carlos Cuarón - E sua mãe também
Chris Weitz - Um grande garoto
Michael Haneke - Código desconhecido
Wes Anderson - Três é demais
Darren Aronofsky - Réquiem para um sonho
Patrick McGrath - Spider Desafie sua mente
Alex Garland - Extermínio
Michael Tolkin - Loucuras de um divórcio
Scott Frank - Irresistível paixão
Alexander Payne e Jim Taylor - A eleição
Lukas Moodysson - Bem-vindos
Paul Laverty - Sweet sixteen
Fernando León de Aranoa - Segunda-feira ao sol
David O. Russel - Três reis
François Ozon - Sob a areia
Robert Wade e Neal Purvis - 007-Um novo dia para morrer
Guillermo Arriaga - Amores brutos
Imaginou, então, um livro no qual os roteiristas aspirantes poderiam aprender sobre o ofício com profissionais que analisariam sua obra. O resultado está em Lições de Roteiristas, que reúne entrevistas com 21 dos mais importantes roteiristas da atualidade, tanto de Hollywood quanto dos estúdios europeus. Com textos leves, Kevin penetra nos bastidores de filmes como O silêncio dos inocentes e Três reis. Ele focaliza um único filme do corpo da obra de cada escritor. Assim, se aprofunda no processo criativo da obra e revela os métodos individuais de trabalho de cada um.
Em vez de estudar cuidadosamente esquemas da história ou avaliar arquétipos míticos, Kevin permite ao roteirista o espaço para comentar o que funcionou ou não no filme pronto; por que isso aconteceu e como ele conduziu o esmerado processo de criar um mundo tridimensional saído de imagens vistas anteriormente apenas dentro da privacidade de sua própria mente. “Quanto mais eu pensava sobre a idéia, mais ela me atraía. Aula Magna de Roteiristas poderia oferecer uma abordagem inovadora à tarefa subjetiva de aprender a profissão de roteirista”, conta.
As entrevistas de Lições de Roteiristas dão esperança aos estudantes de cinema; conhecimento aos roteiristas aspirantes; fofocas de bastidores aos entusiastas cinematográficos e, aos roteiristas profissionais, um padrão com o qual possam medir a si próprios. O mais importante é que este livro se empenha em tratar os roteiristas como artistas, algo que muitas vezes é esquecido em meio à transposição das palavras em imagens e à eterna batalha pelos créditos na tela.
Kevin Scott Conroy começou sua carreira no setor de correspondências da New Line Cinema, antes de se tornar editor dos roteiros da empresa. Escreveu e dirigiu dois curtas-metragens e atualmente trabalha como agente literário e jornalista freelancer, escrevendo sobre cinema. São analisados no livro os eguintes filmes:
Ted Tally - O silêncio dos inocentes
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