28.8.10

O PRAZER DE LER – Tive o prazer de entrevistar o escritor Zeca Fonseca para o site do jornalista Sidney Rezende, um dos mais populares sites jornalísticos da web. Tentei provocar ao máximo o escritor Zeca e consegui dele algumas tiradas dignas de nota. O que mais gostei foi o modo como ele definiu a relação entre homens e mulheres no século 21. “Comparo o heterossexualismo ao rádio: vai sobreviver às novas mídias, mas vai ser lentamente relegado ao ostracismo”. Leia a íntegra da entrevista clicando no link abaixo:
Sou apaixonado por livros e escritores. E quando digo escritores, me refiro àqueles que escrevem livros. Sem nenhum preconceito com relação aos que escrevem peças de teatro, roteiros de cinema, poesias ou novelas de TV. Mas é que, desde sempre, o livro exerceu um fascínio, um poder especial sobre a minha personalidade. Antes de conhecer o cinema, a TV ou o teatro, eu conheci o livro. E foi paixão à primeira vista.


Uma das minhas mais gratificantes experiências profissionais foi o período em que eu fazia resenhas e crítica literária para o Caderno B, do Jornal do Brasil. Como eu amava fazer aquele trabalho! Como eu me sentia realizado com aquilo. Um dos momentos mais felizes do meu trabalho como jornalista foi quando fiz a resenha de um livro chamado Um bom lugar para morrer, de James Buchan. Eu gostei muito do livro, fiquei entusiasmado com o que li e escrevi uma resenha enorme. Ficou grande mesmo. Eu sabia que estava grande. E os editores costumam cortar os textos quando eles ficam grandes. É o trabalho deles: editar. Pois bem. Meu editor na época, o Ziraldo, publicou o texto integralmente. “Eu ia editar teu texto, fazer uns cortes, mas a tua resenha ficou tão boa que resolvi publicar assim mesmo”. Foi um dos dias mais felizes do meu tempo de JB.


Noutra ocasião eu escrevi, aqui mesmo no blog, uma resenha sobre o livro de Toby Young, Como fazer inimigos e alienar pessoas. Eu me diverti muito lendo o livro, publiquei trechos e recomendei a leitura aos freqüentadores desse blog. Dias depois encontrei meu querido amigo Júnior de Paula e ele me disse que depois de ler meus comentários no blog havia comprado o livro e estava adorando. Vibrei com a capacidade do meu blog de influenciar pessoas. Principalmente um cara inteligente e sofisticado como o Júnior, que está se preparando para ser diplomata.


Como fazer inimigos e alienar pessoas é um livro sobre os bastidores da imprensa americana. O autor foi editor assistente da Vanity Fair (minha revista favorita). Então é um livro sobre os bastidores da mais sofisticada e elegante revista de cultura e comportamento dos Estados Unidos. Ele fala da sua relação com o todo poderoso Graydon Carter, editor da revista e narra, com saborosas doses de veneno, o cotidiano dos bastidores de Hollywood. É inteligente e divertido. (Alguém pode lembrar de O diabo veste Prada, que é sobre os bastidores da revista Vogue. Acontece que o livro de Toby Young foi publicado antes. E é mil vezes melhor.)


Raimundo Carrero é outro escritor que tive a oportunidade de entrevistar para o site do Sidney Rezende, logo depois que ele foi agraciado com o Prêmio São Paulo de Literatura, o mais importante prêmio literário do Brasil. Uma espécie de Prêmio Nobel da literatura brasileira. Foi uma premiação justa. Ninguém mais do que Raimundo Carrero merecia essa honraria. Leia a entrevista clicando no link abaixo:


http://www.sidneyrezende.com/tag/livros



18.8.10


Maria Paula mostra a capa do livro Pandemonium. A foto é do próprio Zeca Fonseca e o modelo é o cantor Paulinho Moska.


"Que bom que você veio meu amigo."


Beijando Rita, a mãe do seu filho José, sorrindo ao fundo.

A grande atriz Anna Cotrim e o grande escritor Zeca Fonseca.

Zeca com a cunhada Claudia Abreu e com a sobrinha Maria.

Uma dupla de bonitões: José e Paulo, netos do escritor Rubem Fonseca.

Bia Correia do Lago entre o irmão Zeca e o filho Antônio Pedro.

Zeca ficou feliz com a presença do Ivan Santanna.

Fiquei emocionado ao fazer essa foto. Zeca e Rita foram meus colegas de faculdade. Eles formavam o casal mais charmoso dos meus tempos da PUC. Na verdade, eles sempre foram uma das lembranças mais presentes do meu tempo de estudante. E agora, tempos depois, eles estavam ali, com o filho José.

A livraria Argumento e seus livros de arte.

João Ubaldo Ribeiro fez questão de um autógrafo do Zeca.

Trio de bonitões. Os irmãos Fonseca e um amigo de infância.

Zeca resume sua história para Leilane Neuberth.




A DROGA DO AMOR - O que mais chamou minha atenção na noite de autógrafos do livro Pandemonium foi a felicidade do autor. Zeca Fonseca esbanjava “joie de vivre”, alegria de viver. E sua alegria contagiava o ambiente. E contagiava seus fãs e amigos que foram adquirir um exemplar autografado. Eu já vi aquela expressão estampada no rosto de outros homens. Mas sempre quando nasciam seus filhos. Publicar um livro não deixa de ter esse sentido. É como se o autor estivesse dando à luz!


Pandemonium é muito bem editado. O livro está bonito. Papel de boa qualidade, uma capa bonita, um design cheio de charme. Não resisti e li o primeiro capítulo na própria livraria. “Isso aqui é puro Nabokov”, pensei, enquanto saboreava uma taça de suco de maracujá, a “fruit de la passion”, como dizem os franceses. Na data de lançamento, 17 de Agosto, se comemora o dia do amor. E eu que nem sabia que o amor tinha um dia para ser comemorado.


Que bom que você veio, meu amigo”, me disse Zeca, com um abraço carinhoso, assim que cheguei à livraria. Entre um autógrafo e outro, a gente conseguiu conversar um pouco. Eu comentei sua atuação, na noite anterior, no Programa do Jô Soares. Demos boas risadas lembrando das piadas do Jô. E Zeca me contou que no final do ano vai publicar um livro infantil. “Eu acho que estou com um estigma de escritor de livros eróticos”, comentou, mas eu disse para ele não se preocupar com isso.


Zeca Fonseca é um escritor romântico. Acho, inclusive, que ele é o mais romântico dos escritores da sua geração. Suas histórias falam da paixão mais arrebatadora. Mas, como ele não tem pudores de escrever sobre sexo, seus livros acabam tendo certa aura de livro erótico. Mas, o que torna Zeca Fonseca original como escritor, é a sua capacidade de retratar o sexo como um elemento da paixão, do amor. Nos seus escritos o sexo é tradução física de um amor sempre intenso. E ponto final.


Na contracapa do livro, a cantora Zélia Duncan escreveu:




Viver e pensar a vida ao mesmo tempo pode ser, sim, um pandemônio. Especialmente para quem se coloca no limiar, na beirinha do abismo e olha para ele. Assim é Lemok, personagem de Zeca Fonseca. A partir de seus atos e pensamentos, constatamos a crueza da vida, “nos intervalos da emoção”, como diria Alice Ruiz. Mas, para além da vida nua e crua, á alguém ali que vislumbra algo que poderia ser melhor. Por isso, algo de poesia vai escorrendo junto com toda a lama. Viver é bom?




Veja a entrevista de Zeca Fonseca ao Jô Soares clicando no link a seguir:




16.8.10


A ironia é a última instância dos inteligentes; nos ignorantes, é a violência.




O ADORADOR ESTÁ DE VOLTAO escritor Zeca Fonseca lançou, nesta sexta-feira 13, em São Paulo, seu novo romance, Pandemonium. A noite de autógrafos carioca será dia 17, na Livraria Argumento, ali no coração do Leblon. Pandemonium traz de volta a literatura o personagem Lemok, protagonista do seu livro de estréia, O adorador. Lemok é um personagem fascinante. Um romântico apaixonado que, ao se ver abandonado pela mulher que ama, se entrega de corpo e alma ao sexo sem compromisso com mulheres casadas. É um adorador de mulheres. Mais específicamente, Lemok é um adorador de xoxotas.


A Editora Faces apresenta Pandemonium como, antes de tudo, uma história de amor. Não seria diferente uma história com esse personagem. Lemok é movido pelo amor que sente pelas mulheres. É um personagem que ama com todos os órgãos do seu corpo. Em Pandemonium, depois de descobrir que a mulher por quem sente um amor platônico deseja seu amigo, Lemok mergulha fundo no mundo das drogas e da bebida, como um beatnik perdido no final dos anos de 1980. Quando o alvo de sua paixão casa com seu amigo, Lemok busca anestesiar a dor do sofrimento se entregando a uma série de mulheres devassas. Ao sofrer por amor ele se vinga se entregando ao sexo. E só um outro amor, mais forte, poderá mostrar uma luz no fim do labirinto de sofrimento em que se encontra perdido o nosso herói.

Não é lindo, o amor?


Romancista e fotógrafo, Zeca Fonseca se equilibra com muito talento entre essas duas atividades. Para celebrar o lançamento do livro a Editora Faces produziu três vídeos onde as imagens fotográficas de Zeca tem como trilha sonora trechos do seu romance.

Veja os vídeos aqui:

http://www.editorafaces.com.br/pandemonium/

A seguir excertos de Pandemonium publicados no blog de Zeca Fonseca:

Eu era a redundância ambulante da loucura.Estava largado, drogado, e ocupado demais com meu processo de auto-destruição para perceber que minha vida escoava pelo ralo.Vivia como num transe.


Tudo me impelia para a escuridão do meu poço inexplorado. Alguma transformação importante acontecia em meus subterrâneos; sentidos importantes foram perdidos; fronteiras internas foram abolidas.Era o fim. Ou algo parecido com fim.


Vivemos em uma sociedade de conveniência, composta por cidadãos coniventes com um sistema corrosivo de classes. Pobres criaturas ignorantes que desconhecem sua parcela de culpa na destruição do meio ambiente em que vivemos. Pessoas desprovidas de ética. Não sentem desconforto em atirar lixo, desordenadamente, no planeta. O homem comum será o grande vilão de um futuro muito próximo.


Rogava aos deuses, todas as noites, para que aqueles dias de agonia acabassem logo. A um só tempo, era vítima e algoz de mim mesmo. Desejava morrer e não desconfiava daquele meu plano macabro.


O tempo diria quanto mais eu precisaria morrer para um dia poder viver de verdade.

14.8.10

A Loba de Rayban falando no celular depois da estréia.


Um abraço apertado no sobrinho Gabriel Mattar.


Christiane com o marido, o filho o sobrinho e suas namoradas.


Maria Maya recebendo elogios de Liége Monteiro e Luiz Fernando.


O bonitão Gabriel Mattar foi prestigiar titia Christiane na estréia da peça.


Mãe e filho


Allan Souza Lima era todo sorrisos na estréia de sua peça 7 Vidas, no Teatro Laura Alvim.


TEATRO QUASE SEMPRE - Um pastiche de uma história de Agatha Christie. Assim é a peça 7 vidas, que o ator Allan Souza Lima me convidou para assistir. 7 Vidas é uma surpresa agradável, na sua proposta de criar uma história de crime e suspense, ambientada numa casa isolada no campo. Uma festa de aniversário reúne todos os membros de uma família. Uma tempestade deixa a casa isolada. Então as pessoas começam a ser assassinadas. O grupo de artistas envolvidos nesse projeto consegue transmitir com segurança a história que pretendem contar. Uma história de crimes nos moldes do teatro inglês, mas com um tempero bem brasileiro. Faltou pouco para que eles atingissem o climax teatral. A peça é divertida, bem realizada, mas tem seus poréns. Alguns atores têm atuação irregular, mas existem momentos de destaques individuais que merecem registro. Vale a pena assistir. Com sua história cheia de reviravoltas, a peça prende a atenção da platéia e faz com que ela tenha bons momentos de diversão.


Allan Souza Lima foi meu colega na novela Os Mutantes, na TV Record. Seu personagem era um jovem geneticamente modificado chamado Meduso, que lançava raios pelos olhos. Meduso era mau e queria se vingar do mundo por ter sido criado no laboratório da Doutora Júlia Zacarias, a cientista louca que fazia experiências genéticas numa clínica de reprodução. Seu personagem vai aparecer em breve na reprise da novela, que está sendo exibida pela Record.


Allan Souza Lima fez muito bem o personagem. Seus olhos amendoados valorizavam o efeito especial dos raios nos olhos. Junto com Gór e Metamorfo, ele formava uma trinca de mutantes malvados que deu o que falar na trama sobre experiências genéticas. A equipe que escrevia a novela junto com o autor Tiago Santiago adorava escrever as cenas de Meduso, Gór e Metamorfo. Nós gostávamos dos atores (Allan, Juliane Trevisol e Sacha Bali), dos figurinos, dos cortes dos cabelos e das situações que eles viviam. Vivemos bons momentos junto a esses personagens.


Allan Souza Lima está muito bem na peça 7 Vidas. Está seguro e muito à vontade em seu papel, um sujeito misterioso, que é um dos suspeitos de ser o assassino. No coquetel que se seguiu à estréia Allan estava em estado de graça. Tinha ficado feliz com o resultado da peça. E ficou surpreso com as gargalhadas do público. “Tinha algumas cenas que não era para rir, mas o público caiu na gargalhada”, dizia ele, com um sorriso de orelha a orelha. Depois ele me contou o seu telefonema para a crítica Bárbara Heliodora. “Faço questão que a senhora venha ver a nossa peça. Queremos ser criticados pela Senhora, mesmo que seja uma crítica arrasadora”. Allan disse que a Bárbara é muito simpática com ele e que sempre que pode liga para a poderosa crítica, para um bate-papo sobre os caminhos do teatro brasileiro. Allan Souza Lima tem uma forte ligação com o teatro e participou de peças como Don Juan e Bent.


Também assisti no teatro a vigorosa performance de Christiane Torloni na peça A Loba de Rayban. Esse sim é um espetáculo que atinge o climax teatral. O texto, a direção e a atuação dos atores se encaixam com perfeição. A peça é dedicada a Dina Sfat e quem admirava essa atriz vai entender o quanto o seu estilo influenciou a concepção do espetáculo. É uma verdadeira celebração à magia do teatro.


A loba de Rayban é uma peça sobre o próprio teatro. Num primeiro plano fala sobre o teatro, a arte de representar e a angústia da profissão do ator, sempre vivendo personagens diversos, capazes de influenciar seu comportamento fora dos palcos. Num segundo plano a peça aborda as relações humanas a partir de suas paixões, seus desejos. Como o desejo pelo outro interfere no sentido da nossa vida. É um espetáculo poderoso, a partir do momento em que ele diverte e faz o público refletir.


Um triângulo amoroso é o ponto de partida da história. Tudo começa quando uma grande diva do teatro brasileiro, que está atuando em Medeia, interrompe o espetáculo em meio a representação. A diva teve uma crise por não estar suportando a separação do seu marido, o ator com quem contracena na peça. Tudo fica ainda mais complicado quando, depois do espetáculo, sua namoradinha, uma jovem atriz do elenco, avisa que vai abandonar a peça. No mesmo instante a diva do teatro brasileiro está perdendo o seu marido e a sua jovem namorada, Leonardo Franco e Maria Maya, respectivamente. A situação provoca cenas de discussão, conflitos, acusações e crises de choro. Mas também é motivo para impactantes cenas de amor. O público estremece com as ousadias de Christiane Torloni, Maria Maya e Leonardo Franco nas cenas de sexo. O conflito entre esses três personagens resulta num espetáculo de grande vigor teatral.

Fotos: Waldir Leite

6.8.10

Viver bem é a melhor vingança!




O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM – O escritor pernambucano Raimundo Carrero acabou de receber o Prêmio São Paulo de Literatura pelo seu romance A minha alma é irmã de Deus, uma história sobre pobres e miseráveis que se deixam levar pelo fanatismo religioso. Foi uma premiação mais que merecida. Raimundo é um escritor brilhante. Da mesma linhagem de autores nordestinos que já rendeu a literatura brasileira nomes como José Lins do Rego e Raquel de Queiroz.


Conheci a literatura de Raimundo Carrero ainda adolescente. Eu tinha dezesseis anos e morava em Recife quando a jornalista Wilma Lessa me apresentou o primeiro livro desse autor. Ela era uma grande amiga e nós estávamos bebendo cerveja no seu apartamento na cobertura do Edificio Apolo. Tínhamos bebido bastante enquanto conversávamos sobre livros e autores, um dos temas favoritos de nossas longas conversas. Foi então que ela se dirigiu a sua estante, pegou um livro e me disse num tom incisivo e definitivo: “Você tem que ler esse livro!”.


A história de Bernarda Soledade – A tigre do sertão.


Era esse o nome do livro que eu peguei nas mãos, enquanto ouvia sua voz rouca, com um irresistível sotaque paulista, repetindo com veemência: Esse escritor é genial! Brilhante! Bernarda Soledade é o melhor livro que li desde Pedro Páramo! Ela comparava o livro de estréia de Carrero com o clássico da literatura mexicana Pedro Páramo, de Juan Julfo, que ela já tinha me apresentado meses antes.


Eu tinha lido Pedro Páramo e ficado muito impressionado com o livro. A história, os personagens, o tom barroco com que a história era narrada. Foi uma descoberta e tanto. E o fato de Wilma Lessa ter me apresentado aquele livro fez com que eu ficasse ainda mais admirado por sua inteligência. Ela era uma mulher bela e intelectualmente estimulante. Imediatamente li A história de Bernarda Soledade e fiquei apaixonado pelo livro. No frescor dos meus dezesseis anos a leitura daquele livro fez com que um mundo novo se descortinasse à minha frente. O modo inteligente e sensível como o autor manipulava as palavras me deixou maravilhado. Dias depois nos encontramos no Mustang, nosso bar favorito, que todo mundo chamava de Mustangay, e eu lhe disse o quanto tinha adorado Bernarda Soledade. E tomamos mais um porre enquanto discutíamos a história, a narrativa, os personagens, a força das palavras contidas no romance. Havia um afinidade intelectual muito grande entre a gente e isso marcou essa época da minha vida.


Por conta dessas lembranças de adolescente é que eu vibrei muito com a vitória do escritor Raimundo Carrero. Para mim foi como uma homenagem póstuma a bela e culta Wilma Lessa. Sempre que surge o nome do Raimundo Carrero eu me lembro com saudade e ternura de Wilma Lessa. Lembro do seu rosto maquiado e dos seus brincos, anéis e pulseiras pegando o livro Bernarda Soledade na estante e me intimidando com a voz carregada de paixão: Você tem que ler esse livro!. Enquanto a trilha sonora do filme Borsalino tocava na vitrola, ela pegou o livro da minha mão e ficou lendo trechos que escolhia com a segurança de quem já tinha lido aquilo várias vezes. Wilma lia os trechos do romance, adquiria uma expressão dramática no rosto e repetia cheia de tesão: Não é incrível isso? Não é maravilhoso esse autor?

Saiba mais sobre Raimundo Carrero no site:

Ouça a trilha do filme Borsalino:

23.7.10


O pudor inventou a roupa para que se tenha mais prazer com a nudez.

UMA LÁGRIMA PARA O JORNAL DO BRASIL – Na época em que eu estudava Comunicação na PUC, o Jornal do Brasil era como uma Bíblia. Para nós, alunos, era um jornal sagrado, que tinha história, personalidade, estilo. Uma referencia única para os que queriam ser jornalistas. Todos nós sonhávamos um dia trabalhar lá. Certa vez fui com um grupo de alunos da minha turma da Faculdade passar um fim de semana em Petrópolis, na casa de uma colega que era milionária e tinha uma mansão no alto da serra. Na volta do fim de semana, quando passamos pelo elevado em frente ao prédio do JB uma de nossas colegas apontou para o edifício e disse: “Vejam, ali será o meu futuro emprego”. Ela falou de um jeito tão engraçado que todos nós, na flor da juventude, caímos na risada.



Trabalhei durante quatro anos no Jornal do Brasil. Quando lá cheguei o jornal já não era aquele JB dos meus tempos de garoto. Mas ainda dava as cartas na imprensa carioca. Quem me levou para o JB foi a minha querida e adorada Hildegard Angel. E foi um período em que eu trabalhei e, ao mesmo tempo, me diverti muito. O trabalho era pura diversão. Hilde me encarregava de cobrir, para sua coluna, as festas mais incríveis do Rio. E eu adorava a vida mundana, aquele clima fútil, mas, ao mesmo tempo, existencialista. Eu me sentia um personagem do F. S. Fitzgerald, me equilibrando entre o êxtase e a decadência.



Gay Society! Esse era o nome da coluna que eu assinava no Caderno H, o suplemento editado por Hildegard. Uma coluna dedicada a falar, exclusivamente, da vida gay no Brasil. Além disso, eu escrevia perfis e reportagens para o suplemento. Entrevistava políticos, celebridades, escritores, modelos, artistas. Mas eu gostava mesmo era de fazer reportagens com lutadores de artes marciais como Flavio Canto e Leonardo Leite. Houve uma reportagem que me marcou muito. Em 2004, por ocasião dos 200 anos do nascimento de Allan Kardec, fui encarregado de fazer uma reportagem sobre o espiritismo e sobre o pensamento do homem que se notabilizou como o codificador da doutrina espírita. Ao entrevistar espíritas e pesquisar sobre o tema aprendi muito sobre o assunto e sinto que isso me fez descobrir um mundo fascinante.



Quando Ziraldo foi convidado para ser editor do Caderno B ele fez uma revolução no suplemento cultural do “jotinha”. Jotinha era como os funcionários antigos chamavam carinhosamente o jornal. O Caderno B, de Ziraldo, tinha uma página diária sobre livros e eu fui um dos jornalistas encarregados de escrever resenhas sobre os lançamentos do mercado editorial. Sou apaixonado por livros e esse trabalho era puro prazer. Mais prazeroso do que isso, só se eu fosse convocado para ser massagista da seleção de futebol da Espanha. Escrevi sobre livros de João do Rio, Cora Ronai, Steve Barry, Anne Prouxl, Aguinaldo Silva, Oscar Moore, Dominique Fernandez e muitos outros. Um dos textos que mais curti escrever foi sobre o livro A linha da beleza, de Allan Hollinghurst. Esse livro é brilhante. Uma obra-prima. Está para a literatura assim como os Pet Shop Boys estão para a música pop. Mas é um livro que foi pouco lido no Brasil. Os leitores brasileiros não sabem o que perderam.



A convivência com jornalistas talentosos também foi algo muito bacana dos meus tempos do JB. Foi um tempo em que, para mim, a palavra trabalho teve o mesmo significado que a palavra prazer. E por isso sempre vou ter um carinho muito especial pelo Jornal do Brasil. É uma pena que o jornal esteja acabando dessa forma, vítima de uma sucessiva onda de maus administradores.



Descanse em paz!


Fotos: Waldir Leite

14.7.10


Pense profundamente. Fale gentilmente. Ame bastante. Ria freqüentemente. Trabalhe com afinco. Dê com generosidade. Pague pontualmente. Ore fervorosamente. E seja bom!



PORTAL DO VALE TUDO – Fabrício Werdum é um dos craques das artes marciais do Brasil. Em junho passado ele fez história quando, durante a edição do UFC, finalizou o lutador russo Fedor Emelianenko. A luta entre os dois foi bem rápida. Durou apenas o emblemático tempo de 69 segundos. Para aniquilar seu oponente o brasileiro Werdum aplicou um singelo golpe conhecido como triângulo. Os bastidores da luta entre Werdum e Fedor é o destaque da útlima edição da revista digital Portal do Vale-Tudo, editada pelo craque Marcelo Alonso. Werdum é um craque das artes-marciais. Eu já tive a oportunidade de vê-lo lutando num campeonato de Jiu-Jitsu, no Tijuca Tênis Clube. Com seu texto cheio de charme, Marcelo Alonso traça um perfil cheio de charme do lutador e conta, entre outras coisas, que Werdum só se refere ao órgão sexual masculino como “querido”. Não é um fofo?


Marcelo Alonso é o sujeito que mais entende de artes marciais no Brasil. Lançou a revista Tatame, que editou durante quinze anos. Viajou para quase o mundo inteiro para cobrir campeonatos. Tem viajado regularmente para os Emirados Árabes a fim de acompanhar o crescimento do Jiu-Jitsu no reino do petróleo. Agora ele se dedica exclusivamente a revista digital do Portal do Vale Tudo, onde publica seus textos saborosos e suas fotos magníficas.

Veja clicando no link:




AS MIL E UMA NOITES – Num lindo dia de sol em Ipanema encontro meu amigo Alexandre Garcez, ou Xande, como os amigos gostam de chamá-lo. Xande está há mais de um ano morando nos Emirados Árabes. Ele é um dos oitenta professores brasileiros que foram contratados pelo Sheik para ensinar jiu-jitsu nas escolas públicas do seu país. Curtindo o sol do seu Brasil tropical, um copo de cerveja na mão, ele aproveita as quatro semanas de férias a que tem direito. “Lá nos Emirados é ilegal beber cerveja, não existem bares, nem vende cerveja nos supermercados. Só os hotéis cinco estrelas é que vendem cerveja para os turistas”, conta ele. Mas diz que está muito feliz com seu trabalho, ganhando um belo salário em dólares, mais moradia paga pelo governo, além de passagem de avião para vir passar férias no Brasil.


Além dos oitenta alunos já contratados, o Sheik pretende contratar mais quarenta. Todos brasileiros. Ele quer que todos os alunos das escolas públicas dos Emirados tenham aulas de Jiu-Jitsu, arte marcial que o Sheik aprendeu com a família Gracie, quando estudava na Universidade da Califórinia. De volta ao seu país, o Sheik fez questão de difundir essa técnica de defesa pessoal entre o seu povo. É algo tão revolucionário na cultura árabe, que até algumas mulheres já estão aprendendo Jiu-Jitsu.


Eu fico pensando na influência que o jeito de ser do povo brasileiro vai exercer nas futuras gerações dos cidadãos árabes. Afinal, cada lutador brasileiro dá aulas para cerca de 100 alunos, crianças e adolescentes. Em nossa conversa sob o sol escaldante da praia de Ipanema, Xande contou histórias bem divertidas sobre como os brasileiros conseguem driblar os rígidos padrões morais do mundo árabe. “Lá ninguém mija no meio da rua, só os brasileiros.” Mas, a maior de todas as dificuldades, é com as mulheres. Os homens não podem se dirigir às mulheres, nem conversar, muito menos azarar. “A gente se vira com as mulheres estrangeiras. Em Dubai tem muita gente de outros países, então dá pra ir nas boates dos hotéis e ficar paquerando as mulheres. Mas ninguém pode beijar na boca em público. Se um casal se beijar na boca numa boate, o segurança vai lá e separa. É uma loucura. Ainda bem que eu estou namorando uma alemã.”


Alexandre é um talento das artes marciais. A primeira vez que eu fui na casa dele fiquei impressionado com a quantidade de medalhas que havia nas paredes do seu quarto. Muitas e muitas medalhas. A maioria adquirida em vitórias de torneios de judô. Ele é um super faixa-preta em judô, já foi professor do Flamengo e deu aulas em várias academias. Ainda bem jovem se tornou faixa-preta e só então passou a se dedicar ao Jiu-Jitsu e se tornou um expert nas duas modalidades. Em suas férias no Rio Xande pretende matar as saudades dos amigos, tomar cerveja no Zig-Zag, seu bar favorito, curtir muitos shows de pagode (ele adora pagodes) e se esbaldar na praia de Ipanema. “Eu estava com muita saudade de ver essas coisas”, disse ele com os olhos brilhando de ternura e sensualidade quando duas garotas, em minúsculos biquines, se banhavam num chuveiro perto da barraca onde estávamos. “Eu já viajei por muitos lugares do mundo e posso assegurar uma coisa: não existe lugar como o Brasil.”

(Fotos: Waldir Leite)

Madonna vem aí...

 

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